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domingo, maio 12, 2024

Alto Minho, artigo de 09-05-2024

Campeões

Quando o clube mais representativo do concelho de Ponte de Lima, “Os Limianos”, depois de vencer a sua série, lidera a fase de subida à Liga 3 e faz sonhar os adeptos com a final no Jamor, e porque não a consagração como campeão do Campeonato de Portugal, o concelho limiano dá mais um clube para disputar a 1ª divisão distrital da Associação de Futebol de Viana do Castelo. O ACR Arcozelo sagrou-se campeão distrital da 2 divisão, a terceira vez na sua história, subindo à principal divisão distrital. 

Esperando durante anos a ajuda do município para a colocação de um essencial relvado sintético, depois deste se tornar uma realidade, o Arcozelo demonstrou como o trabalho, gratuito e empenhado, de tantas pessoas, com o mínimo de apoio, dá resultados. Neste momento não é só a equipa sénior que se destaca, são também as equipas de formação que já são casa para tantas crianças e jovens.  


Uma grande época


Independentemente dos resultados que a equipa sénior de futebol d`”Os Limianos” venha a obter, o clube teve uma das suas melhores épocas, das modalidades como o hóquei às camadas jovens as vitórias, os campeonatos, têm sido uma constante. A mais recente foi a equipa de sub 15 que se sagrou campeã no passado domingo, conquistando a subida aos nacionais. Um verdadeiro clube que representa da melhor forma todo um concelho.


Livros




As nossas tradições, a nossa história são feitos de vários protagonistas. A maioria destes são incógnitos, vivem uma vida simples, mas que não se esquece dos outros. A construção dessa identidade colectiva é feita de várias “camadas”, umas vão dando lugar a outras, mas sempre interligadas. 

Muitas dessas “camadas” vão desaparecendo, passando apenas a viver na memória de alguns. Franclim Castro e Sousa, que já teve funções políticas na área da cultura e desporto do município limiano, sabe bem a importância de manter a memória colectiva. Apresentou um segundo livro que vai ao encontro dessa vontade. Depois do livro “A feira e tascas de Ponte” apresentou, no passado sábado, “Mercearias de Ponte”. Esses espaços quase místicos, que entretanto quase desapareceram da nossa tão apressada, hermética e instantânea realidade, remetem para um tempo onde havia espaço na nossa vida para comprar a granel, comprar café acabado de moer que vinha para casa embrulhado em cartuxos. Quem não está a sentir neste momento o cheiro característico da moagem de café? 

Sim, como afirmou Daniel Campelo na apresentação do livro, isto também é mercado turístico. O turista quer autenticidade, o mercado da saudade é uma realidade que atrai muitos e que pode ser uma fonte de receita para a nossa região. 


25 anos


É estranho perceber que um projecto saído de um grupo de amigos com interesses comuns consegue sobreviver com grande actividade e projecção durante 25 anos. 

Um quarto de século são os anos do BaToTas, o clube que nasceu dos desportos radicais, onde se integrava o BTT. Em 1999 o Bruno, o Ricardo, o João Carlos juntaram-se a outros como o Acácio Pires, e, desses encontros informais, nascia o clube que introduziu as bicicletas todo o terreno no desporto limiano. Parabéns, que grande caminhada!

domingo, março 12, 2023

Alto Minho, artigo de 08-03-2023

 Cultura

O mês de Março ainda agora começou, mas tem já proporcionado momentos de excelência cultural e de promoção da memória coletiva. Depois de no passado sábado o momento alto das cerimónias de 4 de Março ter sido a apresentação da reedição do livro de Amândio Sousa Vieira “Rainha D. Teresa - E Fez Vila o Lugar de Ponte”, na manhã da próxima sexta-feira, o Município de Ponte de Lima promoverá um seminário intitulado "À Descoberta dos Solares da Ribeira Lima”, onde será apresentado o livro "À Descoberta dos Solares da Ribeira Lima - um Património entre a Continuidade e a Reinvenção" da autoria de Miguel Ayres de Campos Tovar. Mas a agenda não fica por aí. Pelas 15 horas  deste sábado, o mesmo autor será o cicerone de uma visita guiada, promovida pela paróquia de Santa Maria dos Anjos, à igreja Matriz da vila de Ponte de Lima. “Re-visitar a igreja matriz com um novo olhar” promete trazer uma visão da matriz que para a maioria de nós será uma surpresa. 



