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terça-feira, agosto 08, 2023

Alto Minho, artigo de 26-07-2023

 Democracia

A democracia, como a conhecemos, assenta em alguns pilares. Entre eles, encontra-se a informação dos cidadãos e os partidos políticos. 

Vivemos tempos em que os cidadãos acedem a um sem fim de informação, mas que, infelizmente, quer pela quantidade quer pela incapacidade de a filtrar, se torna cada vez mais difícil destrinçar o que é informação do que é desinformação. Quanto aos partidos, com muitos dos seus agentes a ajudar os populistas e demagogos, promovendo o extremismo de posições, a imagem que nutrem na opinião publica é tão negativa que é cada vez mais difícil conseguirem passar a sua mensagem. 

Com esta situação, com o alheamento cada vez maior dos cidadãos, que já nem o mínimo da participação cívica, que é o voto, parecem estar dispostos a “dar”, torna-se cada vez mais difícil manter a democracia viva. 


Bom exemplo


A Junta de Freguesia de Seara vai comemorar, pela décima vez, no dia 20 de Agosto, o Dia da Seara. 

Desde 2013 que a Freguesia da Seara promove uma semana cultural, uma semana onde se comemora a história, o património e os costumes da freguesia e onde o Dia da Seara está incluído. Este ano, a Junta edita uma “Monografia da Seara”, um livro que promove, nas palavras do editor, um “viagem pela História da Seara” que permitirá “conhecer as raízes da sua identidade”.

Esta dinâmica cultural, esta capacidade de promover a pertença à comunidade é exemplo para tantas outras juntas de freguesia. Algumas, bem maiores em termos de território e população que a Seara, parecem não ter o engenho, já para não falar da vontade, em promover eventos para além dos expectáveis. Não é difícil fazer diferente do “costumeiro”, basta olhar para os bons exemplos como o descrito e adapta-los às suas realidades. 


Aquele tempo do ano


Chegou, finalmente, aquele tempo do ano em que, como dizia o saudoso monsenhor José de Sousa, poderei fazer aquele trabalho que foi adiando durante o ano. Tempo para a leitura, tempo para ouvir as cigarras e o chilrear das andorinhas. 

Junto-me aos nossos compatriotas que vindos dos países que os acolhem durante todo o ano entram, agora, em tempo de férias. Caro leitor, voltaremos a encontrar-nos para a despedida do mês de Agosto. Até lá, boas férias.

domingo, julho 10, 2022

Alto Minho, artigo de 06-07-2022

 35 anos depois


No inicio do mês de Junho escrevi sobre a inusitada existência de uma decisão unânime do executivo municipal de 1986 de incluir o nome de Josias Barroso na toponímia de Ponte de Lima, com local escolhido e tudo, que, por mais que se procure, nunca viu concretizada em qualquer placa ou menção desse topónimo nas ruas de Ponte de Lima. 


O vereador do PSD, José Nuno Vieira de Araújo, questionou o presidente da Câmara, Vasco Ferraz. Ao que parece, pela resposta do senhor presidente, só faltará descerrar a placa. 


Ora, descerrar uma placa é fácil e 35 anos depois seria muito interessante e inteiramente justo fazê-lo o mais rápido possível e, como forma de fechar o ciclo, convidar o autor da proposta aprovada por unanimidade, o antigo presidente da Câmara, Francisco Abreu Lima para o fazer.


Chegou o Verão



Com as temperaturas quentes a manter-se durante a noite, sabe bem passear na ponte velha para tentar sentir a aragem que eventualmente poderá correr junto ao nosso rio Lima. 


Esta romagem para junto do rio faz-me recuar uns anos, para uma altura em que as pessoas d` Além da Ponte se juntavam nos bancos junto à igreja de Santo António para em conjunto, em amena cavaqueira, aproveitar a humidade vinda do rio que reduzia a temperatura ambiente. O Sr. Malheiro, o Sr Guerra, o Sr Pires Trigo, o meu avô Arlindo, e tantos outros que partilham as minhas memórias de infância.


