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sexta-feira, janeiro 16, 2009

Alto Minho artigo de 16-01-2009

Luta de gerações

Na política não se pode dar como verdade existencial, como algo adquirido e eterno, o paradigma que vivemos. Como na natureza, também na política tudo se transforma.

Isto tanto serve para quem tem o poder, que o deve exercer como algo passageiro, como para a oposição, que deve estar preparada para assumir as responsabilidades da governação da res-publica.

Mas esta situação de mudança, de mutação das realidades, serve ainda para aquilo que assumimos como incontestável, inclusive dentro dos partidos. Desde as influências dos notáveis, passando pelos chamados, e existentes, sindicatos de voto internos, como a detenção de pequenos “poderes” dentro do aparelho partidário, nada é eterno. Poderá existir durante um maior ou menor período de tempo, mas não é eterno, nem que não seja pelo natural decorrer da vida.

Assiste-se hoje ao declino de uma geração de políticos e políticas e ao aparecimento de uma nova geração. Como em qualquer passagem de geração, muitos não conseguem assumir perante si o seu novo “papel”. Este é um dos verdadeiros problemas em todas as instituições, inclusive dentro do mais pequeno núcleo que é a família. Com um nível maior ou menor de “trauma” todas as instituições acabam por passar por este processo.

Aqui reside a maior das oportunidades, se se conseguir aproveitar esse processo de transição para conjugar o saber dos mais velhos com a ousadia dos mais novos, a prudência com a vontade de inovar, a evolução com a revolução. Nem sempre isto é conseguido pacificamente, por vezes existe ruptura, o que significa que as instituições voltam a exibir um baixo patamar de sucesso.

Os partidos políticos de maior sucesso no distrito estão a passar por este processo. Em ano de eleições, o peso ainda é maior e a “guerra” geracional poderá ter resultados catastróficos. A ver vamos se os protagonistas políticos estão à altura da maior decisão das suas vidas políticas, a delegação de poderes, a transmissão de conhecimento, a demonstração de confiança que devem ter naqueles que na verdade aprenderam com eles.

O problema de Caminha

O concelho de Caminha continua atribulado. Mas qual é o problema da Câmara de Caminha? Não é um, são dois. Um é o vereador agora independente, José Chão, que pelo que se pode ler na comunicação social a única coisa que o impele nas votações é o seu sentimento pessoal de vingança política por a Presidente da Câmara, Júlia Paula, lhe ter retirado a vice-presidência e os pelouros por alegadas pressões e atitudes menos próprias no exercício dessas mesmas funções. A população precisa de abastecimento de água, pavimentos nas estradas, etc? Não interessa, o importante é Júlia Paula não poder governar. O outro problema é o PS. Este assumindo a sua condição de não alternativa passou a ser o “patrono” de José Chão. Será que o PS depois de 25 anos de poder em Caminha, face às políticas de Júlia Paula, nada tem a propor ao concelho de Caminha para além do apoio à gincana política?

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Alto Minho artigo de 08-01-2009

Ano novo, vida velha…

No último dia de 2008, na imprensa falada, e no segundo dia de 2009, na escrita, fomos brindados com entrevistas a Daniel Campelo. É sempre interessante ouvir ou ler entrevistas aos nossos representantes. Claro que em ano de eleições seria igualmente interessante que os partidos da oposição pudessem ter a mesma oportunidade quer na avaliação do que se passou quer na apresentação das suas perspectivas para o futuro.