Não, não é um certificado de confiança


Desde os idos de Março de 2018 que o PSD de Ponte de Lima é liderado pelos mesmos protagonistas. Nas autárquicas de 2021, o PSD, com mais 182 votos que a candidatura à Câmara Municipal de 2017, recuperou um vereador, perdendo, no entanto, votação para a Assembleia Municipal e Assembleias de Freguesia às quais foram apresentadas menos candidaturas do que na eleição anterior. No final, o PSD em Ponte de Lima, em 2021, perdeu cerca de 40% dos seus eleitos. 

Desaparecido do espaço publico apenas emergiu a um ano das eleições, envolto em polémicas sobre possíveis coligações. Sem capacidade de atrair militantes, eleitos ou simpatizantes, as reuniões passaram a ser frequentadas por 4 ou 5 pessoas. No passado mês de Setembro de 2022, foram eleitos os órgãos distritais do PSD Alto Minho, em Ponte de Lima votaram 6 militantes. As eleições para a concelhia, que se realizariam dali a dois meses, foram adiadas com a argumentação unânime de que seria necessário envolver os militantes, promover a renovação, olhar para fora, ter uma estratégia clara para o concelho e um plano para a comunicar. 

Todavia, apesar do diagnostico, a aposta foi na mesma receita. Na passada semana, neste jornal, foi anunciado que, apesar dos cinco anos na liderança, a reeleita liderança estaria a “preparar um documento”. Eleitos “aproximadamente por duas dezenas de votos” (20), na realidade, os novos órgãos locais do PSD são constituídos por 14 membros efectivos. Não, a existência de uma só candidatura não é um certificado de confiança, é um certificado de indiferença e abandono. A esperança, a liderança de uma renovação política para o concelho não passa pelo passado, seja ele mais longínquo ou mais próximo.


Esperança no futuro


Foi com o convite para integrar a lista do PSD à Câmara Municipal que Felismina Barros despertou para a política activa. A advogada, conhecida em Ponte de Lima como “Tininha”, integrou a lista do PSD por Viana do Castelo candidata às eleições legislativas de 2022. Embora relegada para um lugar onde praticamente seria impossível ser eleita, não se resignou, arregaçou as mangas, contactou pessoas, planeou, ouviu e conseguiu mobilizar gente de várias facções políticas, até mesmo militantes que estavam arredados da militância activa. Trouxe, efetivamente, uma lufada de ar fresco, uma esperança de renovação. Ponte de Lima foi o único concelho a manter-se laranja. Felismina Barros acabaria por se filiar no Partido Social Democrata, apadrinhada pelo presidente nacional do PSD. A dois anos das eleições autárquicas está bom de ver onde está a esperança no futuro.

domingo, janeiro 01, 2023

Alto Minho, artigo de 28-12-2022

O Poeta 

Não quero acreditar! A notícia chegou-me por várias vias, mas, ainda assim, não quis acreditar. Era o nosso último trovador. Poeta na tradição mais limiana de Feijó ou  de Carneiro. As palavras que juntava em poemas ecoavam um sentimento profundo que emanava da sua alma e tocava a nossa. 


Amândio Sousa Dantas foi uma pessoa simples, de humilde trato, preocupado com os seu semelhantes e com a natureza. Nunca deixou de ter uma participação cívica activa no associativismo ambiental. Da sua pena saíram várias crónicas num estilo muito próprio, assaz e sempre independente. Respeitador e com capacidade de ver o melhor nos outros, mesmo naqueles com quem divergia ideologicamente, até nisso foi diferente e exemplar neste mundo cada vez mais polarizado.

Tive a sorte de poder conviver com ele. Falávamos de tudo. Da nossa terra, do nosso rio, das gentes que passaram por ambos, do futuro, dos projectos que poderiam ser postos em prática, da escrita, dos jornais, do património, da natureza... Insistia na necessidade da participação cívica e política, da importância de envolver os jovens, de lhes incutir o sentimento de pertença e de amor a Ponte de Lima. 

