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domingo, outubro 05, 2025

Alto Minho, artigo de 02-10-2025

É estranho

Todos os partidos e movimentos se esforçam para dar a conhecer os seus candidatos, as suas propostas, as suas ideias. Todos… menos o PS limiano. 

A actual liderança foi presenteada com uma casa completamente armadilhada. A anterior optou por deixar de apoiar o movimento Ponte de Lima Minha Terra, mas nada fez para preparar as candidaturas socialistas. O PS limiano foi destruído por ambições e falta de um projecto para o concelho. Sem projecto, sem estrutura, sem pessoas, os candidatos socialistas que se apresentam a estas eleições, no fundo, sacrificam-se para que o partido tenha uma representação no boletim de voto. A distrital socialista, no mínimo, deveria ajudar na promoção da candidatura, não só com o apoio financeiro, mas também logístico. Será o mínimo para quem teve a coragem de “agarrar” o partido no estado comatoso em que se encontra, a não ser que o PS já se tenha conformado com o seu desaparecimento em Ponte de Lima.


Será?


Nas páginas do Alto Minho, no início dos anos 2000, escrevi várias vezes sobre a biblioteca municipal de Ponte de Lima. Apontei a necessidade de um novo edifício na zona das escolas. Com a decisão de deslocalização da EB1, defendi a edificação, nesse local, de um edifício que projectasse e alargasse o âmbito da biblioteca municipal por forma a que este serviço se  transformasse num centro de informação. O então responsável pela cultura, Franclim Sousa, depois de um tempo em que defendeu outro caminho, foi ao encontro dessa ideia e, em 2008, deu nota da possibilidade da construção de um novo edifício aproveitando aquele espaço. Nesse mesmo ano, o Orçamento e Plano Municipal contemplou a elaboração do projecto e construção “da nova Biblioteca Municipal, que será um espaço com acentuada polivalência na prestação e disponibilização de serviços com a designação de Centro de informação e do Conhecimento”. Infelizmente, o vereador deixou a equipa nas eleições de 2009, o projecto ficou na “gaveta”. Várias vezes abordei o assunto nas reuniões da Assembleia Municipal, não consegui, no entanto, sensibilizar os responsáveis municipais. 

Já havia alguns rumores, mas agora foi tornado público que há realmente a intenção de avançar com um projecto ainda mais abrangente que o inicial. Vasco Ferraz pretende edificar no espaço da antiga EB1 a Casa do Conhecimento. Um Centro de Informação Local que junta a Biblioteca e o Arquivo municipais, bem como outras valências culturais do município. É uma decisão arrojada que promove a cultura de todo o concelho. Já agora, na nova edificação, salvaguardem o mural de cerâmica que os últimos alunos da EB1 deixaram para a posteridade. 


Talvez um pouco de nostalgia


Com as redes sociais invadidas pelas publicações das candidaturas, as recordações avolumam-se. Lembro-me do longínquo ano de 2009, quando, de forma pioneira na região, se fizeram vídeos de campanha para o Youtube, ou de como, em 2013, se promoveu um debate, nas redes sociais, entre os seguidores da página e o, então, candidato a presidente da Câmara, ou, ainda, como em 2017 já se produziam vídeos, curtos, para as redes sociais sobre vários temas e propostas, provocando a discussão de temas que estavam arredados da discussão política.

Não estou com saudades da política activa, partidária ou eletiva, afastei-me por minha opção, mas continuo a pensar que a participação política é um dever, a opinião, um direito, a participação na vida política em órgãos eleitos ou partidos, uma opção. Tudo tem um tempo.


domingo, outubro 13, 2024

Alto Minho, artigo de 10-10-2024

Bibliotecas

Quando abordamos este assuntos, muitos perdem logo a vontade de ler. Mas a verdade é que houve um esforço enorme do Estado e das autarquias para disponibilizar um espaço, aberto a todos, onde se aceda à informação de forma “gratuita” e generalizada. Informação que pode estar sob o suporte papel, audiovisual, digital, etc.

Apesar do investimento público, infelizmente, muitos desconhecem este serviço. Caro leitor, quantas vezes já foi à biblioteca municipal do seu concelho? Quantos amigos seus, adultos, a frequentam? Quantos adultos se revêem ou encontram na biblioteca municipal do seu concelho resposta às suas necessidades de informação? Provavelmente, na maior parte dos concelhos, muito poucos.

