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segunda-feira, abril 06, 2026

Alto Minho, artigo de 02-04-2026

Páscoa

A nossa Páscoa é única! Embora a ressurreição de Jesus seja o ponto comum, cada terra celebra-a com as suas próprias tradições. No Alto Minho, tal como a natureza que desperta na Primavera, este período é de profunda transformação. 

Há algo generoso no modo como por cá se vive a Páscoa. As famílias abrem as portas das suas casas, deixam entrar a alegria das ruas, dizendo, no fundo, que a comunidade ainda importa. O burburinho da rua, o compasso pascal “invadir” a intimidade do lar, sem pedir licença, lembra-nos que a felicidade só faz sentido partilhada. 


O relógio já está a contar


Já tinha escrito em Novembro do ano passado e, mais recentemente, em Janeiro, o Mundial de Futebol de 2030 está à porta e Ponte de Lima e a região pode ganhar com isso. Na semana passada, ficamos a saber que foi proposta à FIFA a inclusão de Vigo no Mundial 2030. Com esta decisão, a nossa região posiciona-se num eixo geográfico privilegiado. Ficamos a menos de 80 quilómetros de distância de dois grandes palcos mundiais, o Porto (Estádio do Dragão) e Vigo (Estádio de Balaídos). Esta centralidade coloca-nos no coração do evento, com argumentos renovados para atrair selecções, adeptos e investimento.

Torna-se imperativo que os nossos agentes locais e regionais se unam. Precisamos de planear e criar infraestruturas de excelência capazes de fixar selecções nacionais no nosso território. Não podemos ser apenas espectadores, temos de ser protagonistas e garantir que o Alto Minho capitaliza este evento para lá das quatro linhas, transformando a proximidade em benefícios reais para a economia e o turismo local. 


Um jogo diferente


Na passada semana, o nosso “Os Limianos” teve um jogo diferente. Era um jogo em atraso, com o Ribeira Brava. Jogado a meio da semana, numa quarta-feira, com o apito inicial a ser dado às 15h, por mais limianismo que corra nas veias, a presença de quem trabalha estava muito dificultada. 

Após uma derrota pesada que lhe retirou o segundo lugar, a vitória era o único caminho para manter viva a esperança da subida. O desafio era grande, jogar em casa, mas sem o habitual fervor das bancadas cheias. Foi então que a direcção do clube surpreendeu com uma iniciativa louvável. Convidou várias instituições do concelho a levarem os seus utentes ao estádio. A resposta foi imediata e emocionante. As imagens partilhadas são comoventes, não houve fumos nem cânticos estridentes, mas, com as bancadas cheias, o apoio foi real e eficaz. Nesse dia, “Os Limianos” regressaram ao segundo lugar.

domingo, abril 20, 2025

Alto Minho, artigo de 17-04-2025

Implosão?

A semana da entrega de listas foi negra para as estruturas do Chega, no Alto Minho. O dicionário da Porto Editora descreve a palavra “implosão”, no campo da astronomia, como “colapso gravitacional de um astro, resultante do esgotamento das suas reservas de combustível nuclear”. Foi isso que aconteceu com o Chega no distrito. Vários dirigentes, um pouco por todo o distrito, desfiliaram-se com estrondo. Segundo as palavras da ex-vice-presidente distrital, Natividade Barbosa, o partido adota práticas de "corrupção e o compadrio”. 

A escolha de Mecia Martins, ex-CDS, para ocupar o segundo lugar da lista candidata à Assembleia da Republica, trouxe um terramoto interno. Os militantes que foram o núcleo do partido esgotaram a sua paciência e abandonaram-no. Será que esta implosão ditará a perda do eleito pelo distrito? E Mecia Martins, depois disto, vai encabeçar a lista do Chega à Câmara Municipal de Ponte de Lima? 


Semana Santa


Ponte de Lima está a tornar-se uma referência para quem procura o dito “turismo religioso”. Sim, há pessoas que fazem planos de férias tendo em consideração as suas convicções religiosas e a oferta que os destinos proporcionam nesse campo. Vejam a dinâmica desta Quaresma da oferta limiana, os católicos, e não só, puderam viver experiências que, não fora a sua componente religiosa, poderiam ser definidas como culturais, de divulgação de património. 

Vou destacar uma atividade desta Semana Santa. Começa hoje e termina já no próximo sábado, a Rota das Capelas Floridas | A Cruz em Flor. Várias igrejas e capelas, algumas privadas, estarão abertas durante a tarde e inicio da noite, ornamentadas com arranjos florais. Será um bom périplo pela vila. 