A melhor homenagem que se pode prestar a um Homem de letras é ler a sua obra. Partilho, por isso, com o leitor um excerto do último poema dele que li (2022):


“(…)

Por ti se juntam ao mesmo elemento,

a vida é um mistério de milhões de vontades e acasos

que se atam e desatam pelo infinito,

tantos nomes felizes que nos levam

ao sonho do tempo/espaço e

pelo nosso breve tempo nós os amamos


Levemos centro do nosso próprio corpo o segredo do

cosmos

entre nuvens voamos sem/asas e

pela nossa brevidade de passos pousados na terra

tudo nos aproxima do infinito

(…)”


Nascido em Ponte de Lima a 1 de Dezembro de 1944, Amândio Sousa Dantas partiu para o infinito, para junto da sua mãe e do seu irmão, também em Ponte de Lima, a 22 de Dezembro de 2022.

domingo, dezembro 18, 2022

Alto Minho, artigo de 14-12-2022

Novos protagonistas - Iniciativa Liberal


Ponte de Lima tem sido um concelho muito conservador em relação às alterações partidárias que vão ocorrendo no país. O exemplo do Bloco de Esquerda é paradigmático, embora com alguma expressão eleitoral nas eleições nacionais, em Ponte de Lima nunca se conheceu uma estrutura. Mas eis que a nova configuração partidária  do centro direita nacional trouxe novidades políticas ao concelho limiano.

A Iniciativa Liberal já tem um núcleo em Ponte de Lima. Este partido, sem estrutura, em legislativas passou de nono para o quinto partido mais votado em Ponte de Lima, com estrutura poderá vir a ter expressão autárquica, captando votos nos partidos tradicionais. Quando o CDS não sabe o impacto local da sua luta pela sobrevivência nacional e o PSD procura um rumo, a Iniciativa Liberal aposta forte em Ponte de Lima. 

O leitor sabe qual é o partido no concelho ou mesmo na região cujo membro local é candidato à vice-presidência nacional do mesmo? Sim, é a IL. A vice-presidente do núcleo de Ponte de Lima, que já foi candidata à câmara de Loures, Filomena Francisco, é candidata a vice-presidência da Iniciativa Liberal. 

Imagino alguns dos nossos políticos locais, que só agora, ao lerem estas linhas, ficaram a saber disto, a menorizar esta situação. Se o fizerem, é mais um erro que cometem. A IL é a quarta maior força no Parlamento português, tem aumentado constantemente a sua votação com uma forte base eleitoral nos jovens. São esses que fazem parte da estrutura local, mas não só, também fazem parte pessoas com penetração social, uns que até já andaram em campos sociais-democratas, alguns no CDS e outros em movimentos cívicos. Ou seja, são pessoas saídas das grandes correntes políticas existentes no concelho. Unidas, não em torno de nomes sonantes, mas de ideias.

Será interessante acompanhar a evolução deste partido em Ponte de Lima, que poderá ser uma séria surpresa nas próximas eleições autárquicas.


Um amor incondicional à sua terra


Amândio de Sousa Vieira é reconhecido por todos pelo seu amor incondicional a Ponte de Lima. Retrata a sua terra como poucos, porém não fica por aí (o que já por si seria imenso). Tem conseguido fixar a memória coletiva e elevar a cultura limiana. Exemplo disso é a sua fundamental participação na construção da estátua de homenagem à rainha D. Teresa. Foi esse amor que o levou à distinção com a Medalha de Mérito Municipal Cultural.

Passam 30 anos desde a publicação do seu livro “Ponte de Lima: Formas de ver”, o primeiro livro de fotografias publicado em Ponte de Lima. Uma edição de autor que em boa hora é reconhecida e homenageada pelo Município de Ponte de Lima com uma exposição na Biblioteca Municipal, onde estará patente até ao dia 26 de Fevereiro de 2023. 


Por falar em livros


Aproxima-se o Natal, porque não oferecer um “livro limiano”? Este ano não terá um espaço próprio no largo de Camões, dedicado à feira de artesanato, mas a feira do livro limiano decorre na Biblioteca Municipal e por lá poderá adquirir publicações municipais ou de autores limianos, com desconto. 

domingo, julho 31, 2022

Alto Minho, artigo de 27-07-2022

 

Estão a chegar

Depois de 2 anos em que a pandemia limitou as deslocações, não permitindo que muitos emigrantes voltassem, eis que os nosso compatriotas, que tiveram que sair do país para “ganharem” a sua vida, regressam à sua terra. Já se veem muitos carros com as matriculas de França, Suíça, Andorra… Os espaços passam a ser ocupados com as misturas linguisticas, tão normais e características de quem passa um ano a trabalhar fora das terras lusas. 

