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domingo, maio 31, 2026

Alto Minho, artigo de 28-05-2026

As nossas praias

Nós, aqui pela região do Alto Minho, orgulhamo-nos da nossa paisagem natural. Com a chegada da época balnear, é de salientar que existem, no nosso distrito, três praias com o selo "Zero Poluição". Ficam todas no concelho de Viana do Castelo, são a da Ínsua, Paçô e Arda.

Alcançar esta distinção exige consistência máxima. São precisos três anos seguidos sem qualquer contaminação microbiológica detetada nas águas. Embora a praia do Forte do Cão, em Caminha, tenha este ano perdido o estatuto, o distrito soma dois novos areais a esta lista de excelência.

Esta oscilação expõe o verdadeiro desafio, a pureza das nossas águas nunca é um dado adquirido nem uma garantia perpétua. A sustentabilidade exige um esforço diário, rigoroso e partilhado por todos. Eis mais um ponto de atração para a região.


O declínio do Compromisso


Ultimamente, dou por mim a pensar se serei de outro tempo. Não consigo aceitar o insulto, a insinuação e a crispação como o novo normal do debate público. Hoje, até os detentores de cargos políticos parecem esquecer que representam instituições e não apenas os seus próprios egos.

Escudados nas “suas redes”, muitos interpelam sem dó nem piedade, rebaixam o adversário e minam qualquer espaço de consenso ou empatia. Procuram a vitória imediata do “gosto” e da partilha, não percebendo que corroem a credibilidade das próprias instituições para as quais foram eleitos para defender.

Quem observa este cenário de fora da bolha política estranha a inversão de valores. Os agentes ponderados, que procuram pontes para a comunidade avançar, são agora rotulados como “os do sistema”. Os novos heróis são os crispados, os que dominam os TikToks desta vida, disparando fel em vídeos virais. É o espetáculo da degradação política em formato de poucos segundos.


Final da época


No futebol, as épocas terminam e os campeões surgem. Na formação, a dedicação e o crescimento desportivo são as grandes vitórias. Claro que os resultados também importam, sobretudo a partir dos 14 ou 15 anos. Contudo, o foco principal deve continuar a ser o crescimento humano dos jovens atletas.

A Associação de Futebol de Viana do Castelo (AFVC), certamente, já planeia a próxima época. O cenário exige reflexão, por exemplo, no confronto com outras Associações, as nossas seleções distritais continuam sem conseguir os melhores resultados. Não é um problema recente, é algo que já vem de trás. Mas esta época marcou o início de mudanças na AFVC, com uma nova direção e novas ideias. Agora que entramos na segunda desta nova era, talvez seja o momento ideal para olhar e rever metodologias, evitando os erros do passado. O olhar crítico deve ser uma constante. O nosso distrito é grande, tem muitos clubes e imensos atletas. Poderá o talento da nossa região ser melhor acompanhado e aproveitado?

segunda-feira, abril 06, 2026

Alto Minho, artigo de 02-04-2026

Páscoa

A nossa Páscoa é única! Embora a ressurreição de Jesus seja o ponto comum, cada terra celebra-a com as suas próprias tradições. No Alto Minho, tal como a natureza que desperta na Primavera, este período é de profunda transformação. 

Há algo generoso no modo como por cá se vive a Páscoa. As famílias abrem as portas das suas casas, deixam entrar a alegria das ruas, dizendo, no fundo, que a comunidade ainda importa. O burburinho da rua, o compasso pascal “invadir” a intimidade do lar, sem pedir licença, lembra-nos que a felicidade só faz sentido partilhada. 


O relógio já está a contar


Já tinha escrito em Novembro do ano passado e, mais recentemente, em Janeiro, o Mundial de Futebol de 2030 está à porta e Ponte de Lima e a região pode ganhar com isso. Na semana passada, ficamos a saber que foi proposta à FIFA a inclusão de Vigo no Mundial 2030. Com esta decisão, a nossa região posiciona-se num eixo geográfico privilegiado. Ficamos a menos de 80 quilómetros de distância de dois grandes palcos mundiais, o Porto (Estádio do Dragão) e Vigo (Estádio de Balaídos). Esta centralidade coloca-nos no coração do evento, com argumentos renovados para atrair selecções, adeptos e investimento.

