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quinta-feira, dezembro 28, 2023

Alto Minho, artigo de 21-12-2023


Maior responsabilidade

Ficamos a saber no convívio natalício da família da Associação Desportiva “Os Limianos”, realizado no passado sábado, que Ponte de Lima terá, já em 2025, um novo estádio municipal com relva natural. Mais que um estádio para albergar o maior e mais representativo clube de futebol do concelho será uma infraestrutura ao serviço do concelho.

Já anteriormente tinha escrito que seria necessário que, das duas uma, ou o projeto do novo estádio se tornava uma realidade ou, enquanto se esperava, o município deveria tomar alguma diligência para dar condições a quem usa o Campo do Triunfo (local escolhido para edificação da nova infraestrutura).

A decisão foi tomada, o projecto será apresentado no inicio do ano e prevê-se que este novo complexo desportivo seja o inicio de um novo rumo na política desportiva do município.

Será certamente uma espécie de âncora para novos e ambiciosos projectos quer na área do desporto quer na promoção e atractividade do concelho.


Sigam o exemplo


Li na edição online deste jornal que a Assembleia Municipal de Ponte de Lima aprovou, por unanimidade, a proposta feita pela Mesa da Assembleia de um voto de preocupação com a situação que se vive na área da saúde e que tem afectado os serviços de urgência da Unidade local de Saúde do Alto Minho (ULSAM).

Finalmente, há uma posição pública sobre este assunto por parte da Assembleia Municipal de Ponte de Lima. Que sirva de exemplo para os outros órgãos autárquicos do distrito. A união de todos num assunto que tanto impacto tem na vida das pessoas torna-se cada vez mais importante por forma a forçar respostas e resoluções. 


Diferente das outras


É cada vez mais difícil encontrar quem esteja disponível para colocar o seu tempo, gratuitamente, ao serviço de uma associação, grupo local ou mesmo de uma comissão de festas. Primeiro é preciso ter força de vontade, depois coragem e depois resiliência. Normalmente qualidades que se colocam em acção perante as dificuldades que vão aparecendo no caminho. 

Neste fim de semana, todos nós celebraremos o Natal. Será, também, nessa altura que numa pequena freguesia de Ponte de Lima, Santa Comba, as pessoas se irão juntar em comunidade para celebrar as festas em honra do Menino Jesus, Santa Comba e São Silvestre. 

Sendo a última festa popular do ano é, também, a primeira festa do ano, pois começa no dia 24 de Dezembro e termina no dia 1 de Janeiro. Sendo que este tipo de festa é, normalmente, associado ao Verão, é de enaltecer esta capacidade das gentes de Santa Comba preservarem a tradição e saírem para a rua para festejar, independentemente das condições atmosféricas que nesta altura não costumam ser convidativas ao encontro fora de portas.


Para todos


Agradeço a todos os que durante este ano tiveram a amabilidade de acharem digna a dádiva do seu tempo na leitura deste espaço. A todos desejo um Santo Natal!

domingo, novembro 26, 2023

Alto Minho, artigo de 23-11-2023


Horizontes

Os adolescentes limianos dos finais dos anos 80, princípios de 90, tiveram sorte. Ainda não havia Internet, mas já tinham possibilidade de espreitarem o mundo de uma forma que adolescentes de outros locais não tinham. Para além do terceiro canal, que chegava da Espanha, a TVE, ainda tiveram a sorte de ter responsáveis autárquicos que decidiram colocar no monte de Santo Ovídio uma antena que re-transmitia alguns canais que recebia por satélite.

Mais tarde viria a ser desmantelada por se verificar que não cumpria algumas imposições legais, mas, enquanto funcionou, permitiu aos adolescentes limianos terem acesso a canais europeus e americanos, canais temáticos que abriram todo um mundo até então desconhecido. Das músicas ao desporto, novos estilos e novas modalidades passaram a ser uma realidade que era possível pelo menos tentar replicar. 