O voltar, nem que não seja por uns dias, o rever lugares e pessoas funcionam para eles como que um bálsamo para o restante e árduo ano.  


Pelo centro histórico


Já não é a primeira vez que escrevo sobre o assunto, pois o aumento de pessoas e automóveis torna ainda mais visível a necessidade de criar um cartão ou passe para que os que vivem no centro histórico sejam alvo de descriminação positiva no que concerne ao estacionamento. Algo simples, ao jeito do que se encontra noutros centros históricos de outras terras, como limitar ou permitir o estacionamento a moradores das 20.30h às 8.30h. Seria mais um elemento atrativo para a permanência de moradores na zona histórica e uma forma de manter a vida por lá.


Difícil


O passado fim de semana foi de escolhas difíceis. As atividades disponíveis na zona histórica de Ponte de Lima foram imensas: música, literatura, tertúlias, desporto. A zona histórica foi invadida por muitas actividades que juntaram um mar de gente pelas ruas e espaços da sede do concelho limiano. 

É bom sinal quando se torna difícil escolher entre várias ofertas culturais. 


Férias


O Grande Joaquim de Magalhães Fernandes Barreiros, mais conhecido por Quim Barreiros, canta que o melhor dia para casar “é o 31 de Julho porque a seguir entra Agosto”. Também no caso das férias se espera que assim seja. Por entrar de férias, vou fazer um pequena pausa neste espaço. Agradeço aos meus leitores a confiança. Voltaremos a encontrar-nos, renovados, brevemente. Boas férias. 

domingo, janeiro 23, 2022

Alto Minho, artigo de 19-01-2022


Os invisíveis

Não se dá por eles, mas são um exercito de “invisíveis” que, dia a dia, vão fazendo um trabalho imprescindível à comunidade. Aliás, esse é, no fundo, o coroar do seu trabalho, passar despercebido. 

Normalmente, são senhoras que, seja com frio, calor, chuva ou sol fazem, todos os dias, o seu trabalho para que todos tenhamos um espaço público condigno. Da limpeza das ruas ao arranjo dos jardins, este “exercito”, silenciosamente, trabalha para o bem estar de todos.

Tantas vezes damos por garantido serviços que, por vezes, no nosso dia a dia, tratamos como menores, mas que, na verdade, sem eles a nossa vida seria bem diferente.


Preconceitos


É interessante verificar como a pandemia trouxe outro tipo de “pandemia”, a do extremar de posições. Facilmente se cai no preconceito, no facilitismo de rotular os outros. 

Voltamos a ouvir o preconceito religioso, sobranceiro, de caricaturar, por exemplo, os católicos como crentes ignorantes, seguidores de "padrecos histéricos”, nada dados à “cultura”. Argumentos que parecem ter vindo diretamente dos primeiros anos da República, repescados para a modernidade das redes sociais. 

Em Portugal, existem várias religiões, cristãos (católicos, protestantes, evangélicos...), muçulmanos (sunitas, ahmadis), judeus, hindus... Pensar que milhares de pessoas, por serem crentes, não são cultas, não gostam de ler, de música, de teatro, de cinema, de pintura, escultura, não capazes de pensar e admirar, limitar os crentes a um estereótipo preconceituoso é tão só... estúpido, mas por mais estúpido que seja, a verdade é que existe e é cada vez mais visível. 

O preconceito, a ignorância combatem-se com mais leitura, com mais estudo, resistindo a estereótipos e basismos, procurando a verdade e o conhecimento e menos os likes e visualizações da vacuidade das “redes”.   


Curiosidade do debate 


Os debates para as próximas eleições não se passam só nos 20 minutos das televisões, também passam pelos cabeças de lista que se apresentam a eleições no nosso circulo eleitoral. 