Se quiser saber mais sobre as várias actividades da Semana Santa na vila de Ponte de Lima, tente encontrar um Programa “da Quaresma à Páscoa” (https://www.cm-pontedelima.pt/cmpontedelima/uploads/writer_file/document/7286/programa_semana_santa_ponte_de_lima_2025.pdf). Para além de ficar a saber horários e actividades, encontrará por lá fotografias únicas da igreja matriz até agora praticamente desconhecidas. Vale a pena guardar para memória futura.  


Memória


Provavelmente, o tempo também estaria a aquecer e as flores a despontar nas árvores, o rio, longe de ser domando, deveria trazer um caudal ainda forte, de Inverno. A normalidade da natureza seria quebrada pelas nuvens de guerra que não largavam a nossa região. O início do mês de Abril, mas de há 216 anos, o terror chegava à nossa terra. Os soldados franceses, do imperador Napoleão, entravam nos muros de Ponte de Lima e deixavam espalhados corpos pelas ruas, hortas, casas e até pelo areal. 

Hoje podemos saber os seus nomes, para que não desapareça da nossa memória colectiva, felizmente os registos paroquiais, preservados no Arquivo Distrital de Viana do Castelo, estão disponíveis para nossa consulta em https://digitarq.arquivos.pt 

A memória do passado, estando presente, serve para que os erros não sejam novamente cometidos. 


segunda-feira, abril 01, 2024

Alto Minho, artigo de 28-03-2024

Semana Santa


Esta é uma das semanas mais importantes para os católicos. Uma semana de tristeza? Sim, de certo modo, no entanto é bom lembrar que a semana termina com a Ressurreição e que, sem esta, nada teria sentido.

Aproveitando a Semana Santa, este ano, o Município de Ponte de Lima fez uma aposta grande na divulgação do património e tradições limianas. Em estreita colaboração com a paróquia de Santa Maria dos Anjos, sede do concelho, as cerimonias litúrgicas fundem-se com várias actividades culturais. Destaco a abertura de várias igrejas e capelas por todo o centro histórico, algumas das quais só neste altura se poderão visitar, pelo que afigura uma oportunidade imperdível. 

É bom quando os responsáveis políticos têm a capacidade de envolver a comunidade na preservação e divulgação das nossas tradições, sejam elas populares ou religiosas. Um exemplo a replicar.


Informação


Tem sido um calvário para os que vivem, trabalham e estudam no centro de Ponte de Lima. Obras no coração do centro histórico, na rua General Norton de Matos e Agostinho José Taveira, bloquearam o acesso ao centro, obrigando a alterações na circulação que levaram à concentração do fluxo de transito em duas ou três ruas. 

Já se sabe que para se fazerem obras são necessários sacrifícios. É preciso criar condições para se poder trabalhar sem problemas e também para quem tem de circular no espaço a intervir. Ao contrário do que era costume, a obra no centro histórico foi anunciada com alguma antecipação, foram preparadas alternativas, mudados sentidos de circulação, tudo para minimizar os constrangimentos. Até foi dada uma data prevista para o término das obras. Tiveram mesmo o cuidado de, ao fim de semana e dias de feira, dentro de algumas limitações, permitir a circulação “normal”. 

Infelizmente, já o mesmo não se pode dizer sobre a intervenção, penso que a cargo das Infra-estruturas de Portugal, numa das vias de maior movimento em Ponte de Lima, a Dom Pedro I (entre a rotunda da Feitosa e a de Nossa Senhora da Guia). Apesar da entrada principal do centro histórico da vila de Ponte de Lima estar bloqueada pela obra descrita anteriormente, as Infra-estruturas de Portugal resolveram, mesmo assim, avançar com a, tão necessária e por eles adiada, construção de uma rotunda de acesso a duas grandes superfícies. Uma obra que significa o corte intermitente do trânsito e que bloqueia uma das alternativas à entrada no centro histórico. Custaria muito “falar” com o município e programar para outra data? 

A coordenação das intervenções, a escolha de datas e o ajuste a horas que impliquem menor constrangimento à normal circulação das populações, deveria ser uma preocupação dos responsáveis.  


Quem vai ser o primeiro?


Acabado o período de campanha, e conhecidos os novos representantes, quem vai ser o primeiro a propor a abolição do pórtico do Neiva na A 28? Este foi um assunto em que todos, durante a campanha, foram consensuais, pelo que já não há desculpas. Da mesma forma que não existem desculpas para a inércia em que caiu o processo de criação de uma rede de transportes públicos na região. Uma rede interna, inter-modal, que permita a interacção com territórios vizinhos. 

