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domingo, janeiro 05, 2025

Alto Minho, artigo de 03-01-2025

Respeito e gratidão


Os alunos do curso de instalações elétricas da escola secundária de Ponte de Lima, por desafio do Município de Ponte de Lima, trouxeram um novo brilho a esta época natalícia ao produzir e instalar cerca de 200 peças de ornamentação natalícia no centro histórico da vila de Ponte de Lima. A comunidade educativa trouxe uma mensagem de paz à comunidade em geral. Nos tempos que correm, é uma mensagem forte e mais forte se torna quando é o resultado do trabalho, do esforço individual e colectivo dos alunos.

Só podemos deixar respeito e gratidão pelo seu trabalho, pelo seu esforço, pela mensagem e pela beleza que trouxeram ao espaço público limiano.

Por tudo o descrito, é totalmente lamentável que algumas dessas peças tenham sido vandalizadas. A PSP deverá investir no patrulhamento, bem visível, do centro histórico principalmente em horas noturnas.  


Prenda


No próximo domingo, o clube de futebol mais representativo de Ponte de Lima, a Associação Desportiva “Os Limianos”, cumpre o seu septuagésimo segundo aniversário. No ano passado, o presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima anunciou o inicio do processo de construção de um novo estádio municipal, preparado para outras necessidade às quais o velhinho Cruzeiro já não consegue responder ou se adaptar. 

Infelizmente, aparentemente, os tramites burocráticos têm atrasado o andamento do projecto que será muito mais que um simples campo de futebol. O local escolhido, perto da Expolima, pode tornar-se num centro desportivo, do futebol com a equitação e o atletismo, um espaço para os limianos e visitantes. Esperemos que o aniversário de domingo traga como presente a boa notícia de que os entraves burocráticos foram ultrapassados.


Poema


No passado dia 22 de Dezembro, completaram-se dois anos desde a partida de Amândio Sousa Dantas. Como fazem falta os seus artigos, os seus poemas, as conversas.

No início deste novo ano, lembrando um dos Grandes poetas limianos, deixo os versos iniciais do poema “Realidade”, publicado em 2019, no livro “O silencio das nuvens”. 

“Que a força da realidade não me desvie da nossa vigília, 

E que nunca o sonho se afaste do olhar;

Não é pedir muito ao coração do homem.”

domingo, outubro 06, 2024

Alto Minho, artigo de 03-10-2024

Mau olhado

Não sei onde ouvi a história, mas consta que, na já remota época de 2023 – 2024, quando a equipa da AD “Os Limianos”, que jogava em “casa” contra uma equipa do profundo Trás-os-Montes, contava o relógio os últimos minutos de compensação para além dos 90 minutos, marcou um golo. O desalento abateu-se nas bancadas que albergavam as centenas de pessoas vindas do nordeste de Portugal, a vitoria d`Os Limianos ditava a despromoção dos transmontanos às divisões inferiores. O silêncio que se sentia à sua saída foi quebrado por uma idosa mulher que, olhando fixamente para o verde do campo, que contrastava com o negro da sua veste, disse firmemente “campo excomungado, onde os da casa tarde ou nunca serão felizes”. 

Confesso que não sei bem se foi assim que ouvi a história, ou sequer se esta é verdadeira, mas que a equipa da AD “Os Limianos” têm tido uma dificuldade crónica em dominar e vencer um jogo em “casa”, lá isso têm. Será falta de empenho e trabalho por parte dos jogadores e equipa técnica? A direcção não proporciona condições para obter resultados? Não e não! Há trabalho, há gestão profissional num clube que efectivamente não o é. Então como se justifica? Não sei. Talvez seja sinal para que o novo estádio avance o mais rapidamente possível, deixe de ser uma promessa, um desenho num papel, e passe a ser uma realidade. 


Primavera


Eis que chega a Primavera à política local. O ano das autárquicas está aí e, tal como na Primavera começamos a ver alguns bichinhos a aparecer, também alguns políticos locais, com o aproximar das eleições, começam a frequentar alguns espaços e atividades esquecidas durante os últimos 3 ou 4 anos. Como na natureza, é o “ciclo da vida”.


Ambição


O presidente da Câmara de Paredes de Coura, Vitor Paulo Pereira, tem-nos habituado a entrevistas muito boas, dadas a este jornal. Por vezes, os bons entrevistadores fazem meia entrevista, mas este protagonista tem uma postura esclarecedora e empática nas respostas que dá. Agora que se recandidata ao cargo de presidente da estrutura distrital do Partido Socialista deu uma grande entrevista onde as autárquicas do próximo ano foram o tema central. 

O PS espera manter as Câmaras Municipais que lidera no distrito, prevendo, no entanto, uma dificuldade acrescida no concelho de Caminha. Afasta qualquer possibilidade de luta em Monção, onde o PS parece ter desaparecido, e apresenta Ponte de Lima como um território difícil e complexo. Analisando as suas declarações, Vitor Pereira pretende relançar o PS limiano, dá a entender que o candidato poderá ser um de dois, um independente, aproveitando alguém vindo do movimento Ponte de Lima Minha Terra, ou um jovem. Aparentemente, o que realmente pretende, depois de 8 anos de ausência, é voltar a ter a “marca” PS presente em Ponte de Lima. 