Se não ouviram o debate moderado pela jornalista desta casa, a Idalina Casal, vale bem a pena procurarem a página web da CEVAL, a entidade organizadora do debate. Não vou falar do debate em si, que foi longo e onde todos poderem expor a suas posições, mas da forma inédita como um dos candidatos usou o seu tempo para a mensagem final. O candidato do Livre terminou com um poema sobre o Alto Minho. Foi estranho e causou alguns sorrisos, mas, se pensarmos bem, estranho, estranho é a poesia não fazer parte do nosso quotidiano, mesmo o político. Como tudo seria diferente na nossa vida, se esta tivesse mais poesia.

domingo, novembro 21, 2021

Alto Minho, artigo de 17-11-2021

 Lugares, sempre a luta por lugares

No último número deste jornal, ficamos a saber que ainda existem várias freguesias no distrito de Viana do Castelo onde, apesar de já terem passado quase dois meses desde as eleições autárquicas, os políticos se mostram incapazes de se entenderem para formar o executivo da Junta de Freguesia. Numas, porque o presidente eleito não se capacita de que não tem maioria absoluta e de que precisa negociar, noutras, porque apesar de terem perdido as eleições, os candidatos não aceitam o seu papel de oposição, assumindo que, porque o presidente eleito não tem a maioria dos eleitos na Assembleia, podem ser eles a impor e controlar o executivo através de maiorias negativas. 

São necessárias cedências, não imposições. É necessário, acima de tudo, bom senso. Existem vários cenários para encontrar consensos. Um lugar no executivo para a oposição; um lugar no executivo e a presidência da Assembleia de Freguesia para a oposição; apenas a presidência da Assembleia de Freguesia para a oposição… poderíamos conjecturar vários cenários possíveis e até razoáveis. 

Pessoalmente, prefiro outro caminho. Defendo que o executivo sejam constituído pelos membros da lista vencedora, ainda que não tenha maioria. Com esta situação, a Assembleia de Freguesia assume um papel de ainda maior importância, baseado na negociação entre as várias sensibilidades que a constituem. Negociação não de lugares, mas do que é realmente importante, das políticas que se querem implementar, no caso, na freguesia. 

Infelizmente, parece cada vez mais que os políticos vivem para os lugares, apegados à sua importância”. A luta, a negociação e o entendimento em prol do que querem para a sua comunidade parecem relegados para um segundo ou terceiro plano. Com esta situação, chegam os impasses. Com os impasses, perdem as comunidades, os eleitores e a confiança nos políticos.  


Por falar em confiança nos políticos

Há uns anos estalou a polémica dos turbo professores”. Professores universitários que acumulavam a docência em várias universidades. Não menos polémica é a existência de turbo políticos”. 

Quem são os turbo políticos”? São aqueles que parecem não poder ver uma eleição sem que tudo façam para que sejam nelas candidatos. Eles candidatam-se às câmaras, às assembleias municipais, de freguesia, a deputados… 

Dia 30 de Janeiro, vamos eleger os nossos representantes à Assembleia da República. Quantos dos que foram candidatos autárquicos, dos que estão eleitos representantes autárquicos, já se estarão a movimentar para assegurar um qualquer lugar numa lista candidata? 

Como ficará a confiança dos eleitores com políticos profissionais” da candidatura? Não existirá mais ninguém? Estarão os partidos tão deficitários que tem de candidatar sempre as mesmas pessoas, independentemente do cargo a que se candidatam? Em democracia ninguém é obrigado a candidatar-se a nenhuma função política, mas, uma vez eleito, o respeito para com quem lhe confiou o seu voto, a sua representação, deveria ser sagrado.


Post Scriptum 

No passado sábado, estive na Adega Corporativa de Ponte de Lima, não para beber o seu premiado produto mas para beber literatura. Em boa hora, Rosário Sá Coutinho, em nome da família do 3º Conde dAurora, tomou a iniciativa de, como forma de comemorar os 125 do seu nascimento, reeditar duas das suas maiores obras de ficção; D. Aleixo, que faz este ano 100 anos, e O Pinto, galardoado em 1935 com o Prémio Eça de Queiroz. Foi, realmente, uma tarde de engrandecimento cultural. 