Torna-se imperativo que os nossos agentes locais e regionais se unam. Precisamos de planear e criar infraestruturas de excelência capazes de fixar selecções nacionais no nosso território. Não podemos ser apenas espectadores, temos de ser protagonistas e garantir que o Alto Minho capitaliza este evento para lá das quatro linhas, transformando a proximidade em benefícios reais para a economia e o turismo local. 


Um jogo diferente


Na passada semana, o nosso “Os Limianos” teve um jogo diferente. Era um jogo em atraso, com o Ribeira Brava. Jogado a meio da semana, numa quarta-feira, com o apito inicial a ser dado às 15h, por mais limianismo que corra nas veias, a presença de quem trabalha estava muito dificultada. 

Após uma derrota pesada que lhe retirou o segundo lugar, a vitória era o único caminho para manter viva a esperança da subida. O desafio era grande, jogar em casa, mas sem o habitual fervor das bancadas cheias. Foi então que a direcção do clube surpreendeu com uma iniciativa louvável. Convidou várias instituições do concelho a levarem os seus utentes ao estádio. A resposta foi imediata e emocionante. As imagens partilhadas são comoventes, não houve fumos nem cânticos estridentes, mas, com as bancadas cheias, o apoio foi real e eficaz. Nesse dia, “Os Limianos” regressaram ao segundo lugar.

domingo, fevereiro 15, 2026

Alto Minho, artigo de 12-02-2026

Não será populismo?

A Associação Desportiva “Os Limianos” (ADL), pelos seus 73 anos de existência, pela história de sucesso desportivo que carrega e pelo trabalho formativo que todos os dias faz junto de centenas de jovens e crianças, é um clube diferenciado, representativo de Ponte de Lima. Para lá dos treinos dos vários escalões, que decorrem todos os dias, das 18h às 21h, em dois campos, para que todas as equipas possam jogar aos fins-de-semana, por todo o distrito, é necessária uma gestão logística já com uma envergadura profissional. Um exemplo, o “Os Limianos” tem duas equipas de sub15, a A e a B, que competem nos campeonatos da Associação de Futebol de Viana do Castelo, jogando as duas, normalmente, ao domingo de manhã. Por cada jogo, cada uma das equipas, entre jogadores e equipa técnica, é constituída por 18 a 20 pessoas que, mesmo com a ajuda dos pais, tem de se deslocar, cada uma, em pelo menos duas carrinhas. Desportivamente, nos seniores, é o clube que há mais tempo representa o concelho no desporto rei, em campeonatos nacionais. Ainda no passado fim de semana, a equipa de Ponte de Lima jogou na Madeira. 

Pela sua dimensão, se percebe o seu efeito de alavanca, quanto maior e melhor estiver, mais os outros clubes do concelho, com uma vocação mais local, são “puxados” para outros patamares. É por isso estranho, mesmo a roçar o populista, o sentido de voto do vereador eleito pelo PSD na câmara de Ponte de Lima contra o protocolo de colaboração entre o Município de Ponte de Lima e a ADL, para a cedência de um mini-autocarro recondicionado. A justificação de que “uma vez que as outras Associações Desportivas não terão a mesma oportunidade” denuncia um completo desconhecimento da realidade.  


O populismo não reside só nos agentes políticos


Se analisarmos com bom senso, perante uma tempestade sem precedentes seria difícil a ação do Governo (deste ou de outro) ser diferente do que foi. Quando se deixou, logo no início, de ter meios de comunicação e energia elétrica, a percepção da real devastação tornou-se, desde logo, parcial. 