Eu e um grupo de amigos não ficamos de fora, fomos influenciados de tal forma que até usamos pás para cavar buracos e construir rampas na esperança de replicar os circuitos de provas de BMX que víamos nas televisões estrangeiras. Foram corridas épicas as que organizamos nos terrenos e caminhos rurais perto das nossas casas.  

Passados alguns anos, membros desse grupo de amigos fizeram parte do grupo fundador do clube BaToTas – Clube de Desportos Radicais de Ponte de Lima. Pude ver de perto como, por exemplo, os irmãos Bruno e Ricardo Fernandes, membros do grupo das BMX´s, se empenharam para o sucesso das primeiras edições da Descida ao Sarrabulho em BTT. Desde o trabalho de reconhecimento do percurso, ao trabalho burocrático exigido pelo número de inscritos, que aumentava de ano para ano, foi sempre de louvar o trabalho de todos os “batotas” que o faziam de forma voluntária e empenhada. 

No passado fim de semana, realizou-se a XXII Descida ao Sarrabulho, um evento, sem componente de competição, que trouxe ao nosso concelho milhares de pessoas, mil inscritos e outros tantos a acompanhar. Uma organização voluntária, mas profissional no seu funcionamento, que transmite uma imagem positiva do nosso concelho e transcende as fronteiras do nosso país.


Como é possível?


Os serviços hospitalares no nosso distrito estão em ponto de rotura. Não se sabe se por falta de coordenação, por lutas de classe profissional ou por outra causa. Será que realmente interessa? A verdade é que não é possível continuar a pôr em causa a vida das pessoas. Quando os serviços de ginecologia/obstetrícia encaminham doentes para Braga, Famalicão, Guimarães e Porto (São João), que também recebe os doentes encaminhados de cirurgia geral, alguém terá consciência de que alguns doente poderão ter de percorrer 150 ou mesmo 200 quilómetros para ter assistência? Quando uma grávida não é atendida, quando alguém é mandado para casa ao invés de ser internado, ou quando alguém a necessitar de uma cirurgia vê a intervenção ser sucessivamente adiada, quem avalia os impactos dessas decisões, dessa negação de um serviço que é pago com os nosso impostos? É isto o Serviço Nacional de Saúde de qualidade?  


Novo episódio 


No passado dia 9 de Novembro, foi publicado em Diário da Republica a abertura de novo concurso para a selecção de um operador para o serviço publico de transporte de passageiros do Alto Minho. Mais um episódio desta já longa novela. Foi dada a conhecer a produção quilométrica anual de 2 641 614 km e o preço base de 21 661 226,60€, mas seria, também, interessante que se desse a conhecer aos alto-minhotos o tipo de serviço com que poderão contar no final do concurso.

domingo, outubro 15, 2023

Alto Minho, artigo de 11-10-2023



O perigo à espreita

No passado sábado, um autocarro atravessou a “ponte velha” de Ponte de Lima. As pontes romana e medieval encontram-se encerradas ao transito rodoviário desde os anos 90, resultado de uma das mais ousadas decisões de um presidente da Câmara, Francisco Abreu Lima, que, assim, pôs em causa a sua reeleição, mas devolveu um dos locais mais icónicos do concelho limiano às pessoas. 

Já não é o primeiro veículo a tentar ou a conseguir atravessar a “ponte velha”. Desde fugas depois de roubos a uma ourivesaria, passando pela má indicação de GPS até ao total alheamento de condutores pelo que os rodeiam, são vários os motivos para isso acontecer. Mas, seja qual for a razão, há algo que não pode estar esquecido e que os responsáveis autárquicos deveriam ter em atenção, a segurança das pessoas que por lá passeiam. 

A ponte, embora encerrada ao trânsito, embora com sinalização no local, permite a circulação de viaturas automóveis por falta de uma barreira física. Não seria preciso muito para inverter esta situação, bastava utilizar dois das dezenas de mecos que se perfilam na frente ribeirinha e no largo de Camões, colocando, no meio da via, um no início e outro no fim da ponte. Seja esta ou outra a solução, a verdade é que a decisão de fazer algo para a proteção das pessoas deve ser prioritária e deve ser tomada rapidamente.