Há um esforço dos serviços para promover encontros de leitores, de autores, a realização de feiras, exposições… Mas, então, porque é que há um fosso entre os cidadãos e a sua biblioteca? 

Muitas bibliotecas “prenderam-se” ao serviço que prestam às bibliotecas escolares. Esse passou a ser o core business que o poder político promove, talvez pelos resultados imediatos que daí possa obter. Não descurando esse serviço, não deve, nem pode, ser o único, nem mesmo o maioritário. O foco deve estar na comunidade como um todo, não apenas numa parte.

Talvez esteja na altura do poder político promover os meios para que seja possível formular um novo plano que reforce o papel cultural, informativo e social das bibliotecas municipais, que não passe apenas pelas escolas, mas que se dirija a outros públicos sem interesse pelos livros, mas com necessidades de informação variadas. A criação e dinamização, por exemplo, de serviços de apoio ao cidadão e à cultura local, serviços de informação à comunidade ou de divulgação do fundo local, serviços de qualidade apoiados na Internet e capazes de tirar partido de novas ferramentas como a Inteligência Artificial. Porque não aproveitarem as CIM´s e a suas capacidades de agregação? Seria uma forma de ganhar escala. Podem crer que, se o fizerem, os resultados, mesmos os políticos, aparecerão.


Querem um bom exemplo?


Para quem acha que as bibliotecas e os arquivos municipais são um género de depósitos acumuladores de “papéis”, eis um bom exemplo, vindo do Município de Arcos de Valdevez, de como estes serviços podem desenvolver e envolver-se em projetos inovadores. 

Este sábado é apresentado o Portal da Memória Arcuense, desenvolvido pelo arquivo e pela biblioteca municipais, o portal vai disponibilizar, para além das tradições e costumes da sociedade arcuense, uma hemeroteca digital e uma livraria municipal.

Sim, é possível fazer diferente, desde que exista espírito livre e aberto e, claro, vontade política. 


A amargura é a mesma


Torna-se difícil perceber a morte de um jovem, na flor da vida, quando se dedica aos próximos, quando participa, quando se prepara afincadamente para uma vida que entretanto não chega a ser. A dor e o vazio da perda que ficam nos mais próximos são como se o chão desaparecesse debaixo dos nosso pés.

Mas também é pesado assistir ao desaparecimento, em vida, daqueles que conhecemos de sempre e que foram pessoas activas na nossa comunidade. A perda e degradação da agilidade física associada à cognitiva faz-nos perceber que também os “Gigantes” são tombados pela fragilidade humana.

Estas situações, que nos causam amargura, deveriam fazer-nos recentrar as nossas prioridades, pensar na nossa atitude para com os outros. Pensar em como tudo é efémero, mesmo quando temos um longa vida.    

domingo, maio 22, 2022

Alto Minho, artigo de 18-05-2022


30 anos
 

Foi no já longínquo final dos anos 80 que os lideres autárquicos de Ponte de Lima viram a oportunidade que o Despacho de 1986, da Secretária de Estado da Cultura de Cavaco Silva, Teresa Patrício Gouveia, trazia para Ponte de Lima. 


Francisco Abreu Lima iniciou e Fernando Calheiros terminou o projecto de integrar a Biblioteca Municipal de Ponte de Lima na Rede Nacional de Bibliotecas Públicas. Ambos perceberam a importância de existir no concelho uma biblioteca aberta e ligada à população, com técnicos especializados para levar acabo as políticas de leitura e de divulgação informacional.


Não foi fácil levar a bom porto um projecto como esse. Os finais de 80 princípios de 90  viam Ponte de Lima como uma terra isolada, longe dos centros onde eram formados os técnicos superiores e os técnicos profissionais. Tudo se iniciou, basicamente, do zero. 


Em boa hora, o município conseguiu “seduzir” aquela que seria a timoneira do projecto da Biblioteca Municipal. Isabel Costa conseguiu, conjuntamente com a equipa que foi construindo, tornar a Biblioteca de Ponte de Lima uma referência não só local, mas nacional. Foi uma das pioneiras da promoção da formação, enfrentou e colocou as primeiras pedras de projectos arrojados para a época. A Feira do Livro é um bom exemplo disso mesmo. Realizada com a presença de livrarias do concelho (hoje, na vila mais antiga que Portugal, apenas existe a livraria União), editores e distribuidores nacionais e locais, tinha ainda espaço para alfarrabistas e, imagine-se, chegou mesmo a ter um quiosque para a novidade que era a Internet. Para além do espaço de excelência onde se realizava, a popularmente conhecida Avenida dos Plátanos, a Feira do Livro captava centenas de jovens que voluntariamente participavam na “realização” da mesma.  


