domingo, fevereiro 01, 2026

Alto Minho, artigo de 29-01-2026

Constatação

Uma “verdade” que ruiu no passado dia 18 de Janeiro foi a de que o apoio dos líderes autárquicos faz a diferença nas eleições nacionais. Afinal, em nada  influenciam as escolhas dos eleitores do concelho que lideram. 

No nosso distrito, os concelhos mais visitados pelos candidatos presidenciais foram Viana do Castelo, Ponte de Lima e Arcos de Valdevez. Nestes concelhos, os presidentes de Câmara de Viana do Castelo e de Ponte de Lima apoiaram a candidatura de Gouveia e Melo, pois bem, em Viana do Castelo, Melo ficou em quarto e, em Ponte de Lima, em quinto. O presidente da Câmara de Arcos de Valdevez apoiou a candidatura de Marques Mendes, tendo este passado pelas ruas do concelho para sentir uma “onda de apoio”, no entanto, no dia dezoito, obteve naquele concelho um inesperado terceiro lugar.

Há, de facto, uma mudança na mentalidade do eleitorado. Numa eleição não partidária, personalizada, os eleitores assumiram, quase na plenitude, essa premissa. Basta olhar para o nosso distrito para perceber que, por exemplo, comparativamente com eleições presidenciais do passado, o eleitorado “natural” da área social-democrata/centrista retalhou-se em três (Mendes, Cotrim e Melo) e meio (sim, Seguro já conseguiu, nesta primeira volta, captar algum desse eleitorado). 

Assim, temos a escolha entre um Seguro, que inicialmente foi ostracizado pela nomenclatura e estrutura socialista, e que vale mais que o PS, e um Ventura, em contra-ciclo, que ao segurar (quase todos) os eleitores do seu partido, beneficiando da divisão do centro-direita, garantiu a passagem à segunda volta. 

Passada a surpresa, entramos no tempo das escolhas.


A escolha


A segunda volta não será um embate entre a direita ou a esquerda, entre o extremismo ou a moderação, o socialismo ou a extrema direita. Será a escolha entre quem nos dá garantias de estabilidade, cumprimento da Constituição, respeito pelas instituições, pelo primado do direito, pelo respeito ao próximo, e quem não nos dá garantia de nada disso. 

A segunda volta será a escolha daquele que, entre os dois, achamos que tem a “gravitas”, ou seja, a seriedade, dignidade e autoridade necessárias para o desempenho da função presidencial. Não é um referendo ao governo, não é um “cartão vermelho” ao “sistema” ou ao “socialismo. 


Entrevista 


Li a entrevista e o resumo biográfico que o recém-eleito presidente da Câmara de Paredes de Coura, Tiago Cunha, deu aqui ao “Alto Minho”. A sua extrema humildade e desprendimento, o amor à terra e à comunidade, onde sempre esteve envolvido, justificam o seu sucesso eleitoral. Como não gostar de um agente político assim. 

Deve ser bem difícil, o trabalho da oposição. E é, também por isso, que o resultado que o PSD obteve nas autárquicas, em Paredes de Coura, é digno de nota.  

Como seria bom que exemplos de amor e serviço à terra, ao próximo, se multiplicassem no “mundo” da política.   

domingo, janeiro 25, 2026

Alto Minho, artigo de 15-01-2026

Domingo é dia de eleições

Depois de meses de pré-campanha, eis que chegamos, finalmente, à campanha eleitoral. Infelizmente, em vez de melhorar o tempo político, a campanha trouxe à tona uma realidade que há muito não se queria assumir. Vivemos tempos onde a suspeita impera e é promovida, onde a hipocrisia reina e se torna o sal e a pimenta do prato da política. 

A bolha da comunicação social nacional e das redes sociais tornaram-se o vórtex da discussão, arredando os temas que realmente interessam. O que parece importar é a “tracking poll” de uma cadeia de televisão, é que nem se trata de uma sondagem, mas, com a conivência dos média, influencia todo o debate. Faz, inclusive, com que alguns candidatos, que até agora se viam como impolutos, se transformem em profundos populistas, sem escrúpulos, não hesitando em cavalgar não argumentos, fazendo acusações e levantando suspeitas totalmente infundadas, colocando o acusado numa situação onde já não é a acusação que tem de provar o que acusa, mas o acusado a provar a sua inocência. Invertendo o básico princípio do direito da presunção de inocência, aproveitam-se das percepções que essas situações produzem nos eleitores.

Só vejo uma vantagem nisto. Se observarmos bem, rapidamente percebemos quem tem e quem não tem o estatuto e capacidade para que lhe seja confiada, pelos seus concidadãos, a mais alta magistratura do país. 