O que se passa no hospital?


Nunca, como nos últimos tempos, se leram tantas notícias sobre a Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM). Infelizmente, quase todas negativas. Desde o roubo de equipamentos no valor de mais de 700 mil euros no serviço de gastroenterologia, demissões, serviços encerrados, denuncias de bullying e assédio laboral, condenação por despedimento ilícito…

No final da passada semana, às notícias de que o serviço de urgência do hospital de Viana do Castelo ficaria sem o serviço de cirurgia e que o Serviço de Urgência Básico do hospital de Ponte de Lima ficará, durante o mês de Outubro, sem especialistas de medicina interna, juntou-se a de que o conselho de administração da ULSAM vai ficar reduzido a dois elementos depois da demissão da diretora clínica e da diretora de enfermagem.

Esta conjugação de notícias, de casos, não é normal. Afinal, o que se passa na ULSAM? 


A representar os portugueses


Voltamos a ouvir sobre a importância de comemorar a data do 25 de Novembro de 1975, o dia onde se escolheu o poder do parlamento, do voto dos portugueses, rejeitando o  poder discricionário de um conjunto de militares ligado à extrema esquerda. Podemos ler na página na Internet da Assembleia da República que esta “representa todos os cidadãos portugueses, age em seu nome e é responsável perante estes”. De 4 em 4 anos escolhemos os nossos representantes na Assembleia da República. Dessa escolha surgirá o Governo de Portugal. 

Eleitos por um circulo eleitoral, numa lista apresentada por um partido, os novos deputados, conforme o seu estatuto, logo no ponto 1, do artigo 1º, capitulo 1, “representam todo o País, e não os círculos por que são eleitos”. É verdade que são eleitos pelo voto dos seus concidadãos de um delimitado espaço geográfico, mas, por exemplo, quando a região por onde foram eleitos, por alguma razão, se insurge contra os interesses do governo, os deputados ligados a este, normalmente esquecem os seus eleitores, escudando-se no referido ponto do estatuto que os rege. E lá se vai a representação, a ligação, o mandato das populações tão evocado durante as campanhas eleitorais. 


Nota:

Qual é a reacção possível perante os que criticam a luta de Zelenski e da Ucrânia, a Nato, a União Europeia, os EUA, mas relativizam Putin, o regime Iraniano, o Hamas e que manipulam a crise climática para os seus fins políticos? Não se pode dizer que se é pela liberdade e simultaneamente estar ao lado de quem a combate. Não se pode dizer que se é pela democracia e defender quem a não pratica. 

domingo, abril 02, 2023

Alto Minho, artigo de 29-03-2023

 Realidades 

Ultimamente o país tem sido assolado por notícias de fechos de serviços de hospitais. Mais na zona centro e Lisboa mas também no Algarve, o que mais chocou as televisões foi o encerramento de maternidades e as contingências nas urgências. Em alguns casos, os utentes passaram a estar à distancia de 60 a 100 quilómetros desses serviços. Mesmo que seja por encerramento momentâneo, o impacto é imenso.  


Saúde no Alto Minho


Por cá, no Alto Minho, uma mulher que queira dar á luz e seja de Melgaço, para chegar à maternidade andará mais de 100 quilómetros e demorará, em média, 1 hora e 20 minutos (isto a sair do centro de Melgaço) por só existir maternidade em Viana do Castelo. A distancia encurtar-se-á por existirem alguns serviços médicos no hospital Conde de Bertiandos, em Ponte de Lima. No entanto, embora a capital de Distrito fique geograficamente numa das extremidades do território, a maioria das valências apenas existem no Hospital de Viana do Castelo 


Transportes no Alto Minho


Quando um elétrico, em Lisboa, ou um autocarro elétrico ou movido a hidrogénio, dos STCP (Porto), avaria, os telejornais e as televisões de notícias por cabo, fazem longos diretos sobre os constrangimentos que daí advêm para a população. Nós, aqui pelo Alto Minho, não podemos afirmar que temos uma rede de transportes deficitária, porque não temos nenhuma rede de transportes (já para não mencionar os autocarros com 20 ou 30 anos, horários desfasados da realidade, inexistência de intermodalidade de transportes...). 