A obra de requalificação do edifício onde a Biblioteca Municipal se instalou terminou em Setembro de 1992. Iniciou-se a instalação de equipamentos, aquisição de fundos documentais e preparação técnica do fundo e do espaço. No ano seguinte, também em Setembro, foi inaugurada por Aníbal Cavaco Silva, então Primeiro ministro. Passam, assim, 30 anos. É verdade que a Biblioteca Municipal já não é a referencia que foi, uma biblioteca não é apenas um espaço de lançamento de livros, nem um género de biblioteca central das bibliotecas escolares do concelho. 


Aproveitem, comemorem a audácia que há 30 anos tiveram os vosso antecessores, criando condições para voltar a colocar a Biblioteca Municipal no lugar onde ela merece estar. Isso não será apenas com eventos entre Setembro deste ano e o de 2023, tão necessários, mas com a alocação de meios que permitam expandir a dedicação dos seus técnicos. 

terça-feira, janeiro 17, 2012

Artigo no Novo Panorama

 NOTA: Publicado no dia 12 de Janeiro de 2012

Chega!
Cada vez tenho menos paciência para moralistas, demagogos e populistas. Farto de políticos, (pessoas que participam na vida política), que não conseguem compreender que este é o tempo de pensar na sua comunidade, no que a faz mover, que política deve seguir, que caminho deve traçar. Políticos que não percebem que não é tempo de abstenções e justificações tipo "chapa 5" sem ter em conta as pessoas, a vida das pessoas, pensando apenas nas suas vaidades. Políticos que não percebem que este não é o tempo, certamente, de cavar trincheiras burocráticas para lá refugiar a vacuidade do seu pensamento. Este é o tempo de agir!

Porque é tempo de agir…
O PDM de Ponte de Lima foi revisto. Uma revisão fundamental que consolida, inequivocamente, a freguesia de Arcozelo como pólo de desenvolvimento industrial do concelho. O que estava em causa era o desenvolvimento de Arcozelo, de Ponte de Lima. O que estava em causa era o ganha-pão de centenas de famílias limianas. Quando é isso que está em causa não se pode ter dúvidas e, felizmente, a Assembleia Municipal, na sua última reunião, demonstrou que não as teve.

Porque não para a nossa Biblioteca Municipal?
Nos últimos tempos os formatos eletrónicos, dos ebooks, do acesso à informação têm tido uma evolução, em crescendo, dando novas possibilidades e abrindo novos caminhos. Primeiro no campo dos periódicos, agora no campo dos livros, as bibliotecas podem encontrar aí um novo modelo de negócio. Cada vez são mais os utilizadores, que quando tem disponível uma plataforma simples, fácil de usar, preferem utilizar/consultar a versão electrónica.
A realidade vem demonstrar que os utilizadores estão receptivos aos formatos electrónicos, vejam-se as vendas de ebooks nas principais livrarias nacionais e internacionais, e as bibliotecas devem seguir o que os seus utilizadores querem.
Como utilizadores, não será interessante poder requisitar um livro na biblioteca a qualquer hora do dia, em qualquer lugar? Para a biblioteca não será interessante aumentar a sua capacidade de suprimir as necessidades informacionais dos seus utilizadores? E, se os livros já não forem sujeitos a direitos de autor, por exemplo, os livros antigos sobre Ponte de Lima existentes na Biblioteca municipal, tanto melhor…
Os tempos são outros, são de mudança e as bibliotecas só têm uma escolha que é seguir os tempos, serem agentes da mudança.