Voltando às entrevistas, o que se realça em ambas é a tentativa de mostrar um concelho que infelizmente não existe, onde a Câmara Municipal faz tudo o que pode, mas onde os munícipes nem sempre colaboram, onde se fala de fiascos das políticas do executivo municipal como se ele nada tivesse a ver com isso. Desemprego? É a conjuntura internacional, que, aliás, diz que não vai afectar muito Ponte de Lima. Pois, se eu não estiver à chuva não me molho… Ponte de Lima talvez não seja muito afectada, mas os limianos que são obrigados a percorrer vários quilómetros para trabalhar noutros concelhos por não encontrarem emprego no seu, infelizmente serão. O mercado municipal é um elefante branco? Diz o presidente que a culpa é da concepção e da arquitectura, até menos da concepção. Mas esperem, não foi ele que aprovou o projecto e que tanto finca-pé fez para a construção do novo edifício mesmo com o protesto generalizado dos comerciantes, utilizadores e partidos da oposição, e isto há menos de uma década? Em relação à educação, apresentada como a prioridade das prioridades do executivo, Campelo faz questão de reafirmá-la como o caminho da “salvação” por vezes para toda a família que aposta na educação dos seus filhos. Até aqui tudo bem, mas logo depois, quando se falava de emprego dizia que ter uma boa formação não é sinónimo de ter um bom emprego e voltou à tecla de licenciados a fazer trabalho de balcão, de empregado de mesa. É certo que a realidade infelizmente a isso leva, mas o que choca é a resignação que o nosso líder autárquico demonstra face a esta situação.

Percebo que deve ser difícil para o presidente da Câmara enfrentar desafios bem diferentes daqueles a que se habituou na última década e meia. Ponte de Lima precisa de outra perspectiva, de gente com valores bem fincados, saídos da comunidade, gente nova que saiba respeitar os mais velhos, que saiba aprender com estes, mas que não tenha medo de mudar, de caminhar e enfrentar o futuro. A menos de um ano das eleições, as entrevistas que o presidente da Câmara de Ponte de Lima deu apenas vieram demonstrar que esta é uma necessidade premente que o concelho limiano necessita rapidamente de preencher.

Bar do Arnado

Fez um mês que o bar do Arnado, na vila de Arcozelo, ardeu. A estrutura em ruínas ainda lá está esperando a sua remoção. Como local de referência no Verão limiano e dos petiscos pela noite fora durante todo o ano, espera-se que o bar renasça rapidamente. Aproveite-se a reconstrução para localizar o novo edifício uns metros atrás, no terreno adquirido entretanto pela Câmara Municipal e que serve de parque de merendas. Desta forma, voltar-se-ia a restabelecer o equilíbrio estético da zona envolvente do cruzeiro do Arnado, devolvendo uma certa dignidade a este espaço histórico.

sexta-feira, junho 01, 2007

Alto Minho artigo de 01-06-2007

O acto de mudar tem sempre um lado de corte, de rompimento. Por isso é que custa e o esforço inerente pode ser motivo para limitar ou mesmo aniquilar a mudança. Não, para desilusão de alguns leitores, hoje não vou escrever acerca da necessidade de mudar as políticas económicas, sociais, culturais do concelho limiano, não. Vou falar de uma que me tem assolado, nos últimos dias, o espírito, a mente e sobretudo o corpo. A mudança de casa.

É na mudança de casa que nos apercebemos da quantidade de objectos, livros, dvd’s, fotografias, revistas, etc que já lemos ou vimos ou que fizemos intenção de o vir a fazer e que vamos acumulando ao longo da nossa vida. É interessante verificar que a casa de onde saímos não é assim tão pequena como ultimamente nos parecia, apenas estava mais, digamos, recheada…

Nas minhas mudanças “encontrei” alguns livros que li, faz já algum tempo, e que se encontravam arrumados na “biblioteca” da memória. Foi com um deles que me apercebi que talvez fosse importante conhecer as memórias de algumas figuras da nossa vida pública, seriam, certamente, um bom contributo para nos ajudarem a perceber o presente. Assim estes tivessem vontade… Ao passar os olhos pelo livro “A Casa da Barca”, uma publicação apoiada pelo município de Ponte da Barca, tendo ainda como presidente Cabral de Oliveira, apercebemo-nos das vidas que constituem a nossa comunidade e que, por vezes, nem nos damos conta de quanto são importantes para a construção da identidade de todos nós.

Mas mudar de casa é também separarmo-nos de memórias. Confesso que isso me custa, talvez seja a minha costela conservadora, não sei. O que sei é que me angustia ver casas mortas, onde memórias pululam em cada uma das divisões, mas que não impedem que estas, sem vida, se transformem num amontoado de pedras quase sem significado.

Resolvi, contrariando todos os indicadores, voltar ao centro histórico, sem lugar para estacionar o automóvel, sem poder mexer uma caixilharia, mas na esperança que esta situação seja reversível e que o centro histórico volte a ter vida.