Jovens na política


A JSD de Ponte de Lima voltou. Li, com bastante interesse, a entrevista do seu novo líder, João Barreiro. Achei curioso que um dos temas que a JSD limiana já abordava em 2009, continue, ainda hoje, a ser actual. Não se compreende que ainda não exista, no nosso concelho, um Conselho Municipal de Juventude. Há uma lei que estabelece o seu regime jurídico, definindo a sua criação, composição e competências. É a Lei n.º 8/2009, de 18 de Fevereiro,  que posiciona o Conselho Municipal de Juventude como um órgão consultivo, obrigatório, que se pretende que seja representativo dos jovens do concelho, que se pronuncia sobre políticas de juventude, com pareceres sobre planos, orçamentos, etc. Por ser um orgão consultivo, onde se promove a participação dos jovens, não se percebe o porquê da não criação no concelho limiano.

Esperemos que a maioria reconheça a sua pertinência e que aconteça como no caso do orçamento participativo, uma ideia apresentada há muitos anos pela oposição, recusada, sistematicamente, por quem liderava o executivo municipal é, hoje, um factor de orgulho, sendo apresentado como exemplo de boas práticas do executivo.  


Uma realidade


A Associação Desportiva “Os Limianos” viu ser assegurado pelo presidente do município de Ponte de Lima, na festa dos seus 73 anos, que o novo estádio vai ser mesmo uma realidade. Tal como escrito por aqui em Novembro, o Municipio de Ponte de Lima pretende, em conjunto com a Associação de Futebol de Viana do Castelo, aproveitar a preparação do Mundial de futebol de 2030 para reforçar a centralidade e atractividade do concelho. Depois do caminho das pedras para alcançar as licenças, tudo indica que, já no inicio deste Verão, teremos o avançar vigoroso do projecto que permitirá o clube mais representativo do concelho a almejar outros voos nas ligas nacionais.  

domingo, janeiro 11, 2026

Alto Minho, artigo de 08-01-2026

Transformação eléctrica

Todos os dias somos abordados pela máxima de que temos de investir na transformação eléctrica. Carros eléctricos, fogão eléctrico, aquecimento da casa elétrico, a electricidade é verde e vem salvar-nos do caos ambiental em que nos embrulhamos. 

Não, caro leitor, não vou escrever sobre a falácia presente nessa visão, vou, apenas e só, descrever uma situação que vivi recentemente. Na noite de Natal, lá para os lados de Sabadão, em pleno centro da vila de Arcozelo, no concelho de Ponte de Lima, várias famílias tiveram de recorrer a botijas de campismo para a confecção da ceia de Natal. O motivo não foi a vontade de viver experiências ao ar livre. Como já reportado há vários meses à E-redes, a energia que chega às casas daquela zona, apesar de paga e contratualizada, não é a suficiente para sequer ligar o fogão eléctrico para preparar as refeições. A luz que ilumina as casas é, digamos, romântica, pelo lusco-fusco e constante piscar, quase parecendo a luz imanada pela chama de velas. Como é possível, apesar das queixas, passarem-se meses e a capacidade da rede eléctrica continuar miserável, longe do contratualizado? Imaginem se, nas centenas de casas que por lá existem, tivessem de carregar carros eléctricos, teríamos, certamente, o colapso da rede na maior freguesia do concelho de Ponte de Lima. 

Ora aqui está um bom tema para os responsáveis políticos locais trabalharem. 


Paradigmas 


Nos últimos 7 anos, quase todos os fins de semana, faça chuva, frio ou calor, tenho percorrido os campos de futebol, um pouco por todo o distrito, assistindo a jogos de formação. Li, aqui no Alto Minho, um artigo sobre formação desportiva e a constatação de uma situação que estará a ocorrer nos campeonatos distritais de futebol de formação. A questão de base seria a motivação que uma equipa, os seus atletas, teriam, quando jogo a pós jogo, perdem por números mais habituais noutras modalidades que não o futebol e até que ponto seria saudável, para a formação daqueles atletas, tal situação. 

Na maioria dos casos, o financiamento dos clubes chega dos apoios municipais, estando estes, normalmente, associados ao número de atletas e competições onde participam. Se não participarem nas competições e se tiverem um “overbooking” de atletas num escalão, perdem a comparticipação municipal e a mensalidade dos pais. Em clubes que vivem do amor ao futebol e à terra, do voluntariado de quem dá o seu tempo, perder o financiamento que permite ao clube a sua sobrevivência é algo naturalmente impensável, que se tende a combater sem se olhar a potenciais vítimas.   

Existindo, em escalões inferiores, muitos atletas, os clubes optam por formar equipas em escalões superiores maioritariamente constituídas por atletas mais novos. Apesar de ser “vendida” a ideia de que tal situação se deve à boa performance dos atletas mais novos, em muitos dos casos, os planteis são “reforçados” por estes de forma a permitir a participação do clube naquele escalão, mantendo os atletas no clube. Em idades em que a diferença de crescimento é deveras notória, facilmente é perceptível o motivo de resultados tão díspares. O desenvolvimento e capacidade física são factores diferenciadores. Por mais que exista treino e qualidade de jogo no processo formativo, se enfrentarem uma equipa em igual patamar formativo, mas com jogadores com quase o dobro do seu peso e altura, será muito difícil alcançar sucesso desportivo.

Talvez se tenha de olhar primeiro para o modelo de financiamento dos clubes e aí, deverá ser a Federação de Futebol a ter uma voz activa junto da Associação Nacional de Municípios Portugueses.      

