Constatação
Uma “verdade” que ruiu no passado dia 18 de Janeiro foi a de que o apoio dos líderes autárquicos faz a diferença nas eleições nacionais. Afinal, em nada influenciam as escolhas dos eleitores do concelho que lideram.
No nosso distrito, os concelhos mais visitados pelos candidatos presidenciais foram Viana do Castelo, Ponte de Lima e Arcos de Valdevez. Nestes concelhos, os presidentes de Câmara de Viana do Castelo e de Ponte de Lima apoiaram a candidatura de Gouveia e Melo, pois bem, em Viana do Castelo, Melo ficou em quarto e, em Ponte de Lima, em quinto. O presidente da Câmara de Arcos de Valdevez apoiou a candidatura de Marques Mendes, tendo este passado pelas ruas do concelho para sentir uma “onda de apoio”, no entanto, no dia dezoito, obteve naquele concelho um inesperado terceiro lugar.
Há, de facto, uma mudança na mentalidade do eleitorado. Numa eleição não partidária, personalizada, os eleitores assumiram, quase na plenitude, essa premissa. Basta olhar para o nosso distrito para perceber que, por exemplo, comparativamente com eleições presidenciais do passado, o eleitorado “natural” da área social-democrata/centrista retalhou-se em três (Mendes, Cotrim e Melo) e meio (sim, Seguro já conseguiu, nesta primeira volta, captar algum desse eleitorado).
Assim, temos a escolha entre um Seguro, que inicialmente foi ostracizado pela nomenclatura e estrutura socialista, e que vale mais que o PS, e um Ventura, em contra-ciclo, que ao segurar (quase todos) os eleitores do seu partido, beneficiando da divisão do centro-direita, garantiu a passagem à segunda volta.
Passada a surpresa, entramos no tempo das escolhas.
A escolha
A segunda volta não será um embate entre a direita ou a esquerda, entre o extremismo ou a moderação, o socialismo ou a extrema direita. Será a escolha entre quem nos dá garantias de estabilidade, cumprimento da Constituição, respeito pelas instituições, pelo primado do direito, pelo respeito ao próximo, e quem não nos dá garantia de nada disso.
A segunda volta será a escolha daquele que, entre os dois, achamos que tem a “gravitas”, ou seja, a seriedade, dignidade e autoridade necessárias para o desempenho da função presidencial. Não é um referendo ao governo, não é um “cartão vermelho” ao “sistema” ou ao “socialismo.
Entrevista
Li a entrevista e o resumo biográfico que o recém-eleito presidente da Câmara de Paredes de Coura, Tiago Cunha, deu aqui ao “Alto Minho”. A sua extrema humildade e desprendimento, o amor à terra e à comunidade, onde sempre esteve envolvido, justificam o seu sucesso eleitoral. Como não gostar de um agente político assim.
Deve ser bem difícil, o trabalho da oposição. E é, também por isso, que o resultado que o PSD obteve nas autárquicas, em Paredes de Coura, é digno de nota.
Como seria bom que exemplos de amor e serviço à terra, ao próximo, se multiplicassem no “mundo” da política.