É verdade que decorre um concurso público internacional para o serviço de transportes públicos no Alto Minho, mas, infelizmente, já foi anunciado que um dos grandes objectivos a atingir com este concurso será o de habilitar “as autoridades de transportes do Alto Minho de um conhecimento mais profundo das dinâmicas ao nível do transporte público rodoviário de passageiros”. Ou seja, nos próximos anos ainda estaremos a desenvolver uma experiência em grande escala. Certamente continuaremos todos a depender do transporte privado, com a imposição de tecnologias e combustíveis caros para os alto-minhotos que continuam longe do poder de compra nacional. 


Longe do poder

 

O Alto Minho, ou a “província” mais a norte, como os de Lisboa nos veem, continua longe, muito longe das decisões e investimento dos políticos. O gravitas eleitoral situa-se, cada vez mais, apenas nas grandes cidades. Partidos há que apenas representam esses eleitores citadinos, não existindo politicamente nos territórios do interior. Territórios que não conhecem nem parecem ter interesse em conhecer. 

A democracia também sangra por aí, pela falta de representatividade, pelo abandono do território que parece relegado à extravagância dos seus “produtos endógenos” consumidos momentaneamente pelos das cidades que se aventuram uns dias na “província”.  


segunda-feira, setembro 12, 2022

Alto Minho, artigo de 07-09-2022

Caro leitor, também tem saudades de quando no mês de Agosto se vivia a “silly season”?




Incêndios

Durante todo o mês fomos bombardeados pelas televisões com imagens de incêndios intermináveis, aldeias cercadas, entrevistas a pessoas na iminência de perderem todos os seus bens. Assistimos à descoordenação dos agentes no terreno, à falta de meios e, claro, à recorrente falha do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal, o famoso SIRESP, que nada mais é que a rede de comunicações exclusiva do Estado Português para o comando, controlo e coordenação de comunicações em todas as situações de emergência e segurança. 

Portugal foi o terceiro país da União europeia com mais área ardida.    


Serviço Nacional de Saúde

Pela propaganda que se vai ouvindo, não tem faltado investimento no SNS, no entanto a verdade é que não houve um dia durante o mês de Agosto que não fechassem serviços nos hospitais um pouco por todo o país. De que valem grandes frases e slogans quando depois assistimos ao caos nos hospitais? O SNS serve para acautelar as necessidades de assistência na saúde aos portugueses, é para isso que pagamos impostos. Se, apesar do investimento feito, não é isso o que acontece, é porque as opções políticas não são as corretas. Seja a montante, nas políticas de formação dos profissionais, seja a jusante, com a opção política de limitação e quase divorcio entre público e privado, a verdade é que algo terá de ser feito.


Forças policiais

Assistimos a uma grande preocupação em colocar agentes nas grandes cidades. A comunicação social nacional verteu rios de tinta sobre a falta de investimento em meios humanos e materiais nas forças de segurança nos grandes centros. O governo anunciou de imediato umas “carrinhas de proximidade”, que, afinal, se revelaram um grande flop. Algumas delas saíram em reboque poucas horas após o apagar das luzes dos directos no telejornais. 

E por cá? Pelo nosso interior, como vamos de investimento nas forças de segurança? Tentem ligar para a GNR de Ponte de Lima durante a noite. Apesar da simpatia dos agentes que nos atendem, infelizmente só têm um carro patrulha para todo o concelho. Se o leitor precisar de ajuda em Freixo, poderá ter o azar de ter de esperar que essa viatura possa sair de um ocorrência em Vilar do Monte (cerca de 30 quilómetros de distancia) para o poder ajudar.


