Menos protagonistas!
Nestes dias em que só se fala de protagonistas e não de futebol, devemos voltar o olhar para o que realmente importa. O futebol “romântico” de antigamente parece já não existir, engolido por um negócio multimilionário. No entanto, o verdadeiro romantismo ainda sobrevive, mas longe dos grandes palcos. Reside quando promove a construção de uma sociedade e de uma comunidade melhor.
Basta percorrer os campos da nossa região, para testemunhar milhares de jovens que dedicam o seu tempo a treinar e a jogar. São rapazes e raparigas de diferentes estratos socio-económicos, culturas e nacionalidades, todos unidos pelo mesmo objectivo. Ali, maioritariamente no relvado sintético, descobrem muito mais do que tática ou técnica. Interiorizam o valor da solidariedade, da tolerância e do companheirismo. Aprendem a celebrar a vitória, mas também a gerir a frustração em grupo, lembrando-nos de que o futebol é, acima de tudo, um esforço colectivo. Sem divisões, onde o individual está ao serviço do grupo.
Este deve ser o grande propósito dos clubes e das associações locais. Pensar o contrário é ignorar a realidade. Os relatórios da FIFA e estudos globais alertam que a transição da formação para uma carreira profissional consolidada deixa uma taxa de insucesso de aproximadamente 99%.
Esta verdade crua precisa de ser apresentada frontalmente aos pais, até para evitar que as expectativas irrealistas destruam o trabalho pedagógico feito na formação. Quem sabe se a confrontação com a estatística, só 1% a nível nacional chegará a profissional do futebol, não ajudaria a que deixassem de existir certas situações vergonhosas e violentas nas bancadas que, infelizmente, ainda mancham os jogos dos nossos miúdos.
Penumbra
Finalmente as luzes “festivas” da vila de Ponte de Lima foram desligadas. Não que as ache feias, ou desenquadradas com o nosso património. O problema é a banalização. As luzes já estavam acesas há, talvez, mais de dois anos e o efeito esmorece com a habituação.
A primeira vez que a ponte e as fachadas foram iluminadas com essas luzes festivas foi num Natal e penso que a presidência da Câmara era exercida por Daniel Campelo. O efeito foi avassalador! A iluminação da ponte, a sacada das janelas dos edifícios do centro histórico realçada levava-nos imediatamente a pensar “que bonita é a nossa vila”. Mas, de iluminação de Natal até passar a ser iluminação para qualquer feira ou actividade na vila, foi um pequeno passo. A surpresa foi diminuindo e a banalização aumentando à medida que a habituação se instalava.
Finalmente foram apagadas. A penumbra voltou, as luzes ornamentais voltaram a rasgar a escuridão e a devolver o charme ao centro histórico.
Não se pode é esquecer de mudar as lâmpadas que, entretanto, fundiram, ou as ligações eléctricas que foram desligadas. A nossa velha ponte medieval deve ter um cuidado extra, é o ex-libris de Ponte de Lima, não pode ter uns arcos iluminados e outros não.