Mas o que sobressai da entrevista é a esperança que demonstra, e que afirma fundamentada, em conquistar o município de Arcos de Valdevez para o PS. Considera os socialistas arcoenses prontos para o embate, com trabalho feito, com resultados bastantes interessantes nas diferentes eleições. Se a estes factores se associar a mudança de ciclo, Vitor Pereira pensa que “o PS pode fazer história”. Será que o bastião social-democrata do distrito está em perigo? Ficamos na expectativa de uma entrevista a Olegario Gonçalves, que para além de presidente da distrital do PSD, aparentemente será o candidato social-democrata à sucessão de João Esteves na liderança do município de Arcos de Valdevez.  

domingo, fevereiro 11, 2024

Alto Minho, artigo de 08-02-2024

 A queda dos pilares

Desde há anos que vamos assistindo ao derrubar de alguns pilares que sustentam a nossa comunidade, a nossa democracia. Fomos assistindo e nada fomos fazendo. Persistimos nas nossas escolhas, aceleramos as nossas clivagens, perdemo-nos em discussões de assuntos ditos fracturantes, mas em nada importantes para a vida real das pessoas.

Primeiro, foi o pilar da educação. Os professores foram sendo proletarizados, desconsiderados, em consequência muitos foram abandonando a profissão. Hoje, nas escolas, faltam professores, a classe encontra-se desmotivada e poucos são os jovens que se querem dedicar à nobre missão de ensinar. Depois, o pilar da mobilidade. Uma das características dos regimes democráticos é a liberdade de movimento dos seus cidadãos. Depois da construção de milhares de quilómetros de rodovia, com a ajuda da crise energética e ambiental voltou-se a descobrir a ferrovia. Só que não. Em Portugal, ninguém tem a certeza de que realmente irá usar um bilhete de comboio acabado de comprar. A ferrovia tronou-se não sinónimo de pontualidade e previsibilidade mas de aventura, onde quem vai não sabe se volta. No final do ano passado, ruiu outro dos grandes pilares, o da saúde. Depois do interminável tempo de espera por cirurgias e da falta de médicos de família, eis que fomos confrontados com urgências e serviços, nos hospitais, encerrados por falta de médicos. Agora é o pilar da segurança a tremer. As forças de segurança têm feito, à imagem dos professores, enormes marchas de protesto, têm encontrado formas não convencionais para por em prática esse protesto. Tal como os professores, muitos destes movimentos surgem à margem dos movimentos sindicais ou associativos  tradicionais. 

A crise na habitação é uma realidade incontornável com grande repercussão nas cidades, empurrando os mais vulneráveis para a precariedade e periferia habitacional. A agricultura também saiu à rua. Seguindo os seus colegas europeus, os agricultores portugueses bloquearam algumas vias com os seus tratores. Ao contrário das outras classes profissionais, não foram necessários muitos dias para o governo manifestar a vontade de ouvir os lideres dos protestos. Os resultados para os agricultores, para além da retirada do espaço público dos seus tratores, só nos próximos tempos é que se poderá perceber se se refletem em algo verdadeiramente impactante na sua vida. O ordenado mínimo tem subido exponencialmente, mas isso não tem tido verdadeiro impacto, não significando um aumento do poder de compra. A classe média encontra-se cada vez mais próxima do ordenado mínimo, assistindo a uma redução abrupta do seu poder de compra, presa a uma asfixiante carga fiscal.   

Apesar desta situação que todos nós experimentamos no nosso quotidiano, o espaço mediático, embora tomado pelas eleições, não é aproveitado para saber quais as respostas a estes problemas. É melhor viver na artificialidade de estéreis problemas de engenharia política, de coligações, pseudo-coligações… Continuem assim a falar do nada e entretidos em bipolarizar discussões. Continuem sem olhar ao que interessa, depois, no dia 10 de Março, podem bater no peito, mas já será tarde.


Não é fácil



Nos últimos tempos, os jogos em casa do “Os Limianos" não têm sido fáceis para nós, os seus adeptos. Os jogos têm sido de luta constante até ao apito final. Mas, caro leitor, não é por falta de empenho ou por jogarem mal. É sempre um gosto ver a equipa jogar, por vezes falta é o factor que não depende dos jogadores, a sorte. 

Não posso deixar de salientar que em lugares chave estão, também, jogadores de Ponte de Lima, muitos deles da escola do clube. No jogo de domingo, o Zé Pimenta, o Vasco Costa, o Cláudio Dantas e o Zé Pedro foram, nas suas posições, fundamentais para a vitória do clube de Ponte de Lima. O “Os Limianos” é o actual 4 classificado da série A do Campeonato de Portugal e representa e bem o concelho limiano com jogadores da “terra”.        

quinta-feira, dezembro 28, 2023

Alto Minho, artigo de 21-12-2023


Maior responsabilidade

Ficamos a saber no convívio natalício da família da Associação Desportiva “Os Limianos”, realizado no passado sábado, que Ponte de Lima terá, já em 2025, um novo estádio municipal com relva natural. Mais que um estádio para albergar o maior e mais representativo clube de futebol do concelho será uma infraestrutura ao serviço do concelho.