Como o azeite

A verdade vem sempre ao de cima. Já diz na Bíblia, em Mateus 6:14, que "ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro”. Numa das primeiras páginas de Agosto deste jornal percebeu-se muito do porquê de tanto silêncio na política local de Ponte de Lima, nomeadamente na estrutura do maior partido da oposição.  


Requiescat in pace

Tive a sorte de, enquanto pré-adolescente/adolescente, assistir a uma das últimas verdadeiras tertúlias políticas de Ponte de Lima feitas num café, na mítica Havaneza. Embora a maioria fosse social democrata, dela faziam parte também pessoas de esquerda, do centro e até de direita. Alguns tinham cargos políticos, vereadores, deputados, membros da Assembleia Municipal, mas, na sua maioria, eram “simples” cidadãos preocupados com a sua terra e o seu país. Infelizmente, o mês de Agosto levou um dos membros dessa tertúlia. Fernando Lima, Tanito para os amigos, era um amante da boa mesa e da vida. Tinha um humor refinado e deu-me a honra de me chamar amigo. 

domingo, março 29, 2020

Alto Minho artigo de 26-03-2020



Ter de sair
Não é ao acordar, é ao fechar a porta que o medo nos assola o coração. Medo que seja a última vez que se bate a porta sem que o pouco do mundo ainda dito normal desapareça. Este é o sentimento de quem, como eu, sai todos os dias para trabalhar, no meu caso no atendimento ao público. Quando se ouvem relatos dos que trabalham na linha da frente dos hospitais, centros de saúde, IPSS, não se consegue perceber como, atendendo aos exemplos vindos de foram, Portugal não foi capaz de se acautelar, preferindo manter uma narrativa de que estava tudo bem, estávamos preparados, tínhamos material suficiente 
Não se consegue perceber como não se foram adquirindo mais ventiladores, mais máscaras, luvas e fatos de proteção. Como é possível surgirem apelos desesperados dos que estão lá, na linha da frente, não em teletrabalho ou em conferências de imprensa, mas nos pisos zero, nos corredores, a pedir, quase clandestinamente, aos amigos, aos conhecidos, à comunidade que ajudem materialmente ou monetariamente para que esses materiais sejam adquiridos. Onde estão os diretores, os responsáveis? Onde está o planeamento quando, pelo menos desde finais de janeiro, princípios de fevereiro, se tinha conhecimento da onda que se aproximava? 

Informação
Vejo nos telejornais notícias vindas do estrangeiro. São duras, por vezes até dou por mim a pensar se não deveriam ser filtradas, mas logo afasto esse pensamento. Sem sensacionalismo, as notícias, mesmo as muito más, devem ser divulgadas. É que,  mesmo com estas últimas, ainda há pessoas que parecem não perceber o que está em causa, que o deixar andar, o “é só esta vez agora não se aplica, porque os efeitos são catastróficos. A vida que tínhamos, neste momento, está ou deve estar suspensa.
É verdade que o que aconteceu na Povoa e em Vila do Conde neste último fim de semana é, no mínimo, revoltante. Mas há esperança, a grande maioria dos portugueses tem evitado sair desnecessariamente de casa. Deixou de ver fisicamente pais, avós, filhos, e com isso todos sofrem, todos sofremos. É um sofrimento comunitário por uma causa superior na tentativa de minimizar outro que corre o rico de ser maior.