 

 

domingo, janeiro 04, 2026

Alto Minho, artigo de 30-12-2025

Novo Ano, novas eleições

Com a chegada de 2026 seremos chamados a mais um acto eleitoral. Iremos escolher o Presidente da República, o Chefe de Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas. Alguns dirão que já estão fartos de eleições. Realmente, desde 2024, somos chamados, sucessivamente, a fazer escolhas em legislativas, europeias, novamente legislativas e autárquicas. Há, no entanto, que perceber que pior seria se não o pudéssemos fazer. 


Uma porta aberta para o passado


Winston Churchill, parafraseando George Santyana, num discurso de 1948 na Câmara dos Comuns, disse que “aqueles que falham ao aprender com a história estão condenados a repeti-la.”. Os Arquivos são um dos espaços onde podemos encontrar e aprender com a história.

Felizmente, nos 10 municípios do Alto Minho, existem arquivos municipais onde se preservam documentos que fazem a história local. Quase todos eles proporcionam serviços de leitura, de pesquisa nos referidos documentos, sendo que, também, em quase todos eles, podemos encontrar formas digitais de acesso a muito do seu fundo documental. 

O Arquivo Distrital de Viana do Castelo (ADVCT) esteve profundamente ligado à criação desses arquivos. Em 2003, foi criada uma Rede de Arquivos no Alto – Grupo de Trabalho de Arquivistas do Alto Minho, que foi fundamental para a criação de sinergias entre profissionais e arquivos. Depois de algum tempo com alguma limitação de funcionamento, está, novamente, o ADVCT, com os Arquivos Municipais, a revitalizar a referida rede. Um dos objectivos é trazer os arquivos para junto dos cidadãos, e, através da documentação custodiada, dar a conhecer a história da nossa comunidade. As possibilidades são imensas, pelo que os pequenos passos que se estão a dar neste momento terão, certamente, boas repercussões no futuro da memória coletiva.  

 

Decisões difíceis


Com a mudança no executivo municipal de Melgaço, chegou a dura verdade. O encontro com a realidade deu-se quando, após os avisos do presidente José Albano Domingues, saiu a notícia da decisão de suspensão do MDoc – Festival Internacional de Documentário. 

O Bloco de Esquerda logo fez sair um comunicado, onde mencionava o “ataque à cultura”, uniu-se um coro de críticas nas redes sociais, mas, eis que a realidade, essa força que nos devolve à terra, fez perceber o motivo dessa decisão. A realização da edição do ano de 2026 iria custar cerca de 167.000,00 euros. Por mais incrível que pareça, o Município, segundo os actuais responsáveis, não dispõe dessa verba. Para o presidente da Câmara, a escolha era entre “deixar de apoiar as instituições, associações e freguesias do concelho, aumentar exponencialmente as tarifas de serviços básicos como água, saneamento e resíduos sólidos, desinvestir em saúde, educação, habitação e ação social, ou suspender o festival MDoc”. O edil melgacense não teve dúvidas de qual seria a melhor decisão. É nestas alturas, nas decisões difíceis, que se vê quem é eleito para ajudar as populações.       

domingo, dezembro 21, 2025

Alto Minho, artigo de 18-12-2025

 Será mesmo a escuridão a chegar?

Já repararam que quase ninguém compra jornais nacionais em papel? Basta estar atento numa qualquer sala de espera, ninguém com um livro, ninguém com um jornal ou revista. Todos amarrados a ecrãs na palma da mão. Se pensarmos bem, um dos últimos redutos dos jornais nacionais em papel, onde estes ainda são, pelo menos, folheados, serão os cafés, pastelarias ou as mercearias de aldeia. Ler em papel, num objecto com princípio e fim, sem o infinito scroll, é já algo em extinção. Imagine, agora, a atractividade de esperar para ler em papel o que já ontem se leu na palma da mão, ou se viu na televisão. 

Os jornais nacionais desistiram do dito “país real” e nunca poderão vencer o imediatismo informacional que reina no nosso mundo. Poderiam diferenciar-se, mas deixaram de escrever noticias, reportagens, textos sobre as regiões do interior que apenas têm “direito a pintar” as suas folhas, caso ocorra alguma catástrofe ou algum crime macabro. Perderam-se nas “lutas” por causas que não dizem nada às pessoas fora dos circuitos bem-pensantes de Lisboa ou do Porto. Preferem “catequizar” que reportar. Pois bem, o “país real” retribuiu desistindo dos jornais nacionais em papel.

Confesso que me preocupa mais o desaparecimento do jornalismo local, dos jornais regionais, como este que está a ler. Estes sim, deveriam receber apoios para terem e manterem nos seus quadros jornalistas, editores, revisores, paginadores. Deveriam ter apoio para continuarem a prestar o serviço público de noticiar a sua região, para lutarem contra a crescente substituição do jornalismo por comunicação institucional. Para continuarem a produzir um jornal que, embora possa ter presença online, inclua peças jornalísticas em papel. Imagine um mundo onde a informação sobre o que se passa à sua volta lhe chega unicamente através do filtro de quem governa, através de uma rede social qualquer ou numa página web institucional. Não precisa de imaginar, encontra muitos exemplos, há vários livros, séries ou documentários sobre as ditaduras fascistas, sobre os países da Europa de Leste durante a cortina de ferro, sobre os regimes não democráticos da América Latina ou do Oriente. 