Já anteriormente tinha escrito que seria necessário que, das duas uma, ou o projeto do novo estádio se tornava uma realidade ou, enquanto se esperava, o município deveria tomar alguma diligência para dar condições a quem usa o Campo do Triunfo (local escolhido para edificação da nova infraestrutura).

A decisão foi tomada, o projecto será apresentado no inicio do ano e prevê-se que este novo complexo desportivo seja o inicio de um novo rumo na política desportiva do município.

Será certamente uma espécie de âncora para novos e ambiciosos projectos quer na área do desporto quer na promoção e atractividade do concelho.


Sigam o exemplo


Li na edição online deste jornal que a Assembleia Municipal de Ponte de Lima aprovou, por unanimidade, a proposta feita pela Mesa da Assembleia de um voto de preocupação com a situação que se vive na área da saúde e que tem afectado os serviços de urgência da Unidade local de Saúde do Alto Minho (ULSAM).

Finalmente, há uma posição pública sobre este assunto por parte da Assembleia Municipal de Ponte de Lima. Que sirva de exemplo para os outros órgãos autárquicos do distrito. A união de todos num assunto que tanto impacto tem na vida das pessoas torna-se cada vez mais importante por forma a forçar respostas e resoluções. 


Diferente das outras


É cada vez mais difícil encontrar quem esteja disponível para colocar o seu tempo, gratuitamente, ao serviço de uma associação, grupo local ou mesmo de uma comissão de festas. Primeiro é preciso ter força de vontade, depois coragem e depois resiliência. Normalmente qualidades que se colocam em acção perante as dificuldades que vão aparecendo no caminho. 

Neste fim de semana, todos nós celebraremos o Natal. Será, também, nessa altura que numa pequena freguesia de Ponte de Lima, Santa Comba, as pessoas se irão juntar em comunidade para celebrar as festas em honra do Menino Jesus, Santa Comba e São Silvestre. 

Sendo a última festa popular do ano é, também, a primeira festa do ano, pois começa no dia 24 de Dezembro e termina no dia 1 de Janeiro. Sendo que este tipo de festa é, normalmente, associado ao Verão, é de enaltecer esta capacidade das gentes de Santa Comba preservarem a tradição e saírem para a rua para festejar, independentemente das condições atmosféricas que nesta altura não costumam ser convidativas ao encontro fora de portas.


Para todos


Agradeço a todos os que durante este ano tiveram a amabilidade de acharem digna a dádiva do seu tempo na leitura deste espaço. A todos desejo um Santo Natal!

domingo, junho 18, 2023

Alto Minho, artigo de 07-06-2023

 A Garça voou 



No inicio deste século, a explosão dos blogues não deixou a nossa terra de lado. Fiz parte dessa vaga que trouxe uma nova forma de fazer opinião. Nesse “mundo” opinativo, virtual, foi acompanhado essencialmente por dois outros bloggers, o primeiro de todos, o jocabrago, João Carlos Gonçalves, e o trigalfa, Manuel Pires Trigo. Os nossos blogues estiveram no top dos sites sobre Ponte de Lima, durante a primeira década de 2000, com dezenas de leitores diários. Uns já por lá andavam, mas, com os blogues, todos nós acabamos por fazer a transição para os jornais, como aqui, no semanário Alto Minho, trazendo uma nova forma de escrita opinativa, mais breve e mais direta. 

O Manuel Pires Trigo teve uma coluna neste jornal com o título “O estado da Garça”, onde escrevia sobre vários assuntos políticos e sociais da nossa terra, da nossa região. Nas lides opinativas, a certa altura, tive com ele uma picardia que alguns apelidaram de “violenta”. Amigo de infância de meu pai, meu vizinho, conhecia bem, por exemplo, as suas épicas histórias nas Feiras Novas onde o seu porte fisico se imponha à arrogância de alguns que ainda pensavam viver tempos de servidão. Nunca, apesar das tais “violentas” picardias de parte a parte, senti animosidade ou ressentimento dele para comigo. Mesmo nessa altura, quando nos encontrávamos, por exemplo, em cima da ponte, falávamos do rio, do problema com a qualidade das suas águas, ou de outro tema ou assunto de política local ou nacional. 

Para além dos blogues e jornais, o Trigo, como era conhecido, deixou marca na sua intervenção cívica. Enquanto membro da Assembleia Municipal de Ponte de Lima, eleito pelo Partido Socialista, deixou vasta intervenção, pensada, frontal e escrita. Esta forma de encarar o mandato que se exerce nem sempre é fácil, principalmente num orgão onde alguns medíocres passam décadas sem fazerem uma intervenção de fundo, mas estão sempre prontos a manifestarem o seu enfadado, quando algum dos membros se dá ao trabalho de estudar e pensar algum assunto de interesse local para construir uma intervenção. 

Profissionalmente, foi referência, nas décadas de 80 e 90, na informatização da Segurança Social, ainda recordado por muitos.     

Infelizmente, Manuel Pires Trigo deixou-nos na passada semana. A escrita opinativa limiana não mais vai ter a perspicácia ou a bicada da Garça. 