Pequenas grandes coisas
A não participação física na eucaristia é algo que pessoalmente me pesa. Felizmente, a Igreja, graças a muitos párocos, consegui rapidamente e de forma fantástica aproveitar as novas tecnologias. Algo que deveria manter, mesmo quando ultrapassarmos esta pandemia, como forma de se aproximar da comunidade, dos doentes e dos que, por força maior, estão ausentes.
Outra situação é a compra de jornais. Sim, hoje as notícias encontram-se num clique, mas confesso que gosto de comprar em suporte papel, pelo menos dois títulos, o semanário Alto Minho e a revista Sábado. É por isso que deixo um agradecimento aos seus jornalistas e colaboradores e a quem nos faz chegar as nossas encomendas informativas, no meu caso a Catarina da KT. Store que se adaptou, como tantos comerciantes, entregando os jornais e revistas aos seus clientes da zona urbana de Ponte de Lima. 

sexta-feira, abril 20, 2007

Alto Minho artigo 20-04-2007

No site da autarquia limiana podemos encontrar a seguinte frase “todas as campanhas em prol da recolha selectiva do lixo, da reciclagem, da reutilização de materiais, nunca serão demais para que um programa de educação ambiental produza os seus frutos no mais breve espaço de tempo. Sabemos que muitas dessas campanhas têm tido um êxito assinalável (…)”. É verdade que o texto não é actualizado desde 2001, (fruto, certamente, da inexistência de uma política municipal de informação), em todo o caso, face às mais recentes declarações do Presidente da Câmara de Ponte de Lima, depreende-se que, neste campo, as prioridades do município já são outras. Sensibilização para a reciclagem e para a reutilização de materiais parece ser coisa do passado, agora entramos na época do “choque”.

Mas quais são na verdade os objectivos desta nova campanha de “choque”? Será que não é para preparar os limianos para um novo imposto desta feita sobre o lixo?

Um objectivo que parece evidente é o de tentar voltar os holofotes da comunicação social nacional novamente para Campelo. Aí sim, ninguém tem dúvidas sobre os resultados desta campanha. Em tempos de eleições internas para o partido de Campelo, o CDS, nada melhor que dar “isco” para a comunicação social “picar”.

Mas a campanha chama a atenção para o problema do lixo. Um problema onde por norma, como li algures num blog, todos temos a tendência para pensar que “os outros” é que não se sabem comportar, que “os outros” é que não têm cultura ambiental. A verdade é que é preciso implementar mais ecopontos pelo concelho, é preciso que o município não se fique pelo “choque”, é preciso mais e melhor informação do município para os seus munícipes.

Mas a semana passada chegou com mais uma “ideia de choque”. O Presidente da Câmara aludiu para a possibilidade de no próximo dia do ambiente colocar cerca de 30 toneladas de lixo no Largo de Camões, bem no centro da vila de Ponte de Lima, como forma de sensibilização. O meu primeiro pensamento foi para os comerciantes, certamente iriam “gostar imenso” de colaborar nessa campanha… Os cartazes da “campanha de choque” dizem "Em Ponte de Lima, seja limpo ou vá-se embora". Tem a certeza que quer despejar 30 toneladas de lixo na sede do concelho, senhor presidente?

quinta-feira, março 15, 2007

Alto Minho artigo de 15-03-2007

Uma verdade regional inconveniente

Um problema anexado à nossa ruralidade é o nosso individualismo. Cada um vê-se a si mesmo e fica feliz com isso. Não existem muitas dúvidas sobre a necessidade de um SAP nos Arcos de Valdevez, os concelhos dos Arcos e da Barca têm uma população muito dispersa e os acessos não são os melhores. Mas daí a usar argumentos do género de que Ponte de Lima não necessita de urgência por estar a 20 minutos de Viana é recorrer à demagogia. Infelizmente, aqueles dois concelhos parecem não desejarem a solidariedade vizinha, o que é, acima de tudo, pena. Mais uma vez a verdade da região veio ao de cima e quase parece já ser uma máxima alto-minhota o "cada um por si… -a não ser que me dê algum jeito envolver mais alguém para atingir os meus fins". Olhem para os exemplos recentes vindos de Viana do Castelo, de Monção, de Melgaço...