Nos dias seguintes à tempestade, a comunicação social, nomeadamente os canais de notícias, ao invés de informar, preferiu seguir o caminho da exploração do sentimento de insegurança, procurando o sensacionalismo. O desespero das populações, a falta de enquadramento, a hipócrita superioridade moral com que cobriam o que estava a ser feito pelas autoridades de proteção civil deixou a nu o populismo informacional dos canais de notícias. Deixo um exemplo, quando, segundo a REN, foram afectados mais de 5.000 quilómetros de linhas elétricas, os jornalistas confrontavam os responsáveis como se esse trabalho se resolvesse com um estalar de dedos. Talvez esteja a ser injusto. Talvez não seja populismo, talvez seja o reflexo da crise em que a comunicação social vive. A mesma que já não permite ter, no terreno, repórteres seniores, com experiência de profissão e de vida (só vários dias depois é que os vimos) e que parece “viver” apenas em função dos relatórios de “share”.  


domingo, novembro 16, 2025

Alto Minho, artigo de 13-11-2025

Olhar para o estado da arte

A Associação de Futebol de Viana do Castelo anunciou um projecto inovador para a região, um investimento que dará origem à Academia de Futebol da Associação de Futebol de Viana do Castelo. 

Há, no entanto, algo que a Associação não pode descurar, o estado dos campos de jogos onde alguns clubes trabalham. Veja-se o caso concreto do Areosense, no concelho de Viana do Castelo, a meia dúzia de quilómetros da futura Academia. Apesar dos esforços e do trabalho que realiza na formação, o clube joga num antiquado “pelado”. Não há outro campo na formação, nos campeonatos de formação do distrito, em situação idêntica. A Associação deveria, se ainda não o fez, exercer a sua influência junto do poder político para melhorar as condições de trabalho deste clube. Estão em causa, principalmente, crianças e jovens que vestem aquela camisola, mas não só, estão também os atletas dos clubes visitantes, muitos vindos de outra ponta do distrito, que, num campo com condições tão precárias, não conseguem pôr em prática o que aprendem. Mas não se pense que, lá pelos outros clubes terem relvados sintéticos, todo o trabalho está feito. A Associação de Futebol tem vindo, e bem, a promover várias acções de formação em diversas áreas, mas será necessário promover uma formação especifica na área da manutenção dos campos. Muitos, por exemplo, nunca foram escovados, e a rega é mínima ou nem é feita. É preciso ter noção que a falta de manutenção aumenta a probabilidade de ocorrências de graves lesões para os atletas. 

É de louvar o esforço da Associação de Futebol de Viana em olhar para o futuro, mas tem, também, a obrigação, que não é de menor importância, em olhar para o estado da arte. É necessário lutar para ter condições e para ter os meios para que essas condições perdurem. Pela dinâmica que o novo presidente já demonstrou, certamente estará disponível para ser parceiro dos clubes nessa luta. 


Odores


Quem cresceu numa carpintaria conhece bem o odor que emana da madeira. Sabe como este penetra no nariz à medida que a plaina exerce a sua função nas pranchas. É um cheiro que retenho da minha infância, os pipos a erguerem-se, os moveis a formarem-se, o barco a ser construído, o serrim e as raspas a acumularem-se no chão. 

Os cheiros da nossa infância acompanham-nos pela vida. Sem contar, numa esquina, algures no mundo, somos surpreendidos com um odor familiar. Procuramos, por vezes discretamente, e lá encontramos uma pequena oficina de restauro, ou uma pequena carpintaria perdida nas ruas, hoje pouco habitadas, de uma qualquer cidade ou vila. 

Por Ponte de Lima, na vila de Arcozelo, no bairro da Além da Ponte, em Trás-os-palheiros, no início da rua que leva a Faldejães, encontra-se esse odor a madeira. É a oficina “Restauro à Sexta” do Sr. Martins “Sexta” que o emana. É o último dos artesãos da madeira da nossa “aldeia” e o mais “internacional” dos seus habitantes, todos os dias tira fotografias com peregrinos do Caminho de Santiago, assinalando a sua passagem. 

domingo, outubro 19, 2025

Alto Minho, artigo de 16-10-2025

Ainda não

No momento que escrevo, ainda se desconhecem os resultados da noite eleitoral, mas o leitor, que lê esta crónica dias depois, já conhece o desfecho. O que achou dos resultados, surpreenderam?

Para a semana, voltaremos a este tema.


Até quando?


Num domingo, enquanto assistia a um jogo de futebol de iniciados (sub15 B),  na bancada, pais e avós davam exemplo do que não deve ser o desporto. Insultos, gritos, ameaças, atitudes que, provavelmente, esses cidadãos reprovariam na sua vida quotidiana. Que exemplo querem dar aos seus miúdos? Como reagirão eles, no decorrer do jogo, com os colegas da equipa contrária ou com os árbitros? 