É preciso passar das palavras aos actos. Quem vai ser o primeiro a dar o passo para passarmos à acção?

domingo, abril 16, 2023

Alto Minho, artigo de 12-04-2023

 Novo espaço público 

Ainda não está confirmado mas pelo que se vai lendo e pelo que se vai verificando no local, os terrenos municipais, em Arcozelo, anunciados, outrora, como destinados a um parque de campismo, irão, afinal, albergar um espaço muito mais nobre. Um terreno público, ajardinado, com trilhos e árvores. Um espaço cuidado, em observância com as melhores práticas da arquitectura paisagística, que se tornará uma continuidade do Campo do Arnado, à saída da ponte medieval. 

Terrenos que fazem parte de uma quinta com secular história, do tempo em que as grandes famílias nobilitadas não podiam ser donas de casas dentro das muralhas da vila de Ponte de Lima. Se mais não fosse, pela história que carregam, mereciam uma decisão como a que aparenta ter sido tomada. Já agora, seria ainda mais interessante se aproveitassem, por exemplo, os declives do terreno para criar espaços embutidos na natureza para lazer e desporto. Por que não um pequeno anfiteatro para peças de teatro ou concertos musicais, ou uma pequena quadra de basquete?

Depois do alargamento dos caminhos circundantes, este investimento torna aquela  zona ribeirinha, a um passo do centro histórico, num dos mais importantes espaços de lazer e bem estar informal de Ponte de Lima.


Viver a Páscoa


Não, o tempo de Páscoa não tem nada que ver com ovos e coelhos. Por vezes, caímos no relativismo, no viver o imediato sem pensar. É interessante verificar como depois de anos de pandemia que impediram dar vida na rua às nossas tradições do tempo de Páscoa, quando se pensava, mesmo depois de terminadas as restrições, que as pessoas iriam virar costas a essas tradições religiosas, se verifique precisamente o contrário. A afluência no tríduo pascal, as eucaristias, Via Sacras e outras manifestações publicas de fé foram especialmente concorridas. Curiosamente já não são só as velhinhas, vestidas de negro, que participam na Via Sacra, são também os jovens que até trazem uma nova visão desse tempo de meditação. 

Não sei se será algo que decorre após um tempo de encerramento que trouxe uma vontade exacerbada de viver intensamente, de sair de casa, de partilhar experiências. A  verdade é que se nota uma mudança nos espaços católicos, mais que participar por obrigação, por “parecer bem”, as pessoas participam por vontade, por convicção. Dizem que são menos, talvez sejam, mas são mais esclarecidos e sem medo de dar a cara, vejam como os leigos têm um papel mais importante e fulcral nos compassos pascais que visitam as casas das comunidades. Assim se “viverá” mais a Páscoa. 


Nenhuma descrição de foto disponível.


domingo, abril 09, 2023

Alto Minho, artigo de 05-04-2023

Memória

Quando nasceram, no final do século XIX, não passaria na cabeça dos seus pais que iriam viajar por França e ainda pôr um pezinho na Alemanha. O Paulo (Morais) e o Fernando (Gonçalves) nasceram na vila de Ponte de Lima e na casa dos 20 foram chamados pela pátria. No “milagre de Tancos”, programado pelo seu conterrâneo General Norton de Matos, foram preparados (?) para marcharem para França defender os “interesses” de Portugal.

Mal preparados, mal equipados, sem retaguarda para os render, mal saídos de um inverno extremamente frio e húmido,  enfrentaram, no dia 9 de Abril de 1918, uma das maiores ofensivas militares das forças alemãs na I Grande Guerra. Mais de 55 mil homens carregados com todos os meios, artilharia pesada, gases venenosos, metralhadora, penetraram as linhas portuguesas. O Paulo e o Fernando, além de viverem o terror do avanço alemão sobre as linhas que integravam, foram feitos prisioneiros de guerra e levados para um campo de prisioneiros na Alemanha. Só muitos meses depois, já a guerra tinha terminado, é que regressaram a Portugal e, finalmente, a Ponte de Lima. 

!05 anos depois, a sua “viagem” ainda é recordada. Não só pelas suas famílias mas também por camaradas de outras gerações que não deixam cair no esquecimento os vários jovens, como o Paulo e o Fernando, que, de Ponte de Lima, rumaram para as trincheiras francesas (outros para Africa).  