Sugestões
No próximo sábado, dia 14 de Janeiro, pelas 21.30 horas, ouvem-se os cantares de reis no Teatro Diogo Bernardes. Nesse mesmo dia, mas no auditório Municipal de Ponte de Lima, pelas 15 horas, assiste-se ao lançamento do livro Aníbal Marinho - Cinco Décadas Literárias. Vale a pena resgatar do esquecimento a vida e obra deste poeta, deste limiano.

quinta-feira, dezembro 22, 2011

Artigo no Novo Panorama


Afinal…

Muitas vezes duvidamos da influência e atuação dos membros da Assembleia Municipal, quer seja pela sua atividade quer seja pela pouca importância que a Câmara Municipal parece dar à sua intervenção.
Lendo o Orçamento e Opções do Plano para 2012 da Câmara Municipal de Ponte de Lima parece que afinal, talvez de forma subtil, não será tanto assim. A Câmara Municipal propõe-se criar, em 2012, um Centro de Interpretação e Promoção do Vinho Verde indo assim ao encontro de uma proposta chumbada pelo CDS-PP na Assembleia Municipal em 2010. Se, por um lado, é positivo, por outro, levanta-se o lamento e os prejuízos do concelho e do sector vinícola por terem tido que esperar dois anos por este, digamos, incentivo.
O que não teve que esperar tanto foi a Biblioteca Municipal, depois de anos de desatenção, é com satisfação que vejo que o apelo feito por mim na última Assembleia Municipal teve eco logo no Orçamento e Opções do Plano de 2012. Depois de Orçamentos em que a Biblioteca ocupava pouco mais de um parágrafo, onde a limitavam a um género de biblioteca central das bibliotecas escolares do concelho, prevê-se para 2012 que a Biblioteca Municipal recupere o lugar de importância de outrora. A criação de uma página Web e o alargamento a outros públicos, com a Biblio Sénior e a Biblio Saúde, são exemplos disso.

31 anos

Fez na passada semana 31 anos da morte de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa. No dia da sua morte, o meu pai, Alípio de Matos, encontrava-se numa ação política na freguesia de Sá. Os ventos do PREC, embora já tivessem passado, ainda se faziam notar e as pessoas ainda tinham uma legítima vontade de participar na vida política. Nessa noite, quando a notícia da morte do primeiro-ministro e do ministro da defesa foi divulgada, assisti, numa televisão a preto e branco a esse momento triste da história de Portugal. É impressionante como existem momentos da história coletiva que marcam mesmo uma criança pequena.
31 anos volvidos, são muitos os que gostam de os citar, muitos, que depois de escrever e proclamar um discurso, acabam com uma passagem dos seus pensamentos. Infelizmente, muitos desses que os citam fazem-no sem realmente os ler. 

Nota
Não posso deixar de desejar a todos os que me dão a honra de ler estas linhas um Santo e Feliz Natal. 

Publicado no dia 14 de Dezembro

quarta-feira, outubro 19, 2011

Artigo no Novo Panorama

Reforma administrativa 

Já muita tinta tem corrido por causa deste tema. A reforma administrativa vai mudar a geografia política e organizativa do país. Uma mudança profunda acarreta sempre receios e medos, mas, se pensarmos que, noutros tempos, outras reformas tão ou mais bruscas foram implementadas verificamos que o tempo acaba por apagar todos os receios que naturalmente estas situações provocam. Alguém ainda se lembra ou quereria voltar aos antigos concelhos? Quantos existiam e que passaram a fazer parte do concelho de Ponte de Lima? 
O que é necessário é um forte diálogo entre os diferentes actores, tendo sempre em mente a melhoria da articulação dos cidadãos com a administração. Mas esta reforma não se cinge, unicamente, à fusão de freguesias. A reforma vai mais longe e entra na própria organização política dos Municípios. Embora sem extinção ou agregação de concelhos, os executivos municipais vão sofrer uma mudança profunda. Serão constituídos por menos vereadores e o cabeça de lista mais votado para a Assembleia Municipal é que, por sua vez, os escolhe de entre dos eleitos da Assembleia. Uma mudança interessante que vai ao encontro da realidade.  

Eleições autárquicas 

Na passada semana, fez 2 anos sobre as eleições autárquicas de 2009. Dois anos depois, fazendo um balanço, verifica-se que a reforma de que se falou acima, no que concerne ao executivo municipal, é realmente imperativa.  