Foi um árbitro, em formação, com os seus 16 ou 17 anos, que tomou conta da situação mantendo-se, pelo menos aparentemente, sereno e impermeável à pressão. Por sorte, a equipa adversária não entrou no “jogo”, manteve uma atitude de desportivismo, de foco no que é importante naquela idade (e não só), aprender em contexto de jogo. 


Passos para mudar o paradigma


Ainda bem que há quem reme contra a maré. A Associação de Futebol de Viana do Castelo está a organizar treinos de observação de guarda-redes. Tem como objectivo permitir aos guarda-redes sub14, de todos os clubes que queiram participar, uma experiência diferente de treino e partilhar o balneário com os colegas dos outros clubes. Esta é uma das mais difíceis, especificas e, muitas das vezes, menorizada, posições do futebol. Se, como muitos dizem, uma equipa é uma família, os guarda-redes criam, pela sua especificidade, uma subfamília. 

Esta iniciativa permite criar laços, conhecer diferentes realidades, perceber que há muito mais a unir que a separá-los. Contribuirá, também, para esclarecer que atitudes como a que assisti naquele domingo não fazem qualquer sentido. Num jogo, o colega com que treinaram é adversário, não é inimigo. Fora das linhas de jogo até pode ser seu amigo, seu colega, sendo como for, tem de ser tratado com respeito. 

Estas iniciativas, para além da componente da evolução técnica que proporcionam aos jovens atletas, são, também, oportunidades para ajudar a mudar o clima crispado que afasta as pessoas das bancadas.     


domingo, junho 08, 2025

Alto Minho, artigo de 29-05-2025

Perguntas incomodas 

No passado domingo, ouvi a seguinte frase “as crianças, ao contrário dos adultos, não se retraem de fazer perguntas por terem medo de ouvir as respostas”. Aparentemente, parece que é isso que está a acontecer neste momento de ressaca eleitoral. Muitos parecem ter medo de perguntar por que será que quase 23% dos eleitores aparentam ter-se fartado do actual sistema político? Ou, o que levará tradicionais eleitores da extrema esquerda a votar num partido rotulado de extrema direita? As respostas serão difíceis de ouvir, mas mais difícil será o resultado de fazer de conta que nada se está a passar. 

Existe um alheamento dos políticos e uma falta de visibilidade mediática dos verdadeiros problemas que nós, “a paisagem do país”, enfrentamos no nosso dia a dia. Se esse alheamento deixa um sentimento de afastamento e revolta, não há como esconder, verifica-se uma vontade disruptiva perante o sistema político em que vivemos. 

Uma franja do eleitorado olha com desdém para os partidos e políticos. Alguns, com o seu voto livre, optam por uma ideia de líder, que embora politico e vindo do sistema, se apresenta como de fora e “diferente". O mesmo que na noite eleitoral recebia apoios com gritos de “a mandar em Portugal”, reparem que optaram pela palavra “mandar” e não por “governar”. Será a mesma situação que coloca um ex-militar na frente da corrida presidencial, até porque, sendo “não é político, é serio!”…

Vivemos num sistema democrático, onde todos podem participar, mas onde também os partidos são pilares e os nossos representantes são escolhidos e escrutinados em liberdade. Existem problemas? Claro que sim, mas sejamos exigentes, cabe a cada um de nós não abdicar da participação, não se recolher no egoísmo de tratar apenas da “nossa vidinha”.


Novo rumo


Ricardo Felgueiras trouxe uma nova visão à Associação de Futebol de Viana do Castelo. Não foi só a parte visual que mudou com novos logotipos, a política de proximidade com os clubes aprofundou-se e a comunicação com a comunidade reforçou-se. A parceria com os clubes e com os agentes da sociedade é a aposta de Felgueiras, que já anunciou parcerias para, por exemplo, proporcionar a transmissão online de jogos dos campeonatos da Associação. Não há como negar que, sendo o futebol o desporto mais praticado e com maior visibilidade social, esta vontade de trazer os órgãos que o gerem para junto da comunidade é bem-vinda e traz um novo ciclo para o futebol distrital. 