Confirmou-se


O futebol alto-minhoto está de parabéns. O Vianense confirmou a sua presença na Liga III e “Os Limianos” no Campeonato Nacional. Estas são as equipas do distrito com as estruturas mais bem preparadas para voos mais altos no desporto rei. O que se espera é que a actual visibilidade destes campeonatos, outrora vistos como marginais, tragam mais valias, não só desportivas, à nossa região.

domingo, maio 28, 2023

Alto Minho, artigo de 24-05-2023

 


Domingo de bola

No passado fim de semana, ninguém conseguiu fugir do futebol. Não, não falo dos jogos que foram transmitidos nas televisões. Primeiro, no sábado, o Vianense com a vitória sobre o Salgueiros mantém a luta acesa pela subida à III Liga. No domingo, todos os olhos se viraram para o derby limiano entre “Os Limianos” e o Fachense e para o jogo entre o Atletico dos Arcos e o Lanheses. Nestes jogos poder-se-ia decidir o campeonato distrital da 1ª divisão e a consequente subida ao Campeonato Nacional. Não desiludiu, o Atletico, que seguia de perto “Os Limianos”, foi derrotado no campo do Lanheses, já a equipa limiana venceu o jogo com o Fachense, garantindo o titulo distrital e a subida para o escalão nacional, de onde tinha descido na última época.


Estabilidade


A verdade é que o resultado do clube de Ponte de Lima é fruto de muito trabalho e da estabilidade directiva que alcançou há seis anos. Na passada semana, Jaime Matos e a sua equipa diretiva, foi reconduzido pelos sócios na liderança dos destinos d`”Os Limianos”. No final do mandato, será o presidente e a direcção com mais anos no desempenho de funções no clube. A estabilidade diretiva, a estabilidade de um projecto que pretende alavancar o clube para outro patamar tem dado frutos. Na formação, as equipas estão ou lutam pelos nacionais, nos mais pequenos o foco é a aprendizagem, a camaradagem que valem muito mais que o ganhar pelo ganhar. Com as contas controladas, a gestão é feita com passos seguros, sem euforias. 

Com a estrutura que se tem vindo a construir, se a isso se associar a renovação ou a criação de um novo espaço, mais abrangente, de jogo, o concelho limiano terá condições para conseguir ter uma estável representação no futebol nacional. Poderá, inclusive, posteriormente, almejar patamares ainda mais elevados.  


Árvores


Bem sei que, principalmente nos tempo que vivemos, não se cortam arvores. Mas, nesta altura do ano, o centro histórico de Ponte de Lima é invadido por uns flocos no género de algodão que muito, mas mesmo muito, prejudicam a qualidade de vida de vários cidadãos que vivem com problemas de alergologia. 

As alergias são uma doença que cada vez mais pessoas sofrem e é por isso que as plantações de árvores nos espaços públicos devem ser bem planeadas e a pensar em todos os que usufruem dos espaços. A situação descrita no primeiro parágrafo agudizou-se com o crescimento das arvores colocadas paralelamente à avenida de S. João. É verdade que elas são produtoras de frondosa sombra, mas a péssima qualidade de vida que provocam deve levar os nossos responsáveis pelo espaço público a questionar a pertinência da sua paulatina substituição. 

Bem sei que a decisão não é fácil, mas o que não se pode fazer é olhar para o lado como se nada se passasse e condenar os nossos concidadãos a terríveis momentos de muito má qualidade de vida. 

domingo, março 19, 2023

Alto Minho, artigo de 15-03-2023

 Igualdade

Na passada semana, celebramos o Dia Internacional da Mulher. Nesse dia lembra-se a luta pelos direitos e pela igualdade da mulher, realçando exemplos de mulheres que no dia a dia não viraram a cara a essa demanda. 

Faça um exercício de memória, caro leitor, lembra-se, assim de repente, de uma rua na sua terra com um nome feminino? Complicado? É verdade que sim. Talvez se contem pelos dedos de uma mão as ruas que homenageiam mulheres. Será porque estas não se notabilizaram, não estiveram presentes na vida das nossas comunidades? Não, não foi! 

A verdade é que todos conhecemos mulheres que se destacaram na cultura, nos negócios, na política, no ensino. Normalmente, agiam de forma discreta, sem aparatos, sem lugares formais. Felizmente, já não é assim, são cada vez mais as mulheres que se vão destacando. 

É, no entanto, tempo de resgatar do esquecimento os exemplos do passado. Mulheres como Fernanda Martins, fundadora do PSD em Ponte de Lima, uma das “mães” da democracia no concelho, sendo uma das primeiras eleitas à Assembleia Municipal e que, discretamente, mas determinadamente, ajudou muitos, permitindo-lhes, com o seu auxílio, atingir objectivos académicos e sociais que, de outra forma, lhes estariam barrados. Ou Clara Penha uma das “mães” da referencia gastronómica de Ponte de Lima, o sarrabulho, que todos os anos traz ao concelho limiano milhares de pessoas de todo o mundo.  


Surpresa


No passado sábado, participei no périplo temporal pela igreja matriz de Ponte de Lima. Por lá foram desmontadas várias certezas, daquelas formatadas pelo imaginário coletivo. Longe vai o tempo da “recuperação” da igreja, nos anos 50 e 60 do século XX, permanecendo, no entanto, no imaginário coletivo a ideia de uma obra que havia devolvido o original medieval à igreja. A verdade é que o que resultou dessa intervenção foi a destruição de uma rica evolução da igreja ao longo dos tempos. O que temos agora é uma igreja descaraterizada e despida da riqueza e da beleza que acumulava de várias épocas. Sim, porque de medieval só mesmo o frontispício da entrada principal. 