Como escreveu Maria Corina Machado, na passada semana, aquando da aceitação do Prémio Novel da Paz, “até a maior democracia fica mais fraca”.


25 anos, tempo de agradecimento


A Área de Paisagem Protegida Regional das Lagoas de Bertiandos e São Pedro d’Arcos iniciou as comemorações do seu 25.º aniversário. A história começa, no entanto, muito antes do dia 11-12-2000, com centenas e centenas de jovens limianos que, desde os anos 70, fizeram, orientados por António Mário Leitão, vários trabalhos de campo descobrindo a riqueza ambiental daquela zona. Foi esse trabalho inicial que resultou no projecto, liderado pelo então presidente da Câmara de Ponte de Lima, Daniel Campelo, e que viria a culminar no Decreto Regulamentar n.º 19/2000. 

Seria, até como forma de agradecimento da comunidade limiana, justo que, nas comemorações do 25.º aniversário, o município agraciasse essas duas personalidades fundamentais para a existência de um dos espaços naturais mais icónicos de Ponte de Lima. 

domingo, dezembro 14, 2025

Alto Minho, artigo de 11-12-2025

 "Eu sou eu e minha circunstância, e se não a salvo a ela, não me salvo a mim"*

O PSD de Ponte de Lima entrou em processo conducente a eleições internas.  Pedro Salvador, ex líder da bancada social democrata no mandato 2017 a 2021, em entrevista a este jornal, apresentou-se como candidato à presidência da concelhia com algumas criticas à situação do partido. O actual presidente, Filipe Amorim, quis replicar, também aqui, no Alto Minho. Ao invés de rebater os argumentos apresentados, preferiu fazer insinuações e comparações entre os resultados de 2017 e 2025. Esqueceu-se, no entanto, das circunstâncias que envolveram as duas eleições. 


2010 a 2013


No rescaldo das eleições autárquicas de 2009, já no início de 2010, foram convocadas eleições internas no PSD limiano. Concorreram duas listas, uma liderada por Manuel Barros e outra liderada pelo então recém eleito vereador, Filipe Viana, que se recandidatava. Manuel Barros venceu por maioria absoluta. Alguns militantes, não aceitando a mudança escolhida pela larga maioria dos seus companheiros de partido, organizaram-se em torno do vereador num autoproclamado movimento que, de facção interna, se transformaria num movimento independente que viria a chamar-se Movimento 51. 

Se o rosto da cisão foi o do então vereador, este teve o respaldo de alguns militantes que tinham tido responsabilidades nas autárquicas de 2009. Paulo Morais, que tinha sido cabeça de lista do PSD à Assembleia Municipal, José Nuno Vieira de Araújo, que, mais tarde, chegou a liderar a bancada da Assembleia Municipal do PSD e se viria a desfiliar do PSD, Manuel Laranjeira, antigo director da campanha autárquica de 2009, entre outros que passaram a ser presença assídua nos encontros públicos do M51 e no apoio e, até, na integração nas listas candidatas deste movimento às autárquicas de 2013 e , mais tarde, nas de 2017. 

A participação de pessoas ligadas ao PSD nas actividades do M51 criou alguma confusão, dividindo o eleitorado social-democrata. Nessas eleições, embora perdendo 10% dos eleitores, o CDS perdeu apenas um vereador para o Movimento 51, que ficou em terceiro lugar, atrás do PSD. 


2013 a 2017


Ultrapassando a divisão, o PSD uniu-se, começando a falar a uma só voz nos vários órgãos autárquicos. O que o vereador proponha no executivo municipal era o que a bancada do PSD defendia na Assembleia Municipal e era o que a Comissão Política local tornava público. As reuniões pelas freguesias foram uma constante. Vários dos assuntos levantados pelos eleitos sociais-democratas, em reuniões dos diferentes órgãos autárquicos, sairam precisamente das preocupações transmitidas nessas reuniões. O número de militantes foi crescendo, fruto da forma construtiva, firme e determinada da acção política do PSD e seus eleitos. As reuniões internas, realizadas em conformidade com os estatutos, eram bastante participadas e palco de  discussões de assuntos relativos à realidade do concelho.

