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domingo, maio 09, 2021

Alto Minho, artigo de 05-05-2021

Cartazes

Começam a aparecer os primeiros cartazes nas ruas. Não, caro leitor, não estou a escrever sobre os cartazes dos festivais de Verão. São os cartazes das autárquicas que começam a despontar. 

Dois exemplos. No concelho de Viana do Castelo, o primeiro a aparecer foi o do candidato do PS, Luís Nobre. Cartazes pequenos divulgando a mensagem “Acreditar no futuro”. Já no concelho de Ponte de Lima, foi o candidato do PSD, Viera de Araújo, que apostou num cartaz de grandes dimensões com o slogan “Unir os limianos, ganhar Ponte de Lima”. 

Parece-me consensual que a maior curiosidade destas eleições não serão estes tradicionais cartazes, mas  verificar se os partidos e movimentos terão capacidade para inovar na forma de chegar aos eleitores. 


Assembleias Municipais


Nas eleições autárquicas, para além de votos para a Câmara e Assembleias de Freguesia, também se elegem as Assembleias Municipais. Ao contrário das outras votações onde o cabeça da lista mais votada se torna o presidente da Câmara ou o presidente da Junta de Freguesia, o cabeça da lista mais votada para a Assembleia Municipal pode não se tornar o presidente da mesma. A eleição do presidente da Assembleia e dos restantes membros da mesa é feita indiretamente, à posteriori, pelos membros eleitos e pelos presidentes da Junta. 

É raro, mas podem aparecer surpresas. Isso já aconteceu, por exemplo, em Ponte de Lima. Cassiano Baptista, médico, e cabeça de lista do CDS à Assembleia Municipal, viu a sua lista sair vencedora das eleições autárquicas, mas o lugar de presidente da Assembleia Municipal escapu-lhe para o cabeça de lista do PSD.

Em Ponte de Lima, neste momento, existem 4 cabeças de lista à Assembleia Municipal. O CDS volta a ter o actual presidente da Assembleia, João Mimoso de Morais, o PSD aposta em António Carvalho Martins, histórico social-democrata e membro da comissão política nacional de Rui Rio, a CDU volta a candidatar João Monteiro, e o movimento VIRAMILHO surpreende com a candidatura de Susana Torres, conhecida treinadora motivacional e, por enquanto, a única mulher a liderar uma lista aos órgãos municipais limianos.  


Comentadores das redes


Numa semana, o concelho de Ponte de Lima teve uma subida meteórica no número de infectados por COVID-19. Logo as carpideiras das redes sociais clamaram contra as feiras, contra as esplanadas cheias, contra os passeios, contra… Porque subiu tanto o número de infectados? Segundo as notícias, a subida deu-se devido a um surto num lar de idosos junto ao hospital Conde de Bertiandos. Um surto num lar de idosos? - questionaram os “especialistas” das redes sociais -  então não foram todos vacinados? Onde está afinal a eficácia da vacinação? Bastava ler as notícias sobre o surto para perceber que a única pessoa a apresentar sintomas era  precisamente a única que não tinha sido vacinada. 

A luz parece querer aparecer neste longo túnel, mas tudo depende de nós, do nosso comportamento e cuidados. Não baixar a guarda na nossa interacção em comunidade e na nossa capacidade de não sermos cúmplices da desinformação parece o melhor caminho.








sábado, abril 04, 2020

Alto Minho artigo de 02-04-2020



Silêncio
Ainda não consegui entender por que é que o nosso líder municipal ainda não usou as novas tecnologias, as redes sociais do município, para falar aos limianos, como anteriormente o fazia, com alguma permanência. Há uns, noutros concelhos, que falam demais, aproveitando cada segundo para mais um vídeo, mais uma declaração. Não é disso que falo. 
São demasiadas as pessoas que ainda não perceberam o que realmente está a acontecer e é por isso que um líder deve aparecer. Para explicar o que está em causa, a realidade em que nos encontramos, o que se está a fazer e o que se planeia fazer. É urgente que o presidente da autarquia limiana dê o rosto, que demonstre pró-actividade e, sobretudo, que dedique alguma atenção  aos limianos.
Outros municípios, alguns bem perto, foram céleres na promoção de parcerias para proporcionar locais de testes, na proposta de soluções para as empresas de forma a manter empregos, no apoio às IPSS com equipamentos de proteção e testes. 

Demora
No final disto tudo, vamos ter tempo para fazer balanços. Veremos então, com outra clareza, os líderes que nos foram enganando com meias verdades, os outros que demoram dias a tomar uma decisão que deveria ser tomada em horas, e ainda aqueles que insistiram nas decisões erradas, quando já havia informação ou exemplo público que confirmavam o erro.
A demora na tomada de decisões, nestas circunstâncias, é algo que se paga muito caro. Não é o tempo dos líderes apenas focados na sua imagem e nos proventos políticos ( infelizmente, são muitos), mas de Líderes preparados e firmes. 