Já passaram muitos anos, o que se fez já não se reverte. No fundo, será também uma marca do seu tempo. Há, no entanto, a possibilidade da comunidade actual dar o seu contributo, tendo a coragem de alterar o que ainda se pode alterar. 




Dia de jogo


Tive o privilégio de assistir ao Jogo entre a AD “Os” Limianos e o Atlético dos Arcos, no estádio do Cruzeiro. Nesse desafio, discutia-se o primeiro lugar do campeonato. Com o estádio cheio por visitantes e apoiantes da casa, as equipas deram um espectáculo de futebol como nem sempre acontece nestas categorias. Nas bancadas, o respeito e a festa do futebol foi a tónica. 

É evidente a vontade da equipa d`Os Limianos em voltar ao Campeonato de Portugal. Aliás, nota-se que a própria estrutura do clube já está montada para esse regresso, esforçando-se para que este seja permanente. 

O futebol alto-minhoto poderá estar perto de um salto de qualidade. O Vianense pensa na Liga 3 e na permanência nessa liga, “Os” Limianos pensam no Campeonato de Portugal, onde pretende militar durante umas épocas antes de pensar noutros voos. Os passos têm de ser dados com segurança e ponderação, pela primeira vez desde há muitos anos, os clubes parecem estar prontos para eles. Haverá coragem política para fazer o que tem que ser feito? 

domingo, janeiro 22, 2023

Alto Minho, artigo de 18-01-2023


 Orgulho

Foi o que senti ao ver milhares de professores, técnicos de educação e auxiliares na rua, manifestando-se e lutando por uma educação pública diferente, com investimento nos agentes educativos e nos alunos. Orgulho por ter visto por lá muitas caras minhas conhecidas, professores de escolas da nossa região, sem vínculos a velhas máximas sindicais ou a interesses partidários obscuros. 

Vi meus antigos professores, que já não via desde os anos 90, a lutarem por “respeito”. Depois de anos e anos na docência, sentem-se desrespeitados, fartos de andar com a casa às costas, fartos de estar separados da família, fartos de ver o seu mérito e empenho ser barrado por regras cegas de falsas avaliações de desempenho que reduzem o seu vencimento e futura pensão. Foi arrepiante ver transeuntes, apesar do esforço do ministro da educação para colocar a população contra os professores e restantes agentes educativos, com cartazes improvisados a manifestar o seu apoio às cerca de 100 mil pessoas que se manifestaram nas ruas de Lisboa. 

A manifestação do passado sábado só teve paralelo com a de 2008. Há, no entanto, uma diferença importante, ao contrário dessa, a deste ano, não teve autocarros fretados pelos sindicatos nem teve a convocatória de uma frente comum de sindicatos. Foi um pequeno e novo sindicato, o STOP, a convocar, e contou com a adesão massiva dos agentes educativos que se juntaram, cotizaram e se organizaram, um pouco por todo o país, para estarem presentes e darem a cara por uma luta que sentem que faz falta e que, acima de tudo, faz sentido.


Decisões


No início do mês, a Associação Desportiva “Os Limianos” fez 70 anos. Na passada semana, neste jornal, tivemos a possibilidade de ler uma reportagem sobre a celebração que marcou o dia do aniversário. Jaime Matos, o timoneiro de uma equipa que tem conseguido criar uma estrutura moderna, capaz de atender às necessidades de um grande clube representativo de um concelho, falou sobre as dificuldades desse trabalho e dos desafios que urge abraçar com ambição, para dar continuidade ao caminho que tem sido trilhado. O presidente da Câmara de Ponte de Lima, Vasco Ferraz, fez chegar, nas páginas do Alto Minho, palavras bastante ambiciosas, reconhecendo a “Os Limianos” a capacidade para subir dois patamares no futebol nacional. 

É um desafio grande, mas nada como ter visão ampla e ambiciosa para o caminho que se poderá trilhar. No entanto, para trilhar esse caminho, é preciso tomar algumas decisões que, embora envolvendo o futuro do clube de Ponte de Lima, deverão ir para além deste. São resoluções que devem influenciar o futuro social e urbano da sede e do próprio concelho 

Vasco Ferraz, antes de exercer o cargo de presidente da Câmara, foi vereador com o pelouro do desporto, pelo que estou certo de que já se apercebeu da necessidade de criar um espaço desportivo (chamem-lhe um parque desportivo) no concelho, com espaços quer para o futebol quer para outras modalidades como, por exemplo, o atletismo. O espaço parece ter sido encontrado entre o campo do Triunfo e a Expolima, entre a freguesia da Ribeira e a freguesia da vila de Ponte de Lima. O presidente anunciou como primeira “obra” o tão necessário melhoramento dos balneários e sanitários do campo do Triunfo. Há, no entanto, uma decisão que deve ser tomada o mais rápido possível, o estádio Municipal do Cruzeiro continua no espaço actual ou será deslocado para o tal “parque desportivo”? Só com essa decisão tomada é que se saberá que tipo de caminho se pode trilhar no clube mais representativo de Ponte de Lima. 

domingo, junho 12, 2022

Alto Minho, artigo de 08-06-2022



Uma janela para o mundo

Durante o último fim de semana, o centro urbano limiano e arredores foi absorto por música. O som, meio metálico, ondulante conforme o vento, parecia estar sempre presente. Mas de onde “vinha” a música? A sua origem estava no monte de Santo Ovídio, na vila de Arcozelo, onde se festejava precisamente a festa do mesmo Santo.