Exemplos


Por falar em futebol, agora que termina a época da formação, quero deixar uma palavra de apreço a todos os que dedicam o seu tempo na formação de milhares de jovens e crianças. São eles que ajudam não só no seu crescimento desportivo, como também na sua formação humana e social. 

Deixo um exemplo dessa dedicação, um treinador já histórico de “Os Limianos”, Adelino Silva. O Adelino já marcou várias gerações de jovens que passaram na formação do clube de Ponte de Lima. Embora com a preocupação de os fazer crescer no futebol e no desportivismo, promoveu sempre a ideia de que, mais que resultados imediatos, o que interessa é o crescimento dos atletas nas várias dimensões. Uma ideia que já fez escola em treinadores que um dia foram seus atletas.   


domingo, fevereiro 16, 2025

Alto Minho, artigo de 13-02-2025

Presidenciais

O primeiro candidato, com possibilidade de vencer as eleições, a apresentar-se às eleições presidenciais foi Luís Marques Mendes. Seria bem mais cómodo “fazer-se de morto”, até porque as sondagens nem lhe são favoráveis. Apesar dos presságios de insucesso, não é de estranhar esta decisão. Marques Mendes é assim, quando está convencido da validade do seu intento, não é a incomodidade ou a possibilidade de não sucesso que o impedem de seguir o caminho que acha melhor. Já dizia Vaclav Havel, “a esperança não é a convicção de que algo irá correr bem, é a certeza de que algo faz sentido, independentemente do resultado”. 

Foi ele que, enquanto líder de um dos maiores partidos portugueses, o PSD, teve a coragem de dizer "mais vale perder uma eleição do que perder a honra e a credibilidade". Não só disse como realmente enfrentou o aparelho, nas autárquicas de 2005, travando o apoio do PSD a candidaturas de personalidades envolvidas em casos judiciais. Essa guerra interna levá-lo-ia a perder a liderança, em 2007, para Luís Filipe Menezes. Foi nessa derrota que conquistou o meu respeito político, é que não é gritando contra o sistema ou denegrindo as instituições que se faz a diferença. É assumindo as nossas responsabilidades e agindo em conformidade que se alteram as coisas.


Por onde andam


Consultava uns artigos que escrevi, quando me deparei com um, escrito há cerca de 20 anos, onde li o seguinte “não posso deixar de lamentar o novo desaparecimento do nosso concelho das (…) juventudes partidárias. Não podemos deixar morrer a vontade de participação política dos jovens limianos, mas antes fomentá-la. (…) Seria bom que (…) as juventudes partidárias aparecessem com ideias concretas para Ponte de Lima, aparecessem com vontade de as debater, de participar activamente nos programas eleitorais dos respectivos partidos...”. Já viram como, passados vinte anos, o texto se mantém actual? Não existirão jovens com vontade de debater e construir o seu concelho?


Mudanças no futebol distrital


Os novos órgãos da Associação de Futebol de Viana do Castelo serão escolhidos no final deste mês. Numa consulta às páginas web das, até então,  listas concorrentes é possível verificar duas abordagens. A lista liderada por Ricardo Felgueiras, um dos vice-presidentes da cessante direcção, não esconde a ligação com o passado, mas não fica presa a este, integra novos rostos realçando as ligações dos seus membros ao mundo da “bola distrital”. A outra lista, liderada por Pedro Bezerra, apostando numa profunda ruptura com o passado, realça a actividade profissional e política dos seus membros. A Assembleia Geral, por exemplo, é constituída, basicamente, por políticos e ex-políticos locais.

Uma coisa é certa, seja qual for a abordagem a ter sucesso, a mudança é incontornável na Associação de Futebol de Viana do Castelo.   

domingo, maio 12, 2024

Alto Minho, artigo de 09-05-2024

Campeões

Quando o clube mais representativo do concelho de Ponte de Lima, “Os Limianos”, depois de vencer a sua série, lidera a fase de subida à Liga 3 e faz sonhar os adeptos com a final no Jamor, e porque não a consagração como campeão do Campeonato de Portugal, o concelho limiano dá mais um clube para disputar a 1ª divisão distrital da Associação de Futebol de Viana do Castelo. O ACR Arcozelo sagrou-se campeão distrital da 2 divisão, a terceira vez na sua história, subindo à principal divisão distrital. 