Democracia 

Todos, ou quase todos, aceitam e querem a democracia. Para muitos é importante “anunciar” os pergaminhos da luta, por vezes pseudo luta, pela democracia no antes do 25 de Abril. Por vezes, é penoso ouvir e ver ou ler esses mesmos “democratas” fazerem comentários a resultados eleitorais, na Europa ou mesmo nas regiões autónomas, criticando as populações por a escolha não ter sido a deles. Ou seja, para alguns a democracia é boa, desde que seja a das suas escolhas.  

Biblioteca Municipal 

Na passada reunião da Assembleia Municipal chamei à atenção do Presidente da Câmara para o facto da Biblioteca Municipal ter deixado de ser uma biblioteca municipal para se transformar num género de biblioteca central das bibliotecas escolares. Para muitos isso não será importante, mas todos nós contribuímos com os nossos impostos para os serviços municipais e a biblioteca deverá ter um papel preponderante na comunidade e, como tal, deixa-la apenas para as crianças ou adolescentes é infantilizar um serviço que deveria ser de todos. O leitor experimente visitar a biblioteca, escusa de levar o portátil porque lá, ao contrário de outros serviços municipais, não existe Internet sem fios, poderá verificar como a biblioteca há muito que deixou de ser o exemplo nacional de outrora para se transformar numa penosa sombra do que já foi.

sexta-feira, setembro 30, 2011

Intervenção na Assembleia Municipal de Ponte de Lima de 30 de Setembro de 2011


Desde o final dos anos 90 do século passado que a Rede de Bibliotecas Escolares, através do Ministério da Educação, tem vindo a estabelecer protocolos junto dos municípios no sentido de estes, através das suas bibliotecas municipais, garantirem o apoio técnico e financeiro às bibliotecas escolares dos respectivos municípios.

Este apoio tem dado origem um pouco por todos os concelhos ao chamado Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares, o SABE. O de Ponte de Lima, como se pode ler na página Web do Município, “tem como missão a fomentação de uma política coordenada de aquisições, de apoio técnico especializado, de dinamização do empréstimo interbibliotecas e de desenvolvimento de actividades conjuntas nas áreas da promoção da leitura, da literacia da informação e da animação cultural no concelho de Ponte de Lima”.

Acontece que estes novos serviços de apoio às bibliotecas escolares têm tido um efeito perverso para o funcionamento das bibliotecas públicas municipais. Criou-se a ideia generalizada de que as bibliotecas municipais devem apoiar sobretudo os estudantes. Mas deverá a biblioteca municipal deixar-se tomar por essa progressiva escolarização deixando de fora a maior parte da população?

De facto, a escolarização já tomou conta de parte dos serviços e actividades da biblioteca municipal que neste momento mais parece uma biblioteca central das bibliotecas escolares do concelho.

Pergunto ao senhor Presidente da Câmara se sabe a percentagem de utilizadores adultos da biblioteca? Estou certo que muito provavelmente será bastante baixa. E porquê? Porque grande parte dos adultos não se revê nem encontra na biblioteca municipal resposta às suas necessidades de informação.

Minhas senhoras e meus senhores, quantas vezes já foram à biblioteca municipal por vossa iniciativa?

Mais há mais problemas. Por exemplo a orientação dos serviços para actividades meramente recreativas, os fundos invadidos por documentos de qualidade duvidosa pese embora de grande popularidade.

As bibliotecas municipais não terão viabilidade enquanto não existir sustentação política e técnica e pergunta-se, existe? Quem coordena a biblioteca? Quantos profissionais que lá trabalham têm formação específica? Existem planos de formação e desenvolvimento profissional? Onde está o plano estratégico, os indicadores de medida, os resultados?

Está na altura de formular um novo plano que reforce o papel cultural, informativo e social, que não passe apenas pela escola, mas que se dirija a outros públicos sem interesse pelos livros, mas com necessidades de informação com a criação e dinamização, por exemplo, de serviços de apoio ao cidadão e à cultura local, como o serviço de informação à comunidade ou o fundo local, criação de serviços de qualidade apoiados na internet e capazes de tirar partido das novas ferramentas da chamada web social. Neste momento a biblioteca municipal nem página Web tem ou será que a biblioteca se resume ao catálogo colectivo das bibliotecas escolares?

A biblioteca municipal tem que assumir a sua verdadeira função social. Para isso é preciso vontade política de mudar o paradigma, para isso é preciso acção e não apenas reacção.