"Os de Lisboa" podem não saber muitas coisas, mas sabem quem vale o quê e quanto. Somos uma região pequena, mas, mesmo nesta, 30 mil pessoas não é exactamente o mesmo que 100 mil e 100 mil não é o mesmo que 300 mil. Se se continuar a apostar no micro cosmo, no umbiguismo, bem podem agitar bandeiras os deputados do PCP do Porto (o PCP não tem deputados por Viana do Castelo e os do Porto vêm cá dar uma perninha) ou o do CDS de Viana do Castelo que em nada irá resultar. Infelizmente, no Alto Minho ou se é pelas lógicas nacionais ou pelas lógicas de coutada, não há o intermédio. Mais uma vez é pena porque seria neste que encontraríamos a força, o chamado lobi, para que "os de Lisboa" passassem a respeitar a nossa região.

sexta-feira, novembro 18, 2005

Diário do Minho 2005

O caso da Seara já foi há um ano. Iremos esperar muito para que um outro caso
aconteça?

Um ano depois, a explicação para o que aconteceu na freguesia da Seara em Ponte de Lima é a da febre escaro-nodular vulgarmente conhecida por febre da carraça. Na altura chegou a pôr-se a hipótese da contaminação das águas dos poços, não se vindo, contudo, a confirmar. No entanto, há uma probabilidade muito real de num futuro próximo ocorrer um caso derivado ao consumo de águas impróprias dos poços caseiros. Há pouco tempo, o Jornal de Notícias noticiava que das 400 análises feitas no concelho de Ponte de Lima, em 2002 e 2003, metade dos poços estavam contaminados por «bactérias de origem fecal». Depois desta revelação só a apreensão se pode instalar nas nossas mentes. Então 50% dos poços analisados pela delegação de saúde estão contaminados e isto não provoca reacção de nenhum partido, de ninguém na sociedade dita civil?
Se extrapolarmos, e podemos faze-lo, estes dados para os poços que não são analisados, e estes são a maioria, fica-se com uma situação das mais preocupantes. Esta representa uma bomba relógio prestes a explodir e seria bem melhor desarmadilhar a bomba do que minimizar à posteriori os seus danos. O que dizem os senhores candidatos autárquicos ao saberem que a maioria da população limiana que os elegerá incorre no risco de beber água contaminada por «bactérias de origem fecal»? Se pensarmos que a água é, certamente, infectada pelas fossas das casas e que uma percentagem enorme da população limiana não tem alternativa aos seus poços e fossas, surge logo uma pergunta: porque que é que o poder político não investe muito mais nesta área? Se é um facto que o investimento nesta última década foi muito escasso porque é que não houve uma oposição que o exigisse? A resposta será por ventura o desabafo que se ouve nas ruas; que em Ponte de Lima não há oposição, que esta apenas aparece de quatro em quatro anos, atabalhoadamente, e logo desaparece com a noite eleitoral?
O nosso concelho não pode querer ser o mais florido, ser património da humanidade, apregoar ser um exemplo em novas tecnologias quando o mais básico do básico não existe. Não se pode esperar que uma tragédia aconteça, é preciso recuperar o tempo e acreditem que este é escasso.
Há mais de uma década que foi construída uma ETAR. Esta fica localizada perto da igreja de N. S. da Guia. Como é que ela tem funcionado? A falta de investimento na área do tratamento de esgotos e no abastecimento de água é gritante no nosso concelho. Não se pode ficar apenas por promessas vãs. É preciso actuar. Não se pode pactuar com ligações de águas residuais à rede de escoamento das águas pluviais. Não se pode passar junto ao rio sem sentir o cheiro e verificar a coloração da água (?) que sai junto à Avenida dos Plátanos ou junto ao Centro Náutico. Os jovens limianos ainda se banham nas águas do Rio Lima e estas absorvem as anteriores. Não haverá consequências?
Porque é que no século XXI, em Ponte de Lima, a população ainda tem que recorrer à água dos poços e a fossas sépticas? Porque somos o último concelho em percentagem de cobertura da rede de água e saneamento básico (?) em todo o distrito de Viana?