Esperando durante anos a ajuda do município para a colocação de um essencial relvado sintético, depois deste se tornar uma realidade, o Arcozelo demonstrou como o trabalho, gratuito e empenhado, de tantas pessoas, com o mínimo de apoio, dá resultados. Neste momento não é só a equipa sénior que se destaca, são também as equipas de formação que já são casa para tantas crianças e jovens.  


Uma grande época


Independentemente dos resultados que a equipa sénior de futebol d`”Os Limianos” venha a obter, o clube teve uma das suas melhores épocas, das modalidades como o hóquei às camadas jovens as vitórias, os campeonatos, têm sido uma constante. A mais recente foi a equipa de sub 15 que se sagrou campeã no passado domingo, conquistando a subida aos nacionais. Um verdadeiro clube que representa da melhor forma todo um concelho.


Livros




As nossas tradições, a nossa história são feitos de vários protagonistas. A maioria destes são incógnitos, vivem uma vida simples, mas que não se esquece dos outros. A construção dessa identidade colectiva é feita de várias “camadas”, umas vão dando lugar a outras, mas sempre interligadas. 

Muitas dessas “camadas” vão desaparecendo, passando apenas a viver na memória de alguns. Franclim Castro e Sousa, que já teve funções políticas na área da cultura e desporto do município limiano, sabe bem a importância de manter a memória colectiva. Apresentou um segundo livro que vai ao encontro dessa vontade. Depois do livro “A feira e tascas de Ponte” apresentou, no passado sábado, “Mercearias de Ponte”. Esses espaços quase místicos, que entretanto quase desapareceram da nossa tão apressada, hermética e instantânea realidade, remetem para um tempo onde havia espaço na nossa vida para comprar a granel, comprar café acabado de moer que vinha para casa embrulhado em cartuxos. Quem não está a sentir neste momento o cheiro característico da moagem de café? 

Sim, como afirmou Daniel Campelo na apresentação do livro, isto também é mercado turístico. O turista quer autenticidade, o mercado da saudade é uma realidade que atrai muitos e que pode ser uma fonte de receita para a nossa região. 


25 anos


É estranho perceber que um projecto saído de um grupo de amigos com interesses comuns consegue sobreviver com grande actividade e projecção durante 25 anos. 

Um quarto de século são os anos do BaToTas, o clube que nasceu dos desportos radicais, onde se integrava o BTT. Em 1999 o Bruno, o Ricardo, o João Carlos juntaram-se a outros como o Acácio Pires, e, desses encontros informais, nascia o clube que introduziu as bicicletas todo o terreno no desporto limiano. Parabéns, que grande caminhada!

domingo, abril 14, 2024

Alto Minho, artigo de 11-04-2024

É urgente

Aqui há umas semanas escrevi sobre as obras e as consequentes mudanças de sentido do trânsito na vila de Ponte de Lima. Para os utilizadores diários já não era novidade, mas, com as referidas alterações e o aumento da pressão, passou a ser perceptível por todos a urgência em alargar a rua Conde de Aurora, entre a rua Agostinho José Taveira e o acesso ao cemitério da vila, bem como a construção de uma pequena rotunda no cruzamento entre as referidas ruas. 

A rua Conde de Aurora passou a ser uma das mais movimentadas da sede do concelho limiano. Devido à proliferação da construção, ao acesso às escolas, a uma grande superfície comercial e a uma cadeia de “fast food”, assumiu um papel central na distribuição do trânsito urbano vindo das freguesias da Correlhã e da vila de Arcozelo, que assim evitam a entrada no centro histórico. As infraestruturas urbanas devem acompanhar a evolução e pressão da construção urbanística, e aquela rua, naquele troço, ainda terá praticamente a mesma configuração do tempo em que ali apenas se iniciava o acesso ao cemitério municipal.


“Limianos, olé!”

Foto: Associação Desportiva "Os Limianos"


No ano passado, o clube mais representativo do concelho de Ponte de Lima subiu ao Campeonato Nacional. O objetivo da época, assumido pelo presidente da Associação Desportiva “Os Limianos”, era a da manutenção. Para alcançar esse objectivo, mudaram a equipa técnica, que muitos aproveitaram para polemizar, e renovaram a equipa. 