Quando foi necessário escolher o cabeça de lista à Câmara Municipal, o Plenário dos militantes, na altura liderado pelo actual líder do PSD local, Filipe Amorim, votou, numa sala cheia, com bastante participação, unanimemente e por aclamação a proposta da Comissão Política da recandidatura de Manuel Barros, na altura a exercer o cargo de vereador. Nessas autárquicas, apresentou-se a eleições, pela primeira vez, Abel Baptista. O movimento independente PLMT, embora com o apoio do PS, tinha na sua génese elementos ligados ao CDS. Iria dividir o eleitorado centrista? Na contagem de votos percebeu-se que a novidade do movimento de Abel Baptista afinal não retirará votos ao CDS, que manteve basicamente a mesma votação de 2013, mas a toda a oposição. O PSD perdeu cerca de 5% dos votos para a eleição do executivo municipal e cerca de 6% para a da Assembleia Municipal. A concentração de votos no PLMT elegeu 2 vereadores para essa força política. O PSD passou a terceira força eleitoral, ficando de fora do executivo municipal por uma centena de votos. Na Assembleia Municipal, passou de 8 para 5 membros. Já nas freguesias, conseguiu aumentar o número de eleitos e o de presidências das juntas, elegendo 4 em listas do PSD e uma como independente, com o apoio público do PSD.  


Consequência

 

Apesar da subida de eleitos nas assembleias de freguesia e da conquista de 5 presidências de junta e de muitos dos independentes que participaram no processo autárquico pedirem para se filiar, a Comissão Política local não se escudou em desculpas nem empurrou para outros a responsabilidade, assumiu-a e antecipou as eleições internas não se recandidatando. Eleitos em 2018, em lista única, os lideres locais do PSD não tiveram a organização de grupos internos de oposição, não tiveram facções a criar movimentos nem tão pouco enfrentaram novos movimentos cívicos. Tiveram sempre a disponibilidade dos anteriores lideres, mas nunca precisaram dela. Geriram, durante 8 anos, como entenderam, trabalharam com quem quiseram. Tudo o que hoje o PSD é e, acima de tudo, o que não é, no concelho, é da sua inteira responsabilidade. Depois de todos estes anos, apesar do fim do M51 e do declínio do PLMT, o PSD continua a ser a terceira força autárquica. Tentarem menorizar os que apresentam outro caminho com comparações de circunstâncias completamente diferentes talvez seja o maior reflexo do vazio onde se chegou e da necessidade de mudar.


* Meditaciones del Quijote / José Ortega y Gasset 

domingo, dezembro 07, 2025

Alto Minho, artigo de 04-12-2025

 “(…) o PSD tem denunciado com veemência a falta de revisão do PDM em Ponte de Lima” 

A frase que dá título a este texto é retirada de um comunicado do vereador do PSD, José Nuno Araújo, de Abril de 2023. É apenas um exemplo. O tema tem sido uma bandeira do PSD, nos últimos anos, e o vereador o seu rosto. É, aliás, um dos únicos temas que se associa ao PSD e ao seu vereador.

Eis que, finalmente, na reunião do executivo do passado dia 25 de Novembro constava o ponto “Plano Diretor Municipal (2ª revisão)”. Depois de anos a pedir que este momento chegasse, o vereador do PSD, provavelmente com a anuência dos líderes concelhios, não compareceu na reunião, solicitando a sua substituição pelo elemento seguinte na lista. Filipe Lima, antigo presidente da Junta de Freguesia da Seara, actual membro e presidente da Assembleia de Freguesia da Seara, convocado, apresentou-se na reunião. É, no entanto, surpreendido pelo presidente da Autarquia que o informa de que, apesar de ter sido convocado, não poderá tomar assento na reunião enquanto vereador. O motivo? A lei. A Lei Orgânica nº1/2001 na alínea b) do ponto 1 do Artigo 221 é clara: “É incompatível, dentro da área do mesmo município, o exercício simultâneo de funções nos seguintes órgãos: b) Câmara Municipal e assembleia de freguesia”. Pelo que se pôde ler na notícia sobre a reunião de Câmara, Lima, surpreendido, terá contactado os serviços jurídicos do PSD que o informam sobre a existência de incompatibilidade. Pediu, de imediato, a suspensão de membro da Assembleia de Freguesia, mas, porque a reunião já decorria, não foi aceite a sua participação como vereador. Com isto tudo, pede a palavra como membro do público, a reunião é pública, mas é novamente surpreendido pelo Regimento da Câmara Municipal de Ponte de Lima que, no ponto 2 do artigo 10, afirma que “Os cidadãos interessados em intervir terão de fazer a sua inscrição no período compreendido entre "Período de Antes da Ordem do Dia" e a "Ordem do Dia””. Ora, como esse período já tinha sido ultrapassado, foi-lhe, ao abrigo do referido Regimento, negada a palavra.

Em reação a este insólito e desastrado caso, o vereador do PSD, José Nuno Araújo, divulga um comunicado onde afirma que o “PSD viu-se, assim, impedido de poder dar o seu contributo na reunião de Câmara, nos mais diversos pontos da Ordem do Dia, incluindo o da Revisão do PDM”. O vereador tem razão, mas, ao contrário do que insinua, esta situação resulta apenas e somente do erro grosseiro dele e de quem tem responsabilidades de liderar localmente o PSD. Erro por passar anos a pedir a discussão do PDM e, quando esta surge, pedir a substituição. Erro de quem lidera, por não se preparar dando aso a uma situação humilhante para todos os que depositaram o seu voto no PSD. 