A edição destes livros ficou a cargo da família e teve um número muito limitado de exemplares. Fica o repto à Câmara Municipal: porque não, em acordo com a família, assumir uma 2º edição” desta reedição para que chegue a mais pessoas, às escolas, aos curiosos do limianismo?




domingo, junho 13, 2021

Alto Minho, artigo de 09-06-2021


Longa se torna a espera

Já passaram 9 longos meses desde o falecimento do bispo diocesano de Viana do Castelo, D. Anacleto Oliveira. De quando em vez, lá ouvimos o administrador diocesano, Monsenhor Sebastião Pires Ferreira, afirmar que pode demorar um pouco até ser designado um novo bispo. O tempo passa e todos nós sabemos o que acontece a um rebanho quando fica muito tempo sem pastor.


Talentos locais


Bem sei que os tempos ainda não são de feição para alguns eventos, mas não significa isso que nada se faça. Quem dos amigos leitores se lembra do tempo em que se faziam eventos para promover os talentos limianos? Quem se lembra dos concertos de bandas de garagem? 

Alguns concelhos vizinhos, servindo-se das plataformas online, têm vindo a promover alguns talentos locais através de festivais, concertos e espetáculos. Numa altura em que  os eventos de pequena escala já se vão podendo realizar não se compreende a apatia nem falta de criatividade dos responsáveis políticos pela cultura em Ponte de Lima. Do teatro à música, passando pela dança, várias são as pessoas envolvidas em escolas, associações, grupos informais, etc, que dedicam horas a estas artes. Como seria interessante verem o seu trabalho, a sua paixão, divulgada e promovida. Não faltam espaços um pouco por todo o concelho, uns abertos, outros fechados, poderiam ser aproveitados para eventos de pequena escala, mas de grande divulgação, recorrendo também às novas tecnologias para dar a conhecer os grandes talentos que cá existem e, simultaneamente, divulgar o próprio concelho. 

Caros candidatos, qual de vocês quer assumir novamente um pelouro da cultura que, para além do investimento em grandes eventos e protagonistas da cultura nacional e estrangeira, tivesse vontade, capacidade e independência para investir na promoção, crescimento e divulgação do que por aqui se faz?


“Políticos”


O que pensam da capacidade elástica e transvestida da acção de alguns “políticos”? A sua capacidade de assumirem compromissos e ao mesmo tempo promoverem acções antagónicas a esses compromissos? A sua capacidade de, quando descobertos, rapidamente construirem e se amarrarem a uma verdade paralela ao invés de se penitenciarem do seu erro e mau procedimento? 

Há pessoas que acham que estes sim, estes são os verdadeiros políticos. Confesso que para mim estes são os anti-Políticos. Com estas atitudes destroem a Política, afastando os restantes cidadãos. Mas pensando melhor, pelo que por aí se vê e ouve, eu é que devo estar errado.

quarta-feira, maio 15, 2013

Artigo no Novo Panorama

Artigo publicado no Novo Panorama em 09-05-2013
 
 

Sim, mas...

Foram apresentadas as contas de 2012 do Município de Ponte de Lima. Debatidas na Assembleia, foram a provadas por maioria. Deixo apenas uma nota. É verdade que todos se congratulam com o saldo positivo que exemplarmente o município limiano apresenta, mas saberá o leitor que existe, por exemplo, uma divida à Câmara Municipal de venda de água, tarifa de utilização da rede de águas residuais, de perto de 500 000€? Não estará aqui reflectida as necessidades e dificuldades que as famílias limianas estão a enfrentar? Será que o tão badalado "saldo municipal" está a ser investido para por cobro a estas dificuldades? 
Já agora, e porque talvez ajude à resposta, relembro que segundo o INE, o poder de compra per capita de Ponte de Lima é um dos mais baixos da região...

Desaparecimento

No final de Abril, faleceu Margaret Thatcher a marcante primeira-ministra que conseguiu emergir, nos anos 80, o Reino Unido da profunda crise em que vivia desde o início da década de 1970. Não teve medo de enfrentar os poderes instalados, os internos e os externos, porque sabia para onde queria e devia ir.
Já esta semana, chegou a notícia que a última grande referência da democracia cristã europeia, Giulio Andreotti, tinha falecido. Nas palavras de Pier Ferdinando Casini, o líder dos centristas da UCD, “Giulio Andreotti foi a política: condensou o bem e o mal. Uma personalidade extraordinária. Um estadista internacional conhecido em todo o mundo. Um católico verdadeiro. Um grande estadista que sempre acreditou nas instituições”.
É uma página da historia mundial que se fecha, o de um tempo em que existiam Políticos que sabiam o que queriam, que ponham à frente do politicamente correcto as suas mais profundas convicções.