Não sair de casa
Já se percebeu que a maioria dos portugueses se encontra em casa e a cumprir as recomendações. Felizmente, esses gestos parecem estar a dar resultado. No entanto, ainda é possível ir mais além, sem qualquer imposição ou ordem do Estado. 
Podemos sair para fazer exercício ou passear os cães, mas, certamente, não será preciso percorrer  quilómetros para tais actividades. Temos de comprar os bens essenciais, mas podemos fazer tudo na mesma saída ou no regresso do trabalho. 
Se nos dizem que temos de ficar em casa e se não temos razão para sair, não vamos inventar desculpas. Mesmo para resolvermos assuntos relativos aos serviços do Estado temos várias alternativas online ou por via telefónica que evitam a nossa deslocação. Sim, podemos fazer ainda mais, mas temos de perceber que é urgente o nosso isolamento para validar o isolamento dos restantes. 

Testar, testar, testar
Sabendo-se que testar é uma das melhores formas de combater o contágio para quebrar as redes de contágio, sabendo-se ainda que a população mais atingida é a idosa, sabendo-se também que a região norte é a mais fustigada, por que é que,  além de Lisboa e Aveiro, se optou por Évora, Guarda e o Algarve para se iniciar a campanha de testes em lares de idosos? 
As horas são dias, os dias são meses, as semanas são anos…

domingo, março 29, 2020

Alto Minho artigo de 26-03-2020



Ter de sair
Não é ao acordar, é ao fechar a porta que o medo nos assola o coração. Medo que seja a última vez que se bate a porta sem que o pouco do mundo ainda dito normal desapareça. Este é o sentimento de quem, como eu, sai todos os dias para trabalhar, no meu caso no atendimento ao público. Quando se ouvem relatos dos que trabalham na linha da frente dos hospitais, centros de saúde, IPSS, não se consegue perceber como, atendendo aos exemplos vindos de foram, Portugal não foi capaz de se acautelar, preferindo manter uma narrativa de que estava tudo bem, estávamos preparados, tínhamos material suficiente 
Não se consegue perceber como não se foram adquirindo mais ventiladores, mais máscaras, luvas e fatos de proteção. Como é possível surgirem apelos desesperados dos que estão lá, na linha da frente, não em teletrabalho ou em conferências de imprensa, mas nos pisos zero, nos corredores, a pedir, quase clandestinamente, aos amigos, aos conhecidos, à comunidade que ajudem materialmente ou monetariamente para que esses materiais sejam adquiridos. Onde estão os diretores, os responsáveis? Onde está o planeamento quando, pelo menos desde finais de janeiro, princípios de fevereiro, se tinha conhecimento da onda que se aproximava? 

Informação
Vejo nos telejornais notícias vindas do estrangeiro. São duras, por vezes até dou por mim a pensar se não deveriam ser filtradas, mas logo afasto esse pensamento. Sem sensacionalismo, as notícias, mesmo as muito más, devem ser divulgadas. É que,  mesmo com estas últimas, ainda há pessoas que parecem não perceber o que está em causa, que o deixar andar, o “é só esta vez agora não se aplica, porque os efeitos são catastróficos. A vida que tínhamos, neste momento, está ou deve estar suspensa.
É verdade que o que aconteceu na Povoa e em Vila do Conde neste último fim de semana é, no mínimo, revoltante. Mas há esperança, a grande maioria dos portugueses tem evitado sair desnecessariamente de casa. Deixou de ver fisicamente pais, avós, filhos, e com isso todos sofrem, todos sofremos. É um sofrimento comunitário por uma causa superior na tentativa de minimizar outro que corre o rico de ser maior.

Pequenas grandes coisas
A não participação física na eucaristia é algo que pessoalmente me pesa. Felizmente, a Igreja, graças a muitos párocos, consegui rapidamente e de forma fantástica aproveitar as novas tecnologias. Algo que deveria manter, mesmo quando ultrapassarmos esta pandemia, como forma de se aproximar da comunidade, dos doentes e dos que, por força maior, estão ausentes.
Outra situação é a compra de jornais. Sim, hoje as notícias encontram-se num clique, mas confesso que gosto de comprar em suporte papel, pelo menos dois títulos, o semanário Alto Minho e a revista Sábado. É por isso que deixo um agradecimento aos seus jornalistas e colaboradores e a quem nos faz chegar as nossas encomendas informativas, no meu caso a Catarina da KT. Store que se adaptou, como tantos comerciantes, entregando os jornais e revistas aos seus clientes da zona urbana de Ponte de Lima.