Ainda há dias, nuns passos pela ponte, me lembrei deles, das suas conversas, das suas histórias e partilhas de memórias. Lembro-me de uma que vou partilhar com o leitor. Em tempos em que não existia iluminação pública como a que conhecemos agora, no final dos anos 50 do século passado, juntavam-se naquele espaço junto à igreja de Santo António, mesmo na boca da ponte medieval, para ficarem a olhar para o céu estrelado, esperando ver a luz do primeiro satélite, sim o russo Sputnik, a cruzá-lo. Uma novidade tecnológica que mudou para sempre a humanidade e que tinha na Além da Ponte uns curiosos que passavam uma parte da noite de cabeça levantada a olhar para o céu para o ver passar questionando-se o que mudaria com aquela luz.

domingo, junho 26, 2022

Alto Minho, artigo de 22-06-2022


Ir para praia de autocarro

Vivíamos o final dos anos 80, principio da década de 90, a viagem até à praia de Carreço era feita num autocarro dos anos 60, daqueles que ainda tinham uma escada na traseira, transportando essencialmente crianças e avós. 

Chegava-se cedo, mesmo muito cedo. Por ser nesta altura do ano, entre junho e julho, o princípio da manhã era quase sempre fresco e húmido, e o cheiro a maresia dominava o ar. Ao pisar a areia, sentia-se o frio da humidade pelo que era sempre melhor enterrar mais um pouco os pés. Já não se escolhiam lugares, estes eram quase como uma herança de ano para ano, o importante era manter o grupo junto, principalmente as crianças, que apenas queriam pousar a toalha para raramente lá voltarem.

As aventuras seguiam-se nas rochas, na maré vazia, enquanto que na praia convivia-se com a azafama dos apanhadores de sargaço. Essas aventuras eram, como dizem os adolescentes de hoje, épicas. Desde exploração de grutas, passando por conseguir chegar às rochas junto da zona de rebentação das ondas, tudo era feito em grupo sob o olhar atento, mas discreto, dos “avós”. Depois do banho nas revitalizantes e frias águas da praia de Carreço, que diziam rica em iodo, não poderia faltar o lanche para reconfortar e recuperar nova energia. 

Quando o sol finalmente rompia o nevoeiro e a banda sonora do farol de Montedor se calava, era, quase sempre, hora de recolher as toalhas, brinquedos, guarda-sois e os incontornáveis guarda-ventos, e voltar ao icónico autocarro que, para além de nos transportar de novo a casa, permitia um certo regresso ao passado. 


Um bom exemplo


Foi lendo com interesse várias entrevistas, a vários agentes, que este jornal foi publicando ao longo desta época de futebol. Por norma, foram entrevistas sobre os clubes, sobre a actualidade desportiva ou associativa. Houve uma que me ficou na mente e que, de quando em vez, recordo e me faz pensar no que está por detrás dos atletas, das épocas, até dos clubes, para além do óbvio do dia a dia. 

A entrevista foi ao guarda-redes que nesta época defendeu a baliza do Vianense, Daniel Marinho. O atleta foi muito terra a terra, muito aberto, falou do seu passado desportivo, da actualidade e do que pretendia para o futuro. A forma como abordou as expectativas, as desilusões e dificuldades, os sucessos e contrariedades foi desarmante. Mas, para mim, o que se destacou foi a importância que a família, nomeadamente o seu pai, tem para a sua estabilidade e crescimento enquanto atleta. Na entrevista foi perceptível como o sofrimento e regozijo, nas “bancadas”, da sua família, do seu pai, é importante para ele. Independentemente das surpresas, e ele teve tantas, sabe que estarão sempre presentes. Marcou-me perceber essa ligação por vezes tão menorizada.


Nota de rodapé


À hora que escrevo saem os primeiros resultados das legislativas em França. Nós já estamos no mesmo comboio, pelo que seria importante verificar o que acontece nas carruagens da frente. Na França, os extremos estão a esmagar paulatinamente o centro e os moderados. A política das democracias europeias entrou numa mudança que ninguém sabe onde irá parar. A verdade é que os tempos de tolerância, de discussão para encontrar concessões parecem cada vez mais perto do seu termo. Os partidos tradicionais não conseguem, ou não querem, mudar. Continuam o “negocio” como sempre, barricando-se cada vez mais nos seus bunkers. Os resultados estão à vista.