Eleições internas


No inicio do próximo ano, o PSD limiano irá eleger os seus orgãos locais.


A importância do dia 25


Na passada semana, comemoraram-se os 50 anos do 25 de Novembro de 1975. Muitos aproveitaram esta data para promover a separação e a discórdia, fazendo comparações com o 25 de Abril de 1974. Para quê tanta perda de tempo? É simples, o 25 de Abril acabou com uma ditadura, o 25 de Novembro não permitiu a existência de outra.  

domingo, novembro 30, 2025

Alto Minho, artigo de 27-11-2025

Sozinhos

Mais de 1208 idosos vivem sozinhos ou isolados no nosso distrito, grande parte destes em “situação de vulnerabilidade”. Esta é uma informação que a GNR partilhou e que advém do balanço da operação “Censos Sénior 2025”. 

Muitos não irão perder muito tempo com esta temática. Provavelmente, nem terão consciência de que todos somos, num futuro mais ou menos próximo, candidatos a engrossar esse número. São vários os factores que contribuem para esta realidade. A falta de retaguarda familiar, seja qual for o motivo, a doença, a falta de meios financeiros.

O apoio aos idosos, num todo, as redes sociais de acompanhamento e acolhimento deveria ser um dos assuntos no topo da discussão política. Infelizmente, tendemos a pensar nisto quando já é tarde. Quando os políticos deixaram de o ser há muito, quando as redes se quebraram, quando o dinheiro, seja ele quanto for, deixar de conseguir comprar o que não tem preço. 

Agora que os autarcas, quase todos, já estão em plenas funções, é tempo de iniciarem um movimento no sentido de elevar este assunto a designo nacional. Sim, é necessária a solidariedade intergeracional. São precisas novas e mais profícuas políticas de apoio aos idosos. Aproveitemos o vasto conhecimento que várias instituições têm da realidade no terreno. As IPSS, instituições como as Misericórdias, que há séculos providenciam apoio social numa rede espalhada por todo o país. Não é coisa de partidos ou de gincana política, é algo que deve mobilizar todos os agentes até porque, como já escrevi mais acima, a tendência é de nós próprios engrossarmos essas estatísticas.   


Um dos “senadores” da “minha aldeia” partiu


Era um homem alto, que sobressaia com o seu porte, se o era nos dias de hoje, imaginem nos seus tempos de juventude. Era forte nas suas convicções, por vezes, até teimoso, frontal, monárquico e católico. Junto com a sua Dona Ester, criou uma família que tem um forte lastro de participação na vida religiosa na paróquia de Santa Marinha de Arcozelo (vila de Arcozelo, Ponte de Lima). 

A primeira ideia que me vem à cabeça, quando penso no Sr. Alípio Marinho, é a igreja de Santo António da Torre Velha, aquela que separa a velha ponte medieval da secular romana. Foi responsável por essa igreja e pela Irmandade de Santo António, nela erigida, durante vários anos. Era ele que ajudava à missa e assegurava que a igreja estava preparada, quando, ainda por lá, se celebrava a Eucaristia todos os domingos e dias da semana. O tempo, essa máquina voraz, foi passando e, quando percebeu que era necessário dar o lugar na gestão e direcção da Irmandade de Santo António, incentivou-me a candidatar-me ao cargo de Juiz. Foi com muita honra que, eleito pelos irmãos, o sucedi. Durante os anos que exerci essa função pude contar sempre com a sua ajuda e conselho. O Sr. Alípio Marinho partiu na passada semana com 93 anos.


domingo, novembro 23, 2025

Alto Minho, artigo de 20-11-2025

 É difícil 

Tive a sorte de crescer num ambiente politizado. Decorriam os anos 70, 80 e 90 do século passado. À minha volta, várias pessoas tinham participação política activa, nos partidos e nas associações, como eleitos autárquicos ou membros de outros órgãos locais e nacionais. Tive sempre contacto com a responsabilidade que é a representação dos concidadãos, e, talvez também por sorte, todos os meus próximos com essas responsabilidades foram bons exemplos no exercício dos seus deveres. Não tive dificuldades em aceder à informação, tive acesso a livros, sempre com a consciência de que, se não os tivesse em casa, encontrá-los-ia na biblioteca municipal. Os bons exemplos e a informação estiveram sempre, mesmo sem Internet, ao meu alcance. Desse crescimento resultou a minha perspectiva da política como um imperativo cívico, um serviço à comunidade, com balizas éticas bem definidas.

Confesso que é difícil perceber a justificação para as pessoas, que cresceram no mesmo tempo e mesmo espaço geográfico, com as mesmas possibilidades, não terem a mesma visão do que é serviço, do que é eticamente aceitável, do que é estar ao serviço da sua comunidade. É por isso que não consigo tolerar os que colocam à frente dos seus concidadãos, naquilo que deveria ser o exercício do serviço publico, os seus interesses privados, a “vã gloria de mandar”, o seu orgulho ou sei lá mais o quê. 