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Artigo n'O Povo do Lima

 Bibliomóvel

Era esperado ansiosamente pelos miúdos, tinha uma cor acinzentada e continha preciosos tesouros no interior. Conduzido pelo Sr. Teixeira, o bibliomóvel da Calouste Gulbenkian aparecia do nada com os seus livros perfilados nas estantes no interior da carrinha. Foi o Francisco Vieira, o Chico da infância, que me “apresentou” a biblioteca itinerante que aparecia em determinado dia e hora na Além da Ponte, em Arcozelo. Fiquei fascinado pelo facto de poder escolher o livro que quisesse e durante uns dia tê-lo só para mim. O Chico escolhia vários de banda desenhada que durante algumas horas íamos partilhando e descobrindo, ora na casa dele, ora no Arnado, ora na casa dos meus avós.
Entretanto, a Biblioteca Municipal foi crescendo, tornou-se uma referência, criou hábitos de leitura, de pesquisa em várias gerações, é verdade que já não tem a mesma força, vocação de outrora, mas ainda vejo o bibliomóvel que se deve “passear” de escola em escola. Espero sinceramente que continue a criar o espanto e expectativa nos miúdos que o antigo criou em mim.

Paciência

Cada vez encontro menos paciência para políticos que se arrogam detentores da verdade. Políticos que se dizem defensores da democracia, do poder do povo, que se acham a sua única voz, e no seu intimo se comportam como pequenos ditadores não aceitando a escolha do povo. Políticos que clamam compromissos mas que não se comprometem com nada por impedimentos que nem a consciência deles sabe quais são. Políticos que citam muitos pensadores mas que nada pensam. Políticos que apenas põem os seus interesses pessoais, por vezes os do seu grupo, à frente dos da sua comunidade, apesar de bradarem o contrário.
Resumindo, a paciência esgotou para políticos inchados com a sua vacuidade. Mas isto deve ser apenas da idade, da falta de paciência ou… da experiência que se vai ganhando.

Nada que não se esperasse

Na noite das eleições presidenciais assistimos em directo ao final do suicídio político de Defensor Moura. Com um mau perder tremendo, culminou o seu suicídio político com um discurso repudiado por todos. Ali demonstrou a razão de nem na sua rua ter vencido.

sexta-feira, outubro 15, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Biblioteca – o declínio

Vê-se e sente-se o investimento político bem como a dinâmica dos profissionais do Arquivo Municipal para com este serviço. Um serviço que só em 2005 teve “casa” própria mas que já se impõe como exemplo regional e até nacional daquilo que deve ser um arquivo vivo. Com uma presença na Internet que é uma verdadeira porta para os seus utilizadores, os munícipes, está a desenvolver esforços para uma melhoria dos próprios serviços aos desmaterializar e interligar estes com o próprio arquivo. É verdadeiramente de saudar este esforço da autarquia.
Já lamentável, no entanto, é não poder fazer o mesmo louvor à Biblioteca. Apesar do esforço dos seus profissionais, é notória a falta de investimento por parte dos responsáveis políticos da última década. Bem sei que a desculpa recorrente é o investimento em Bibliotecas Escolares, mas esta não é certamente uma desculpa válida para o abandono a que a Biblioteca tem sido sujeita. Compare-se, a título de exemplo, a presença na Internet da Biblioteca e do próprio Arquivo. Apesar de existir há mais tempo, a Biblioteca apenas apresenta o básico catálogo on-line. É lamentável, para não dizer inaceitável!
Neste cenário, é com muita pena que se soube pela voz do Presidente da Câmara de Ponte de Lima que um dos projectos a morrer, por falta de recursos financeiros, é o prometido Centro de Documentação e Informação.
Seria bom saber, já que o dito projecto é abandonado, o que pensa a Câmara Municipal fazer para dar de novo vida, dignidade à Biblioteca Municipal? Vai continuar apenas com a hora do conto, a dar “apoio” técnico e com as visitas às escolas? É imperativo apostar na Biblioteca, reergue-la do esquecimento. Senhor Presidente da Câmara, verá que não se arrepende…

50 anos

A Liga Eucarística celebrou no passado domingo 50 anos. Foi das primeiras “associações” a que pertenci. Entrei com o meu primo, Mário Leitão, pela mão do nosso avô, Manuel de Barros, nos anos 80. Lembro-me das missas ao domingo de manhã e dos passeios-convívio que se faziam. Parabéns à Liga!