Páscoa


Depois de 3 anos sem a possibilidade de viver a Páscoa como só o Alto Minho vive, eis que voltamos à nossa “normalidade”, às nossas tradições, ao compasso Pascal. É verdade que em muitas paróquias a tradição já não volta com a força de outrora, noutras, a realidade veio trazer novas formas de a viver, mas, na generalidade das terras e recantos alto-minhotos, o som das campainhas, o entrar e sair de casa em casa, os sinos e foguetes, a alegria serão o mote do próximo domingo. 



Democracia


Não há democracia sem cidadãos esclarecidos, não há democracia sem liberdade de pensamento ou de discurso, não há democracia sem escrutínio. O jornalismo livre é um dos pilares fundamentais das democracias. 

Um jornal regional, como este que o leitor está a ler, com reconhecida qualidade gráfica, e, acima de tudo, editorial, que sai para a rua com periodicidade certa; com jornalismo de qualidade, que produz notícias da região, não se limitando a uma mera reprodução de comunicados ou de notícias de gabinetes e agências de comunicação; que faz entrevistas que retiram “sumo” aos entrevistados, porque abriga uma equipa de jornalistas, com formação e carteira profissional, com salários em dia, motivados; um jornal que capta a realidade da região e que é uma referência é, certamente, para alguns dos que se acham “poderosos”, uma ameaça. Há os que não apreciam porque sabem que, em democracia, como já anteriormente escrevi, os cidadãos esclarecidos tendem a não tolerar a mediocridade.

Obrigado a todos os profissionais que por aqui também constroem a nossa democracia.

segunda-feira, abril 18, 2022

Alto Minho, artigo de 13-04-2022

Regresso da tradição

Durante alguns anos integrei o Compasso Pascal (derivação de “Crux cum passo Domino”) na minha paróquia. Sem a grandiosidade que outras paróquias colocam no seu compasso, a verdade é que a alegria de anunciar Jesus Ressuscitado nunca foi menor. O ir de casa em casa a anunciar a ressurreição, orando em conjunto pelos que nelas habitam, é uma manifestação de fé que a tradição do povo alto-minhoto perpetuou durante séculos.

O momento da entrada do compasso, o estourar dos foguetes, o toque das campainhas, o correr e a emoção das crianças, a “desculpa” para se visitar a casa dos familiares e amigos, que durante o ano fica sempre relegada para outra altura, tudo isto também faz parte do colorido e da grandeza da festa da Páscoa alto-minhota.

A pandemia de 2020 veio impedir estas tradições, durante 2 anos, a Páscoa como a conhecemos por cá, foi adiada. Com a vacinação e a melhoria da situação epistemológica da COVID-19 este ano, em algumas paróquias, é retomado, ainda que em moldes diferentes dos que estávamos habituados, o Compasso Pascal dando primazia à oração e eliminando o “beijar” da cruz. 

Será, essa adaptação, o fim da “tradição”? Alguns, no pós Vaticano II, advogaram a suspensão do Compasso Pascal por, na sua óptica, já não encontrarem fundamento para a sua existência uma vez que este residia no sentido comunitário da bênção das casas pelo sacerdote. Pelo menos no último século, por várias vicissitudes, a “tradição” foi adaptando-se e permanecendo, mais enraizada no Minho e Alto Minho, na forma que conhecemos do beijar da Cruz que, ritualmente, se sobrepôs ao benzer das casas.

A verdade é que, depois de um interregno de dois anos, talvez com uma nova adaptação da “tradição”, voltamos a ter o “Compasso”, a comunidade fará o resto.



Férias da Páscoa


Bicicletas limpas e oleadas, mochilas carregadas de mantimentos, câmara de filmar/fotografar, walkie-talkies e lanternas, eis os ingredientes que usávamos para “enfrentar” as mais de duas semanas de férias de Páscoa da minha adolescência. Para os adolescentes de hoje, já só com uma pequena parte das férias de então, tudo isso parece vindo de uma série de época e quase nenhum dos objectos é por eles usado durante estas miniférias. O que não mudará será a vontade de aproveitar todos os minutos das férias. As “tradições” mantêm-se porque se adaptam aos tempos. 


Por falar em férias


Deixo o desafio/repto ao presidente da Câmara de Ponte de Lima, Vasco Ferraz, ou mesmo à Junta de Freguesia de Arcozelo, para recolocar tabelas de basquetebol nos espaços desportivos na Freiria e no lugar da Presa na vila de Arcozelo. Um dos espaços integra-se na zona histórica de Ponte de Lima o outro junto ao novo parque industrial do granito, num dos bairros mais habitados de Arcozelo. Com um baixo investimento, poderiam devolver aqueles espaços à utilização da comunidade promovendo uma atividade desportiva que até já é olímpica, o basquetebol de rua.