Santo Ovídio é, desde imemoráveis tempos, um ponto estratégico, porém não apenas para propagar o som dos alto-falantes de uma romaria, tem também uma perspectiva única e imperdível do vale do Lima.

Em meados dos anos 80 do século passado, foi o sitio estratégico para a Câmara Municipal instalar um complexo que funcionava como um género de “televisão por cabo” porém sem cabo. Foram colocadas umas antenas que captavam o sinal de satélite de canais estrangeiros, do desporto à música, passando por vários canais generalistas que, com a aquisição de uma antena especifica, podiam ser visualizados pelos lares limianos. Na altura só existiam 2 canais e nessa altura até esses eram mal recepcionados na nossa região. 

Mas os tempos eram outros, a “fome” pela comunicação era muita, as rádios piratas floresciam e traziam outra forma de ouvir rádio. A decisão da Câmara Municipal permitiu-nos a  possibilidade de ver canais ingleses, americanos, alemães, espanhóis. Foi completamente revolucionário. Nos telhados, para desagrado dos mais puristas dos centros históricos imaculados, começaram a  florescer as antenas especificas, umas retangulares, para captar o sinal emitido de Santo Ovídio. 

Hoje, numa época em que “tudo” está na palma da mão, num telemóvel, é difícil perceber o que significou na altura ter a capacidade de assistir, sem hiatos de anos, ao que se passava no mundo da música, ou ter a possibilidade de ver eventos desportivos com modalidades nunca antes vistas na televisão portuguesa (BMX, skate, surf, desportos de inverno…) ou um canal de notícias. 

A decisão municipal, com vários momentos em várias reuniões, teve um impacto social enorme. Mais tarde, já no inicio da década de 90, talvez por questões legais, o complexo foi descontinuado. Mas a marca ficou. E por uma simples decisão uma geração cresceu com uma janela aberta para o mundo. 


Por falar em mundo


Também no passado fim de semana se realizou o Torneio Internacional da Vila de Ponte de Lima. Um evento que trouxe ao Campo do Cruzeiro centenas de adolescentes que em dois dias se divertiram a fazer algo de que gostam, jogar futebol. Mais que resultados o que fica é a troca de experiências e vivências. Por Ponte de Lima, durante o fim de semana, puderam ver-se atletas e equipas técnicas, pais de alguns atletas, pelas ruas, pelos restaurantes e unidades hoteleiras.

São eventos deste género, bem organizados, grandes, mas com os pés assentes na terra, que trazem projecção e retorno ao concelho.   

   

domingo, maio 01, 2022

Alto Minho, artigo de 27-04-2022

 Liberdade


O 25 de Abril foi feito por pessoas que, por uma causa comum, colocaram o seu futuro em perigo. A liberdade que dessa atitude adveio para todos nós foi construída por esses e por todos os que, ano após ano, não preferiram o conforto do seu sofá, mas que, em alguma altura, colocaram o seu conforto de lado em prol da comunidade. Não só com o voto, mas com a participação, não só no querer ser, mas no estar, ao longo destes 48 anos foram milhares os que participaram na construção da nossa sociedade democrática. Não se pense, porém, que esta é garantida. Os últimos meses demonstram como tudo é tão frágil. Cabe a cada um de nós fazer o seu papel de participar, de escolher de forma informada, de não se deixar enredar pela teia populista que tenta crescer à esquerda e à direita do espectro político.


O “nosso” clube


Na década de 80 frequentava o campo da AD “Os” Limianos pelas mãos do meu pai e do meu avô Manuel. Foi uma época de muitas bombocas e capri-sun. Cerca de quarenta anos depois, voltei ao Cruzeiro levando o meu pai e o meu filho a ver jogos de “Os” Limianos. 

Em muitos locais existem clubes que agregam e representam um concelho, uma comunidade. Nem é preciso ir para as principais ligas. Veja-se o Atlético dos Arcos que representa o concelho de Arcos de Valdevez, ou o Desportivo de Monção, representante do concelho de Monção, o Valenciano, do concelho de Valença, o Vianense, de Viana do Castelo, etc. Também este é o caso de “Os” Limianos que representam o concelho de Ponte de Lima. É por isso que não percebo como alguns limianos se referem ao clube do nosso concelho como sendo o alvo a abater ou fiquem contentes com a possibilidade de este regressar ao Distrital. 

Em Ponte de Lima, deveria ser unanime, não significando isso a memorização dos outros clubes, a luta para que “Os” Limianos fosse o “grande” representante do nosso concelho no futebol. Todos teriam a ganhar com um “Os” Limianos forte e representativo.

A direcção liderada por Jaime Matos, com altos e baixos, tem conseguido trazer ao clube de Ponte de Lima exigência. Sem entrar em loucuras, que tanto se vêem no mundo do futebol, tem levado a cabo um projecto com os pés assentes na terra, tem um programa de formação que vai muito além do habitual “querer a vitória”, conseguindo reerguer o sentimento de pertença nos adeptos e atletas da formação. 