Se o arranque da época foi pausado, à medida que esta ia decorrendo, com passos decisivos e boas contratações, “Os Limianos” foram-se aproximando dos lugares cimeiros, conseguindo, bem antes do termino da época, a desejada manutenção. 

Chegados à última jornada, a equipa de Ponte de Lima liderava a tabela da série A, a série considerada por muitos como a mais competitiva do Campeonato de Portugal. Em Ribeirão, no último jogo da época regular, um jogo difícil, a equipa de Ponte de Lima, com um empate, garantiu a vitória do grupo, apurando-se para a fase de subida à Liga 3. 

O presidente da câmara, e bem, é da opinião de que o clube mais representativo do concelho deve militar nas ligas nacionais. Poderá, agora, estar à beira de um desafio ainda maior do que esperaria, mas que deverá mobilizar todos, a possibilidade de já na próxima época “Os Limianos” subirem a um patamar muito mais exigente em termos de necessidades estruturais.      


30 anos


Completaram-se na passada sexta-feira 30 anos que morreu um dos ícones musicais da minha geração, Kurt Cobain. Alguns comparam a sua influência com a do John Lennon na geração dos nossos pais. Talvez assim seja. A verdade é que há, realmente, um antes e um depois do aparecimento dos Nirvana, e a morte do seu vocalista, tal como a dos Beatles, foi um momento disruptivo.

As camisas de flanela, as sapatilhas de pano ou as botas gastas, eram a “farda” dos jovens de então. Quem da minha idade, que naqueles anos frequentava a Escola Secundária de Ponte de Lima, não se lembra do concurso de bandas de garagem na “semana aberta”? Todos queríamos fazer parte, de um modo ou de outro, do movimento “grunge” vindo de Seattle, no longínquo estado de  Washington, nos Estados Unidos da América.

Lembro-me de que ouvi e vi a notícia da morte de Cobain na velha televisão da sala de convívio da secundária. Não havia Internet nem as notícias estavam à distância de um clique, a incredulidade abateu-se e um silêncio estranho, contrário ao habitual zunido, apoderou-se daquele espaço. 

Passaram 30 anos, as roupas mudaram, os gostos também, mas bastam os primeiros acordes de guitarra seguidos da bateria de “Smells Like Teen Spirit” para, como que num qualquer reflexo, nos fazer abanar a cabeça e viajar no tempo. 

“Our little group it's always been
And always will until the end”.

quinta-feira, dezembro 28, 2023

Alto Minho, artigo de 21-12-2023


Maior responsabilidade

Ficamos a saber no convívio natalício da família da Associação Desportiva “Os Limianos”, realizado no passado sábado, que Ponte de Lima terá, já em 2025, um novo estádio municipal com relva natural. Mais que um estádio para albergar o maior e mais representativo clube de futebol do concelho será uma infraestrutura ao serviço do concelho.

Já anteriormente tinha escrito que seria necessário que, das duas uma, ou o projeto do novo estádio se tornava uma realidade ou, enquanto se esperava, o município deveria tomar alguma diligência para dar condições a quem usa o Campo do Triunfo (local escolhido para edificação da nova infraestrutura).

A decisão foi tomada, o projecto será apresentado no inicio do ano e prevê-se que este novo complexo desportivo seja o inicio de um novo rumo na política desportiva do município.

Será certamente uma espécie de âncora para novos e ambiciosos projectos quer na área do desporto quer na promoção e atractividade do concelho.


Sigam o exemplo


Li na edição online deste jornal que a Assembleia Municipal de Ponte de Lima aprovou, por unanimidade, a proposta feita pela Mesa da Assembleia de um voto de preocupação com a situação que se vive na área da saúde e que tem afectado os serviços de urgência da Unidade local de Saúde do Alto Minho (ULSAM).

Finalmente, há uma posição pública sobre este assunto por parte da Assembleia Municipal de Ponte de Lima. Que sirva de exemplo para os outros órgãos autárquicos do distrito. A união de todos num assunto que tanto impacto tem na vida das pessoas torna-se cada vez mais importante por forma a forçar respostas e resoluções. 


