Algumas questões
Primeira questão: Na semana passada, este jornal noticiava que as reuniões da Assembleia Municipal de Ponte de Lima iam continuar sem transmissões em directo, isto porque ainda não tinham conseguido uma alternativa depois da recusa, no passado mês de Junho, de um dos seus membros a autorizar o tratamento dos seus dados pessoais, imagem e áudio. Não se entende a razão de não se informar aos eleitores quem foi que tomou essa decisão. Seria mais transparente se o fizessem. Será que esse membro não percebe que é eleito para dar a cara pelos seus eleitores? Se não perceber isso, o melhor seria renunciar ao mandato.
Segunda questão: Há uns anos, nos corredores da Assembleia Municipal de Ponte de Lima, diziam, com uma pontazinha de inveja, que a freguesia de Arcozelo era, à nossa escala, como os países árabes. Como aqueles, não tinha problemas de dinheiro, embora sem petróleo, tinha a exploração das pedreiras. Na verdade, com esse dinheiro, muito foi feito na freguesia, mas muito mais se poderia fazer, principalmente ao nível social e cultural.
Uma discussão adiada, até porque nada nos preparou para o que se vive actualmente. Não existe dinamismo cultural, nem associativo. O que se encontra na segunda vila do concelho de Ponte de Lima equipara-se ao que se encontra numa das mais pequenas e recônditas freguesias do concelho, por vezes, nem isso. E o dinheiro das pedreiras? A dívida acumulada, que se adensa ano após ano, já ultrapassa largamente o investimento planeado para o conjunto das áreas sociais, culturais, recreativas e religiosas até ao ano de 2030. Aparentemente, os responsáveis por cobrar as rendas parecem conformados em… não as receber.
Terceira questão: Começou nas bombas de gasolina e paulatinamente foi alargando-se a outros sectores. Da cultura ao grande comércio, até à venda de roupa, agora o cliente passou a ser também o empregado da loja que escolheu para fazer compras. O self-service passou a ser recorrente e, por vezes, até a única opção para as compras em loja. A IA não é para o futuro, é já uma realidade que nos obriga a falar com centrais de apoio virtuais e sem humanos.
Com a “ajuda” da IA e a facilidade com que cedemos os nossos dados, até quando é que estaremos a salvo de uma constante análise ao nosso comportamento, que influenciará o que pagamos pelos serviços e bens que queremos obter? E, sim, já vivemos a era do desaparecimento real de empregos, onde os humanos são substituídos por máquinas/IA.
Quarta questão: A “novela Ronaldo” deu para confirmar o que há muito se suspeitava. A comunicação social, detida por grandes grupos de investimento, serve, na sua maioria, não para informar, mas para “formar”. Reparem como o tema foi abordado pelos grupos de comunicação. Os órgãos de comunicação social do grupo Média Livre tiveram uma abordagem num só sentido, o da crítica ao selecionador nacional. Terá a entrada do capital de Ronaldo nesse grupo influenciado para que, mesmo de forma inconsciente, isso acontecesse? Agora extrapolemos para coisas verdadeiramente importantes. Poderá um grupo económico com interesses políticos, ao controlar financeiramente um grupo de média, influenciar a sua programação para “formar” a consciência política dos cidadãos? Seremos nós, simples cidadãos, capazes de discernir quando estão a tentar influenciar/encaminhar o nosso pensamento?