Independentemente do que vier, o “Os” Limianos será sempre o clube representativo de Ponte de Lima.





domingo, junho 20, 2021

Alto Minho, artigo de 16-06-2021


Eis que chega o Verão

Quem não tem saudades do Verão que durava os três meses de férias da escola? Sempre que o Verão se aproxima, lembro-me do velho grupo da adolescência dessas férias. O André, o Bruno e o Ricardo, o Rui, o Anibal, o Carlos, o Samuel, os irmãos Santos, e outros que, de forma “sagrada”, ocupavam o Verão ora com mergulhos no Lima, ora com construções de cabanas nas suas margens, épicas corridas de BMX, filmes dignos da MTV e tantas outras aventuras. 

Hoje, os adolescentes limianos ocupam as suas, mais curtas, férias de Verão com outras actividades. Têm um grande manancial de escolha, são várias as actividades de ocupação de tempos livres preparadas por clubes e associações. É certo que daqui resulta o descanso dos pais, mas, por outro lado, se por lá passarem todo o tempo das suas férias, será que os adolescentes constroem memórias que perduram uma vida?


Encontrar o ponto de equilíbrio entre optimismo e a realidade


Susana Torres, cabeça de lista pelo VIRAMILHO à Assembleia Municipal limiana, deu a sua primeira grande entrevista enquanto candidata. Tem razão quando fala da necessidade de olhar para a Assembleia como um espaço onde os eleitos deveriam fazer o esforço de olharem uns para os outros com espirito colaborativo, como uma equipa. Infelizmente, não tem sido assim e a culpa nem é de quem a dirige. Quando uma grande maioria dos eleitos é capaz de passar os 4 anos do mandato sem fazer uma intervenção, mas passa as reuniões a fazer apartes sobre os eleitos que fazem intervenções, ou os representantes das Juntas preferem não fazer “ondas”, porque sabem que podem ser prejudicados na hora de fazer alguma coisa na sua freguesia…

Pode ser que a inovação e mudança, que diz serem as características do projecto VIRAMILHO que a fizeram aceitar a candidatura, signifiquem que Gaspar Martins, eleito presidente da Câmara, inovará e mudará a acção pela qual ficou conhecido enquanto vice-presidente da Câmara.  


Afinal…


O M51, para surpresa de muitos, tornou público que apresentará candidaturas próprias à Câmara Municipal e Assembleia Municipal. Esfumando-se a tentativa de convergência com o PSD, o M51 inova com a candidatura de uma mulher, a estreante Joana Alves, à presidência da Câmara Municipal. Cabe ao veterano Alípio Barbosa lutar por manter um grupo do M51 na Assembleia Municipal. 


Nota


Em jeito de nota final, deixo os parabéns à AD “Os Limianos” pelo regresso aos nacionais. Parabéns ao Jaime Matos e toda a sua equipa, reeleitos na passada semana, pelo trabalho que têm feito no clube de Ponte de Lima que, certamente, terá muitos e bons frutos. 

domingo, março 21, 2021

Alto Minho, artigo de 17-03-2021

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 Influências


Campo d`Agonia, Viana do Castelo. Saio do estacionamento rumo ao local de trabalho e reparo que todos os postes de eletricidade se encontram adornados com bandeiras vermelhas. Com o ondular do vento vindo da praia Norte, vê-se o amarelo de uma foice e um martelo. Pelas polémicas estéreis das redes sociais sabe-se que foi uma forma do PCP comemorar os seus 100 anos um pouco por todo o país. 

Confesso que me levaram longe, não em distância, até porque tudo se passou naquele mesmo lugar. Quase 40 anos passaram para lá dos dias em que os alunos da irmã Bernardete olhavam pela janela com vontade de serem a gaivota que teimava em lá pousar. Pousava, mas, sempre que queria, voava em direcção ao mesmo rio que horas antes cruzara a velha ponte limiana. A janela tinha como paisagem os telhados dos velhos casarios da ribeira. Lá ao fundo, dominando o horizonte, erguiam-se as grandes chaminés dos navios que aportavam em Viana do Castelo. Muitas delas, quais postes de eletricidade, n`Agonia de hoje tinham como decoração a foice e o martelo. A mesma iconografia que eu e os meus colegas imortalizávamos a lápis de cera nos desenhos que fazíamos dos barcos.


Amplitude 


Ao remexer numas gavetas, encontrei o cartão de sócio d´Os Limianos do meu avô Manuel. Lembro-me de ser bem pequeno e ir com ele e com o meu pai ao Campo do Cruzeiro. Campo pelado, bancadas em cimento, sem bancos. Eu e o meu pai levávamos umas pequenas almofadas feitas com os restos do tecido dos sofás lá de casa. Dos jogos pouco me lembro, mas não me saem da memória as “bombocas” e o “capri sun”. Nunca mais encontrei iguais. 