Diferente das outras


É cada vez mais difícil encontrar quem esteja disponível para colocar o seu tempo, gratuitamente, ao serviço de uma associação, grupo local ou mesmo de uma comissão de festas. Primeiro é preciso ter força de vontade, depois coragem e depois resiliência. Normalmente qualidades que se colocam em acção perante as dificuldades que vão aparecendo no caminho. 

Neste fim de semana, todos nós celebraremos o Natal. Será, também, nessa altura que numa pequena freguesia de Ponte de Lima, Santa Comba, as pessoas se irão juntar em comunidade para celebrar as festas em honra do Menino Jesus, Santa Comba e São Silvestre. 

Sendo a última festa popular do ano é, também, a primeira festa do ano, pois começa no dia 24 de Dezembro e termina no dia 1 de Janeiro. Sendo que este tipo de festa é, normalmente, associado ao Verão, é de enaltecer esta capacidade das gentes de Santa Comba preservarem a tradição e saírem para a rua para festejar, independentemente das condições atmosféricas que nesta altura não costumam ser convidativas ao encontro fora de portas.


Para todos


Agradeço a todos os que durante este ano tiveram a amabilidade de acharem digna a dádiva do seu tempo na leitura deste espaço. A todos desejo um Santo Natal!

domingo, junho 18, 2023

Alto Minho, artigo de 07-06-2023

 A Garça voou 



No inicio deste século, a explosão dos blogues não deixou a nossa terra de lado. Fiz parte dessa vaga que trouxe uma nova forma de fazer opinião. Nesse “mundo” opinativo, virtual, foi acompanhado essencialmente por dois outros bloggers, o primeiro de todos, o jocabrago, João Carlos Gonçalves, e o trigalfa, Manuel Pires Trigo. Os nossos blogues estiveram no top dos sites sobre Ponte de Lima, durante a primeira década de 2000, com dezenas de leitores diários. Uns já por lá andavam, mas, com os blogues, todos nós acabamos por fazer a transição para os jornais, como aqui, no semanário Alto Minho, trazendo uma nova forma de escrita opinativa, mais breve e mais direta. 

O Manuel Pires Trigo teve uma coluna neste jornal com o título “O estado da Garça”, onde escrevia sobre vários assuntos políticos e sociais da nossa terra, da nossa região. Nas lides opinativas, a certa altura, tive com ele uma picardia que alguns apelidaram de “violenta”. Amigo de infância de meu pai, meu vizinho, conhecia bem, por exemplo, as suas épicas histórias nas Feiras Novas onde o seu porte fisico se imponha à arrogância de alguns que ainda pensavam viver tempos de servidão. Nunca, apesar das tais “violentas” picardias de parte a parte, senti animosidade ou ressentimento dele para comigo. Mesmo nessa altura, quando nos encontrávamos, por exemplo, em cima da ponte, falávamos do rio, do problema com a qualidade das suas águas, ou de outro tema ou assunto de política local ou nacional. 

Para além dos blogues e jornais, o Trigo, como era conhecido, deixou marca na sua intervenção cívica. Enquanto membro da Assembleia Municipal de Ponte de Lima, eleito pelo Partido Socialista, deixou vasta intervenção, pensada, frontal e escrita. Esta forma de encarar o mandato que se exerce nem sempre é fácil, principalmente num orgão onde alguns medíocres passam décadas sem fazerem uma intervenção de fundo, mas estão sempre prontos a manifestarem o seu enfadado, quando algum dos membros se dá ao trabalho de estudar e pensar algum assunto de interesse local para construir uma intervenção. 

Profissionalmente, foi referência, nas décadas de 80 e 90, na informatização da Segurança Social, ainda recordado por muitos.     

Infelizmente, Manuel Pires Trigo deixou-nos na passada semana. A escrita opinativa limiana não mais vai ter a perspicácia ou a bicada da Garça. 


Confirmou-se


O futebol alto-minhoto está de parabéns. O Vianense confirmou a sua presença na Liga III e “Os Limianos” no Campeonato Nacional. Estas são as equipas do distrito com as estruturas mais bem preparadas para voos mais altos no desporto rei. O que se espera é que a actual visibilidade destes campeonatos, outrora vistos como marginais, tragam mais valias, não só desportivas, à nossa região.