Nota


Não sou nem nunca fui jornalista, escrevo opinião. Na crónica dou uma percepção pessoal do mundo que me rodeia. Quando partilho a opinião sobre determinado assunto, tal e qual como qualquer comum cidadão, não procuro informação “privilegiada”, uso a informação que é pública e que não foi desmentida. Procuro e tento fazê-lo sem juízos de valor, dando apenas a minha opinião e esta, como a de qualquer cidadão, vale o que vale. Desta forma, não posso deixar de agradecer todas as mensagens que recebi, especialmente, ao longo desta semana. Obrigado por acharem o que escrevo digno de  alguns minutos da vossa vida.

quinta-feira, abril 01, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Políticas Municipais

Li na nota de imprensa sobre o livro O Perfil Artístico das Confrarias em Ponte de Lima na Época Moderna a seguinte frase "Na prossecução da sua política editorial (...) o Município de Ponte de Lima (...)". Se o Município leva a cabo uma política editorial não deveria ser esta pública?
Este é só  um exemplo mas revela o cerne da questão que é a transparência da própria administração. Transparência que até está a dar os primeiros e firmes passos mas que deveria ir além das comuns notícias sobre uma actividade qualquer, não as menosprezando, claro está, abrangendo também questões que são prioritárias. A verdade é que, pegando no exemplo anterior, se alguém quisesse saber qual é a política editorial do Município deveria poder consultar a dita em algum sítio e o ideal seria na página Web, realidade que neste momento não existe.  

Segurança 

O medo serve para justificar muitos erros, nomeadamente no que diz respeito às liberdades pessoais de cada um de nós. O medo diz-nos que a vigilância apertada, o controlo de câmaras espalhadas pelo espaço publico, nos garante maior segurança, mas, a verdade, é que todas as estatísticas de cidades onde se apostou fortemente neste método de vigilância contradizem esse “senso comum”.
Ponte de Lima foi pioneira a aderir a uns novos candeeiros que, para a além de música ambiente, estão preparados para a vigilância electrónica. O Largo de Camões, o Passeio 25 de Abril são alguns locais onde se encontram esses candeeiros. Já um presidente norte-americano dizia que uma sociedade que, com medo de perder a segurança, está disposta a ceder na liberdade dos seus cidadãos não merece nenhuma das duas. 

Páscoa 

Logo pela manhã, ecoam os foguetes, o cheiro a flores corre pelo ar, os sinos dos compassos fazem-se ouvir pelos caminhos e a azáfama dentro e fora das casas é uma constante. Todos esperam a visita do compasso, a visita de Jesus, da sua bênção às suas casas. É também tempo de meditação de alegria depois das agruras da Quaresma. Tempo de balanço, tempo de propósitos de mudança.

quinta-feira, abril 12, 2007

Alto Minho artigo 12-04-2007

Páscoa
O dia “acordou” sorridente. Logo pela manhã já ecoava por todo o vele do Lima o rebentar dos foguetes. “Jesus ressuscitou, aleluia!” Eis a frase que desde cedo se começou a ouvir por muitas casas alto minhotas.

A Páscoa em Ponte de Lima ainda é o que era. O compasso a passar de casa em casa, sendo os de Fontão e Vitorino das Donas os mais conhecidos, as pessoas estão mais alegres e receptivas, visitam as casas vizinhas e, porque não, abusam das doçarias. O tempo em que só os párocos lideravam os compassos já lá vai. Na sede de concelho, na paróquia de Santa Maria dos Anjos, podia-se, num primeiro momento, ouvir o pároco José Sousa, Arcipreste de Ponte de Lima, a apelar para o voluntariado e num segundo, a congratular-se pela presença dos jovens.

Realmente a Páscoa, no sentido da vivência humana, ainda se vai mantendo no nosso concelho, fruto da dedicação de muitos que abdicando do conforto do lar, da companhia da família, calcorreiam os caminhos limianos. Lembro-me que já há longos anos passam lá por casa Jorge Ferreira, Carlos Lima e José Maria Rocha. Páscoa após Páscoa, lá aparecem eles mantendo a tradição da visita do compasso pascal.

Este ano o dia de Páscoa terminou de forma bem diferente da que tinha iniciado, a chuva apareceu e dificultou o trabalho dos compassos. Dificultou, mas não impediu. Os voluntários continuaram firmemente, casa após casa, escada após escada, “Jesus ressuscitou, aleluia, aleluia! Paz a esta casa, aleluia, aleluia!”