Nunca quis jogar futebol em nenhum clube, nem sequer tive vontade de tentar, os meus gostos desportivos eram outros, mas tenho carinho por alguns clubes de algumas freguesias de Ponte de Lima. O Arcozelo FC, por ser o clube da minha freguesia. No seu campo presenciei os melhores jogos de solteiros contra casados, e de residentes contra emigrantes. O Sr. João fazia umas bifanas que nem na taça de Portugal se encontram iguais. O Águias de Souto, devido a um colega que na Secundária de Ponte de Lima passou os anos a falar deste clube como se jogasse, na então, 1ª divisão. O Grupo Desportivo de Moreira do Lima onde assisti de perto à resiliência dos seus dirigentes face as constantes dificuldades que enfrentavam. Finalmente, o ADC Correlhã pelo bairrismo que lhe está associado e que, quando vivido de forma salutar, tem resultados épicos. 

O concelho de Ponte de Lima tem sorte nos seus clubes. Mas entre estes, sem desprimor para os outros, há clubes que, por vários factores, representam o concelho no seu todo. À cabeça destes, o mais antigo, AD “Os Limianos”, do qual sou adepto e sócio como o meu avô foi, a Escola Desportiva Limiana, que, depois de anos como referência no basquetebol, é, agora, referência na natação de competição, e, finalmente, o Clube Náutico de Ponte de Lima que dispensa adjectivos. Sei o polémico que é defender o que acabei de escrever. Respeito os que pensam de maneira diferente, mas estes clubes, pela dimensão, pela designação que remete para o concelho, pela representatividade eclética dos seus atletas de formação, transmitem pertença e abrangência concelhia.


Coligações


Os boatos sobre as autárquicas ganham forma. As distritais do PSD e do CDS assumiram as negociações para uma possível coligação em Ponte de Lima. Das concelhias, o silêncio. Será estranho? Não, não é.

Em Ponte de Lima, a única coligação entre o PSD e o CDS remonta ao tempo da Aliança Democrática, uma decisão imposta a todo o país pelos órgãos nacionais dos dois partidos. É verdade que o PSD sustentou alguns executivos e desempenhou papeis relevantes na gestão do concelho durante os anos 80 e princípios dos 90. No entanto, esses papeis foram desempenhados em acordos pós-eleitorais, acertando objectivos e não nomes. 

Hoje não há imposição a nível nacional, não existem pontes convergentes construídas nos últimos anos. Os membros da maioria CDS sempre trataram o PSD e as suas propostas, quando este tinha propostas, com sobranceria. Existirá mesmo motivação entre os militantes dos dois partidos para esta possível coligação? Certamente, em breve, voltaremos a este assunto.

terça-feira, janeiro 15, 2013

Artigo no Novo Panorama



 
Artigo publicado no Novo Panorama em 10-01-2013
 
Primeiro sábado do ano

O ano começou em festa aqui por Ponte de Lima. Desde o jogo que se realizou no início da tarde de sábado, dia 5 de Janeiro, passando pela apresentação do “obrigatório” e imperdível livro, de João Carlos Gonçalves, “Os Limianos” e a história do futebol em Ponte de Lima, acabando com o jantar dançante, com mais de 1000 pessoas, a comemoração dos 60 anos da Associação Desportiva “Os limianos” foi um verdadeiro hino ao clube do concelho, (sim, do concelho!).
Na emotiva apresentação do livro anteriormente mencionado, realizada por Franclim Sousa, vereador da cultura e desporto do município de Ponte de Lima, foi dito que, e cito de memória, “quase todas as famílias têm, no seu seio, alguém que passou pelo “Os Limianos””. É bem verdade, e é por isso que “Os Limianos” é um clube diferente, é um clube com uma história construída por pessoas de todo o concelho. É um clube agregador, como escrevi anteriormente, é o clube do concelho.  

Casas com história

Já algures escrevi que gosto de casas antigas. Todas elas têm uma história feita de várias histórias. Essas histórias foram as vidas que por lá passaram, são as vidas que por lá passam, que fazem com que essas casas ganhem um encanto especial.
É de apertar o coração verificar a quantidade de casas que em Ponte de Lima estão ao abandono, devolutas, moribundas. Estas situações são ainda mais custosas quando há memória da “vida” que por lá existiu.
A Câmara Municipal de Ponte de Lima tem vindo a adquirir, na zona urbana, alguns imóveis nessa situação. Mas esta é uma solução provisória, por norma a recuperação é interessante, as casas renascem com outra vida, com outra utilidade, mas a verdade é que o município não poderá adquirir todas as casas devolutas da zona urbana. É necessário envolver os privados, para, de alguma forma, multiplicar o exemplo vindo do município. São tempos de desafio, mas a vontade de voltar ao centro urbano existe, é já uma realidade em urbes maiores. Por cá, ainda que paulatinamente assiste-se a um pequeno movimento de retorno ao centro histórico.
Recentemente foi aprovado pela Câmara Municipal, “retificado” pela Assembleia Municipal, um incentivo ao arrendamento jovem no centro histórico, o “Centro Com Vida". É um bom passo no sentido certo, esperam-se outros para que juntos formem uma caminhada de retorno de “vida” às velhas casas que formam o nosso centro histórico. 

Boas notícias

Soubemos na passada semana que a Direcção-Geral do Património Cultural, após um parecer da secção do Património Arquitectónico e Arqueológico do Conselho Nacional de Cultura, irá propor à Secretaria de Estado da Cultura a classificação de alguns imóveis na ribeira Lima. Um deles será a Igreja Matriz de Ponte de Lima que deverá, finalmente, passar a ser classificada como monumento de interesse público.