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domingo, junho 18, 2023

Alto Minho, artigo de 07-06-2023

 A Garça voou 



No inicio deste século, a explosão dos blogues não deixou a nossa terra de lado. Fiz parte dessa vaga que trouxe uma nova forma de fazer opinião. Nesse “mundo” opinativo, virtual, foi acompanhado essencialmente por dois outros bloggers, o primeiro de todos, o jocabrago, João Carlos Gonçalves, e o trigalfa, Manuel Pires Trigo. Os nossos blogues estiveram no top dos sites sobre Ponte de Lima, durante a primeira década de 2000, com dezenas de leitores diários. Uns já por lá andavam, mas, com os blogues, todos nós acabamos por fazer a transição para os jornais, como aqui, no semanário Alto Minho, trazendo uma nova forma de escrita opinativa, mais breve e mais direta. 

O Manuel Pires Trigo teve uma coluna neste jornal com o título “O estado da Garça”, onde escrevia sobre vários assuntos políticos e sociais da nossa terra, da nossa região. Nas lides opinativas, a certa altura, tive com ele uma picardia que alguns apelidaram de “violenta”. Amigo de infância de meu pai, meu vizinho, conhecia bem, por exemplo, as suas épicas histórias nas Feiras Novas onde o seu porte fisico se imponha à arrogância de alguns que ainda pensavam viver tempos de servidão. Nunca, apesar das tais “violentas” picardias de parte a parte, senti animosidade ou ressentimento dele para comigo. Mesmo nessa altura, quando nos encontrávamos, por exemplo, em cima da ponte, falávamos do rio, do problema com a qualidade das suas águas, ou de outro tema ou assunto de política local ou nacional. 

Para além dos blogues e jornais, o Trigo, como era conhecido, deixou marca na sua intervenção cívica. Enquanto membro da Assembleia Municipal de Ponte de Lima, eleito pelo Partido Socialista, deixou vasta intervenção, pensada, frontal e escrita. Esta forma de encarar o mandato que se exerce nem sempre é fácil, principalmente num orgão onde alguns medíocres passam décadas sem fazerem uma intervenção de fundo, mas estão sempre prontos a manifestarem o seu enfadado, quando algum dos membros se dá ao trabalho de estudar e pensar algum assunto de interesse local para construir uma intervenção. 

Profissionalmente, foi referência, nas décadas de 80 e 90, na informatização da Segurança Social, ainda recordado por muitos.     

Infelizmente, Manuel Pires Trigo deixou-nos na passada semana. A escrita opinativa limiana não mais vai ter a perspicácia ou a bicada da Garça. 


Confirmou-se


O futebol alto-minhoto está de parabéns. O Vianense confirmou a sua presença na Liga III e “Os Limianos” no Campeonato Nacional. Estas são as equipas do distrito com as estruturas mais bem preparadas para voos mais altos no desporto rei. O que se espera é que a actual visibilidade destes campeonatos, outrora vistos como marginais, tragam mais valias, não só desportivas, à nossa região.

domingo, março 19, 2023

Alto Minho, artigo de 15-03-2023

 Igualdade

Na passada semana, celebramos o Dia Internacional da Mulher. Nesse dia lembra-se a luta pelos direitos e pela igualdade da mulher, realçando exemplos de mulheres que no dia a dia não viraram a cara a essa demanda. 

Faça um exercício de memória, caro leitor, lembra-se, assim de repente, de uma rua na sua terra com um nome feminino? Complicado? É verdade que sim. Talvez se contem pelos dedos de uma mão as ruas que homenageiam mulheres. Será porque estas não se notabilizaram, não estiveram presentes na vida das nossas comunidades? Não, não foi! 

A verdade é que todos conhecemos mulheres que se destacaram na cultura, nos negócios, na política, no ensino. Normalmente, agiam de forma discreta, sem aparatos, sem lugares formais. Felizmente, já não é assim, são cada vez mais as mulheres que se vão destacando. 

É, no entanto, tempo de resgatar do esquecimento os exemplos do passado. Mulheres como Fernanda Martins, fundadora do PSD em Ponte de Lima, uma das “mães” da democracia no concelho, sendo uma das primeiras eleitas à Assembleia Municipal e que, discretamente, mas determinadamente, ajudou muitos, permitindo-lhes, com o seu auxílio, atingir objectivos académicos e sociais que, de outra forma, lhes estariam barrados. Ou Clara Penha uma das “mães” da referencia gastronómica de Ponte de Lima, o sarrabulho, que todos os anos traz ao concelho limiano milhares de pessoas de todo o mundo.  


Surpresa


No passado sábado, participei no périplo temporal pela igreja matriz de Ponte de Lima. Por lá foram desmontadas várias certezas, daquelas formatadas pelo imaginário coletivo. Longe vai o tempo da “recuperação” da igreja, nos anos 50 e 60 do século XX, permanecendo, no entanto, no imaginário coletivo a ideia de uma obra que havia devolvido o original medieval à igreja. A verdade é que o que resultou dessa intervenção foi a destruição de uma rica evolução da igreja ao longo dos tempos. O que temos agora é uma igreja descaraterizada e despida da riqueza e da beleza que acumulava de várias épocas. Sim, porque de medieval só mesmo o frontispício da entrada principal. 

Já passaram muitos anos, o que se fez já não se reverte. No fundo, será também uma marca do seu tempo. Há, no entanto, a possibilidade da comunidade actual dar o seu contributo, tendo a coragem de alterar o que ainda se pode alterar. 




Dia de jogo


Tive o privilégio de assistir ao Jogo entre a AD “Os” Limianos e o Atlético dos Arcos, no estádio do Cruzeiro. Nesse desafio, discutia-se o primeiro lugar do campeonato. Com o estádio cheio por visitantes e apoiantes da casa, as equipas deram um espectáculo de futebol como nem sempre acontece nestas categorias. Nas bancadas, o respeito e a festa do futebol foi a tónica. 

É evidente a vontade da equipa d`Os Limianos em voltar ao Campeonato de Portugal. Aliás, nota-se que a própria estrutura do clube já está montada para esse regresso, esforçando-se para que este seja permanente. 

O futebol alto-minhoto poderá estar perto de um salto de qualidade. O Vianense pensa na Liga 3 e na permanência nessa liga, “Os” Limianos pensam no Campeonato de Portugal, onde pretende militar durante umas épocas antes de pensar noutros voos. Os passos têm de ser dados com segurança e ponderação, pela primeira vez desde há muitos anos, os clubes parecem estar prontos para eles. Haverá coragem política para fazer o que tem que ser feito?