 

A saga continua


Pela vila de Arcozelo, os episódios rocambolescos da eleição dos vogais da Junta de Freguesia adensam-se. Saídos de uma eleição, onde os eleitores deram a vitória a uma lista, mas repartiram os mandatos por forma a que nenhuma força tivesse a maioria absoluta, depois dos esforços de toda a oposição para que existisse um consenso entre todas as forças políticas para a governação estável da freguesia, o presidente eleito optou por colocar o seu ego à frente dos interesses coletivos. De reunião em reunião, foi “arranjando” subterfúgios como tentar forçar a eleição dos nomes por si propostos, com interpretações estapafúrdias dos votos contra da maioria dos eleitos, ou suspensões abruptas de reuniões, para impedir o normal funcionamento dos órgãos autárquicos. Chegou-se a um ponto em que os membros da Assembleia de Freguesia, 60% dos membros eleitos, tiveram de se ausentar da reunião, deixando de existir quorum, porque lhes queriam impor uma forma de votar que não permitia a opção de votar contra.  

Ao não querer aderir a um entendimento alargado entre as forças presentes na assembleia, o presidente eleito provocou um impasse. Resta-lhe as seguintes saídas políticas. Percebe que, em democracia, nem sempre o que queremos é o que obtemos da maioria e aceita o proposto pela oposição, de governo tripartido liderado, obviamente, por ele. Renuncia ao mandato e permite o segundo da sua lista desbloquear o processo. Fica em gestão corrente, limitadíssimo na acção, prejudicando e bloqueando a freguesia. Ou, como não quer consensos, inicia o processo conducente a eleições intercalares e deixa os eleitores decidirem. Há só uma pessoa com capacidade para decidir o passo seguinte, consequentemente o único responsável e culpado dos resultados dessa decisão, o presidente eleito. 

Obviamente que o ideal, para a vila de Arcozelo, era a adesão do presidente eleito ao consenso alargado proposto pela oposição. Não o querendo e porque ceder o lugar ao seu segundo será opção fora de equação, entre ficar em gestão corrente ou eleições intercalares, não restam dúvidas de que o caminho para a repetição de eleições é o melhor para a freguesia. Entra, assim, em jogo um novo “player”, a Câmara Municipal e a sua capacidade de influência. Se houve um vencedor em Arcozelo, foi Vasco Ferraz. Obteve cerca de mais 12% de votos que a lista mais votada para a Assembleia de Freguesia. Provavelmente foi aqui que conseguiu eleger mais um vereador, é também por isso que tem uma responsabilidade acrescida para que o processo autárquico da maior freguesia do concelho desbloqueie. Na actual situação, não haverá nada melhor do que pedir aos arcozelenses para desfazerem o nó entretanto criado.

domingo, novembro 16, 2025

Alto Minho, artigo de 13-11-2025

Olhar para o estado da arte

A Associação de Futebol de Viana do Castelo anunciou um projecto inovador para a região, um investimento que dará origem à Academia de Futebol da Associação de Futebol de Viana do Castelo. 

Há, no entanto, algo que a Associação não pode descurar, o estado dos campos de jogos onde alguns clubes trabalham. Veja-se o caso concreto do Areosense, no concelho de Viana do Castelo, a meia dúzia de quilómetros da futura Academia. Apesar dos esforços e do trabalho que realiza na formação, o clube joga num antiquado “pelado”. Não há outro campo na formação, nos campeonatos de formação do distrito, em situação idêntica. A Associação deveria, se ainda não o fez, exercer a sua influência junto do poder político para melhorar as condições de trabalho deste clube. Estão em causa, principalmente, crianças e jovens que vestem aquela camisola, mas não só, estão também os atletas dos clubes visitantes, muitos vindos de outra ponta do distrito, que, num campo com condições tão precárias, não conseguem pôr em prática o que aprendem. Mas não se pense que, lá pelos outros clubes terem relvados sintéticos, todo o trabalho está feito. A Associação de Futebol tem vindo, e bem, a promover várias acções de formação em diversas áreas, mas será necessário promover uma formação especifica na área da manutenção dos campos. Muitos, por exemplo, nunca foram escovados, e a rega é mínima ou nem é feita. É preciso ter noção que a falta de manutenção aumenta a probabilidade de ocorrências de graves lesões para os atletas. 

É de louvar o esforço da Associação de Futebol de Viana em olhar para o futuro, mas tem, também, a obrigação, que não é de menor importância, em olhar para o estado da arte. É necessário lutar para ter condições e para ter os meios para que essas condições perdurem. Pela dinâmica que o novo presidente já demonstrou, certamente estará disponível para ser parceiro dos clubes nessa luta. 


Odores


Quem cresceu numa carpintaria conhece bem o odor que emana da madeira. Sabe como este penetra no nariz à medida que a plaina exerce a sua função nas pranchas. É um cheiro que retenho da minha infância, os pipos a erguerem-se, os moveis a formarem-se, o barco a ser construído, o serrim e as raspas a acumularem-se no chão. 