Referências

Por falar em referências, no passado dia 3 de Maio, o Museu dos Terceiros, em Ponte de Lima, proporcionou um serão inesquecível. Convidar D. Manuel Clemente para palestrante é sinónimo não só de tempo bem passado, mas, acima de tudo, de obtenção de conhecimento. Foram poucos os minutos que os presentes, que encheram o espaço, puderam ouvir o actual bispo do Porto, poucos porque souberam a muito pouco.
Parabéns à organização pelos temas e pela excelência dos convidados. Este ciclo de palestras continua durante o corrente mês, imperdível.

Também imperdível

Foi em Viana do Castelo, mas valeu a pena a deslocação ao Instituto Católico para participar numa tertúlia de apresentação do livro "Auto de Fé" da autoria do Padre Gonçalo Portocarrero e de Zita Seabra. Se não leram o livro, não deixem de o fazer, lá encontrarão várias perguntas e respostas sobre a fé e sobre a Igreja Católica feitas de forma aberta e directa. Pena que a organização local não tenha divulgado convenientemente este evento pela Diocese.

quinta-feira, março 14, 2013

Artigo no Novo Panorama



Artigo publicado no Novo Panorama em 07-03-2013





Visibilidade…

A rádio TSF fez anos. Nas festividades, esta rádio resolveu dar voz à sociedade para além da nomenclatura que normalmente ocupa a telefonia nacional. Com isto, foi possível ouvir em destaque o grupo de teatro Unhas do Diabo, que ainda esta semana organizou a tradicional “sarrada” da velha, e Abílio Sá Lima que falou do seu programa na Rádio Ondas do Lima, "Manhãs de Sábado" que já conta com um quarto de século, e do seu gosto em “trazer as pessoas para a rádio”. Não foram só estes protagonistas que passaram na rádio de notícias mais ouvida em Portugal, foi Ponte de Lima e suas gentes…

No centro da notícia

Por falar em estar no centro da notícia, com a saída de Bento XVI toda a curiosidade se voltou para Roma e o Vaticano. O Colégio Pontifício Português passou a ser quase obrigatório em todas as televisões portuguesas, com ele o Alto Minho e a Diocese de Viana do Castelo. E porquê? Porque o seu reitor é o alto-minhoto Pe. José Caldas. Oriundo de Melgaço  foi o responsável pela Pastoral Juvenil da Diocese de Viana do Castelo, foi ele que liderou a organização da presença alto-minhota nas Jornadas Mundiais da Juventude em Roma, no ano do Jubileu, e em Toronto no ano de 2002. Em 2011, foi nomeado reitor Colégio Pontifício Português e é, desde 2008, Oficial da Congregação para a Educação Católica (um género de Ministério do Vaticano), sendo responsável pelo sector de língua portuguesa e espanhola das Escolas Católicas, bem como das Universidades Católicas e Faculdades Eclesiásticas de língua portuguesa.
Mas o Colégio Pontifício Português está ainda ligado à Diocese de Viana do Castelo através, por exemplo, do seu bispo D. Anacleto Oliveira que por lá passou quando era estudante da Universidade Gregoriana de Roma ou o Vigário Episcopal para a Doutrina da Fé e Catequese, Padre Doutor Vasco Gonçalves, que também lá passou aquando do seu doutoramento no Pontifício Instituto Pastoral “Redemptor Hominis” da Universidade Lateranense de Roma.