Os cheiros da nossa infância acompanham-nos pela vida. Sem contar, numa esquina, algures no mundo, somos surpreendidos com um odor familiar. Procuramos, por vezes discretamente, e lá encontramos uma pequena oficina de restauro, ou uma pequena carpintaria perdida nas ruas, hoje pouco habitadas, de uma qualquer cidade ou vila. 

Por Ponte de Lima, na vila de Arcozelo, no bairro da Além da Ponte, em Trás-os-palheiros, no início da rua que leva a Faldejães, encontra-se esse odor a madeira. É a oficina “Restauro à Sexta” do Sr. Martins “Sexta” que o emana. É o último dos artesãos da madeira da nossa “aldeia” e o mais “internacional” dos seus habitantes, todos os dias tira fotografias com peregrinos do Caminho de Santiago, assinalando a sua passagem. 

domingo, novembro 09, 2025

Alto Minho, artigo de 06-11-2025

Entrevista e declarações

Os novos protagonistas autárquicos e os repetentes têm dado entrevistas à comunicação social. Recentemente, li a entrevista ao presidente da câmara de Ponte de Lima, Vasco Ferraz, bem como as declarações que fez sobre a CIM Alto Minho. A afirmação dentro da Comunidade Intermunicipal continua na agenda de Ferraz. Fez bem sublinhar as suas linhas vermelhas para o apoio à alteração da liderança na CIM. Embora com a natural solidariedade entre concelhos, fez saber que esta deve ser recíproca. Obviamente que é uma forma de pressão, não acredito que o edil limiano dê a mão a quem, no fundo, o levou à demissão dos órgãos anteriores, mas é preciso que os outros responsáveis políticos olhem para o concelho limiano com o respeito devido ao segundo maior concelho do distrito. 

Já na entrevista que Vasco Ferraz deu aqui ao Alto Minho, refere dois novos projectos impactantes, a Casa do Conhecimento e a Escola das Artes de Ponte de Lima. Foi, no entanto, notória a falta de referência a um projecto que até já deveria estar em andamento, o da construção de um novo estádio municipal no actual campo municipal do Triunfo. Não só pelo trabalho que tem sido feito pela Associação Desportiva “Os Limianos”, quer na formação quer no desempenho desportivo da sua equipa principal, mas também pelas oportunidades que esse novo complexo desportivo poderá criar em termos de atractividade de promoção, o Mundial 2030 está aí, literalmente, à porta com jogos no Dragão e na Galiza. Espera-se que, embora tenha ficado de fora dos temas abordados na entrevista, o projecto apresentado no início de 2024 não morra e que rapidamente se torne uma realidade. 


Homens à altura das circunstâncias


No distrito, ao contrário de outras autárquicas, existem várias situações em que os eleitos nas assembleias de freguesias não se entendem para a constituição dos executivos. Para alguns, parece ser difícil perceber, depois das comemorações na noite eleitoral, que, apesar da sua vitória, o voto popular ditou que terão de partilhar o poder com outras forças políticas. Há quem perceba o funcionamento da democracia, mas outros há que se entrincheiram em vãs questões de ego ou de interesses comezinhos.  

Veja-se o caso da maior freguesia do concelho de Ponte de Lima, a vila de Arcozelo. O presidente da junta foi reeleito, mas, desta feita, sem maioria. A oposição quer trabalhar e, para o bem da freguesia e o bom funcionamento das instituições, propôs um executivo tripartido. Ao invés de aproveitar a oportunidade e de demonstrar estar à altura dos acontecimentos, o presidente eleito agiu como se mantivesse a maioria e não aceitou o repto. Resultado? Viu a sua proposta de executivo reprovada e, de forma intempestiva, sem dar justificações e sem adiantar quando esta retomaria, suspendeu a reunião. Quem perde com esta atitude imponderada é a freguesia e os seus fregueses. 

Esta até nem é uma situação inédita na freguesia de Arcozelo e até com a mesma distribuição de mandatos. Há mais de duas décadas, Manuel Soares, eleito sem maioria pelo PS, teve a grandeza democrática de constituir um executivo tripartido com Manuel Fernandes, eleito pelo PSD, e Manuel Moreira, eleito pelo PCP, ficando, ainda, o grupo independente com um eleito na assembleia. O mandato ficaria conhecido pelo “o dos três Maneis”. Nenhum deles ficou “ferido” politicamente e ainda hoje são lembrados por serem os mentores e dinamizadores da elevação a vila de Arcozelo. A diferença de ontem para hoje são os protagonistas, No passado, souberam estar à altura das circunstâncias, e os de hoje, estarão? Já agora, em Maio deste ano, quando Manuel Soares faleceu, a Junta de Freguesia, liderada pelo actual presidente reeleito, publicou um comunicado onde afirmava que este era “um exemplo e uma inspiração para todos”, será uma boa altura para o ter como exemplo e inspiração.


Elevador social


Recentemente, numa tomada de posse de um executivo municipal, discretamente uma senhora assistia visivelmente comovida. Sentia-se o orgulho nos seus olhos. O seu filho tomava posse como presidente da câmara onde ela há muitos anos exercia funções de limpeza. Ao contrário do que por vezes ouvimos vociferar por aí, a democracia não falhou.