Autárquicas

As autárquicas 2013 fizeram as primeiras vítimas. Por Viana do Castelo, o presidente da concelhia do PSD, Carlos Vieira, demitiu-se por não concordar com o processo e para dar espaço à candidatura de Eduardo Teixeira. Assim parece estar esclarecida a proveniência de notícias que vinham a público de uma eventual candidatura de Daniel Campelo apoiada pelo PSD. Mas a agitação causada pelas autárquicas, em Viana do Castelo, não reina só no dentro do PSD. A maioria dos eleitos do CDS na Assembleia Municipal de Viana do Castelo declarou-se desagradada com decisão dos órgãos nacionais e distritais centristas de não permitirem uma coligação autárquica com o PSD e com a candidatura de Eduardo Teixeira. Abel Baptista, presidente da distrital centrista, já reuniu com Carlos Meira, presidente da concelhia, e prometem para breve novidades…
Por Ponte de Lima continua o blackout informativo em torno da candidatura do PSD, segundo se pode ir lendo na comunicação social, quer o actual presidente da Câmara quer outros destacados membros do CDS limiano já por várias vezes deram conta da sua curiosidade, os boatos já são alguns e muitos acham que a candidatura tarda. A verdade é que nunca é demais recordar que o PSD, em 2009, foi o primeiro partido a anunciar o seu candidato, cerca de um ano antes das eleições, e obteve o seu pior resultado de sempre em eleições autárquicas em Ponte de Lima.
Terminamos o périplo pelas autárquicas 2013 em Ponte da Barca. O candidato de 2009 do PSD, que durante 2012 se demitiu de presidente da concelhia e mais tarde de militante do partido, resolveu anunciar uma candidatura independente. O Socialista Vassalo Abreu,  actual presidente da Câmara de Ponte da Barca, deve ter respirado fundo. Esta candidatura será uma espécie de bolsa de ar, pois, por poucos votos que obtenha, poderá ser factor essencial para este se manter no cargo de presidente da Câmara de Ponte da Barca.

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Artigo no Novo Panorama

Artigo publicado no Novo Panorama em07-02-2013






Desiludido

No meu último artigo sugeria ao leitor a apresentação da obra inédita de António Manuel Couto Viana intitulada "Para uma geografia literária do Alto Minho". Pelo que podia ler nas notícias, este livro, confiado ao Pelouro da Cultura do Município de Ponte de Lima para edição póstuma, seria uma obra que nos daria a conhecer alguns dos poetas e prosadores mais relevantes do entre Minho e Lima. A ideia era realmente boa…
Não pude ir à apresentação, mas conseguir adquirir um exemplar e confesso que fiquei desiludido. Pareceu que adquiri uma relação de nomes, alguns com uma brevíssima referência de três ou quatro palavras por vezes caídas sabe-se lá de onde. É um aglomerado de nomes que, sinceramente, me entristeceu, pois esperava mais.
Quer isto dizer que o Pelouro da Cultura do Município de Ponte de Lima fez mal ao editar este livro? Tal como está, talvez.
Leio com a minha filha o livro “Os Ciganos”, um conto inédito de Sophia de Mello Breyner Andresen, que algumas livrarias, nas suas páginas web, descrevem como um conto que se encontrava “inacabado, tendo Pedro Sousa Tavares, jornalista e neto da escritora, assumido a responsabilidade de continuar uma história sobre o irresistível apelo da liberdade, sobre a atracção pelo que está fora dos muros e pela descoberta do outro e suas diferenças”. Ou seja, estando inacabado, existiu a coragem de continuar o trabalho para produzir um livro digno, coeso, com princípio e fim.
O livro "Para uma geografia literária do Alto Minho" precisa urgentemente de quem lhe pegue, continue o trabalho e consiga fazer uma segunda edição, desta feita com mais informação sobre os poetas e prosadores alto-minhotos, não misturando o que não se pode misturar e relevando o que deve ser relevado. Um trabalho que poderia ser conduzido, por exemplo, por João Gomes d’Abreu que tem estado associado a títulos como “Figuras Limianas”.

Protocolo

Foi com satisfação que recebi a notícia de que seria assinado um protocolo entre a Irmandade de Santo António da Torre Velha e o Município de Ponte de Lima de forma a de, que, no futuro, o arquivo histórico dessa instituição para além de passar a ter uma política de preservação digital possa ser disponibilizado a toda a comunidade.
O Município de Ponte de Lima, através do seu pelouro da cultura, tem vindo a promover este tipo de protocolos com algumas instituições e arquivos particulares, seguindo uma política sensata que promove a preservação de um riquíssimo espólio informacional essencial para a investigação da nossa história colectiva.