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domingo, novembro 20, 2022

Alto Minho, artigo de 16-11-2022

Onde estão os amigos?

Olhando à situação do ex-secretário de Estado, Miguel Alves, tenho-me questionado se não terá amigos. Sim, amigos daqueles verdadeiros que não fazem parte da política, mas da vida normal. 

Há muitos anos, tive o privilégio de conhecer um veterano de instituições internacionais. Conhecemo-nos melhor num dia em que um amigo comum tomava posse num cargo de grande responsabilidade regional. No meio da conversa, disse-me, num tom de voz solene, que nós, os amigos, é que temos a grande responsabilidade de assegurar que os que assumem posições de serviço mantêm os pés na realidade. O normal é, com o andar do tempo, passarem a viver numa bolha, logo só quem lhes pode dizer tudo com verdade, olhando-os olhos nos olhos, é que conseguirá trazê-los de volta à realidade.

Nesta altura, pergunto-me: Onde estiveram os seus amigos?


Será hipocrisia? 


Neste momento, quase todos em Portugal criticam Miguel Alves, o empresário e mesmo o primeiro Ministro. A verdade é que nada do que agora se critica era desconhecido, pelo menos em Caminha e no Alto Minho. É consultar, por exemplo, as páginas deste jornal do ano de 2020 onde se pode verificar como a líder da oposição, Liliana Silva, criticou o negócio e os vários comunicados da oposição a denunciar a situação. Muitas das pessoas que agora se indignam, nessa altura não o fizeram. Miguel Alves até voltou a ganhar as eleições de 2021.

Esta é uma das maiores dificuldades que os que se sentam na oposição enfrentam. Mesmo quando conseguem explicar localmente as razões das suas posições ou denunciar situações menos claras, as pessoas não as valorizam. 

Será que a gravidade dos casos aumenta por passarem a ter visibilidade nacional? Nós, os eleitores, não deveríamos precisar desse mediatismo nacional para nos indignarmos, para exigirmos responsabilidades. Será hipocrisia, subserviência ao poder? Será que só reagimos quando sabemos que o poder se esvaiu? 

Nos países de cultura anglo-saxónica, existe a “tradição” do escrutínio direto dos eleitos. Estes têm de dar contas em reuniões comunitárias, onde os seus eleitores os confrontam com os problemas, com as noticias, com as posições por eles tomadas. Por cá, infelizmente, a prática é de apenas participarmos nas eleições e, mesmo nessas, em cada vez menor número. 

É preciso estar mais atento à comunicação social regional e local, apoiá-la, participar nas reuniões dos orgãos políticos, exigir mais aos nossos eleitos.


Armistício


Completaram-se, no passado dia 11 de Novembro, 104 anos do armistício que pôs fim à Primeira Guerra Mundial. Por cá, o núcleo da Liga dos Combatentes de Ponte de Lima assinalou o dia depositando uma coroa de flores junto do monumento aos combatentes limianos que tombaram nas guerras do século XX. 

Esta é uma data que deveria estar na memória de muitas famílias limianas, foram muitos os limianos que partiram para França. Muitos não voltaram, mas, graças ao armistício, muitos outros voltaram e puderam constituir família.

domingo, novembro 06, 2022

Alto Minho, artigo de 02-11-2022

Caminha, Miguel Alves, Caminha

O executivo liderado por Miguel Alves pagou 300 mil euros, por um adiantamento de rendas para a construção de um Centro de Exposições Transfronteiriço (CET) que ainda não existe. O negócio  aprovado, com o voto contra dos vereadores do PSD, previa a sua execução em 500 dias e prometia tanto que só por isso deveria causar alguma estranheza. Aliás, a líder da oposição na altura, Liliana Silva, até questionou sobre a capacidade de concretização do multiusos por parte de uma empresa que tinha sido constituída apenas nesse mesmo ano. O então presidente da Câmara Municipal, ao invés de responder às duvidas e questões levantada, recorreu à gincana política fazendo acusações à sua antecessora.

Este negócio pouco claro, feito com dinheiros públicos, foi trazido à ribalta nacional pelo jornal Público, mas, desta vez, não podendo recorrer nacionalmente ao seu velho subterfúgio de fazer uma qualquer acusação à sua antecessora, Miguel Alves remeteu-se ao silencio.

O problema é que o que está em causa são os fundos que vêm das contribuições dos portugueses. Assim sendo, o silêncio em resposta às questões da comunicação social é inadmissível. 


Democracia


Já viram o que se passou no Brasil? A democracia passou a ser algo periclitante, não por fraudes eleitorais, mas pela forma como se realizou a campanha, o debate politico. A polarização, a falta de diálogo, a tribalização parecem ser o futuro da política. A violência e confronto foram de tão forma extremas que existiram vários exemplos de agressões por simplesmente se estar em lados políticos diferentes. 

A escolha passou a ser entre dois candidatos dos extremos, sem complexos de uso de linguagem radical, candidatos idolatrados e seguidos pela sua capacidade de demagogicamente e de forma populista ir ao encontro de tudo e de nada. 

Este novo e perigoso mundo arredou do debate politico os moderados, os que querem fazer política de forma civilizada, não radicalizada entre o “eu” e o “eles”, dos que olham para a política como a arte do compromisso. 

Infelizmente, caro leitor, não pense que estamos longe desse “mundo”. Ainda esta semana, no nosso parlamento, vimos esse caminho ser trilhado pelo nosso Primeiro Ministro. Não conseguindo responder ou refutar as criticas da oposição do centro, do PSD e da IL, respondeu com alusões, comparações e tentativa de colagem à extrema direita. Se dúvidas houvesse, depois do debate do Orçamento no Parlamento, estas ficariam claramente dissipadas. Ficou-se a saber quais são as duas faces da moeda do populismo em Portugal. Percebe-se como a sobrevivência de um está intimamente ligada à promoção do outro. Cada vez mais se fica a perceber que, para a sua perpetuação no poder, o PS  de Costa está disposto a tudo.


“Juro, como português e como militar, guardar e fazer guardar…” 


O Dia do Exército Português foi comemorado na passada semana. Não pensem que este existe para fazer uma e outra vez exercícios de guerra. O Exército Português tem, pelos compromissos internacionais de Portugal, vários palcos de acção. Entre operações de manutenção da paz a operações de cariz humanitária, o Exército está presente em vários campos de acção, um pouco por todo o mundo. Vale a pena verificar isso mesmo com uma visita à exposição "Operação de Paz em Zona de Guerra e Operações de Apoio à Paz e Missões Humanitárias” que o Núcleo de Ponte de Lima da Liga dos Combatentes e o Município de Ponte de Lima organizaram no Museu dos Terceiros. Está patente até ao dia 18 de Novembro.




domingo, setembro 25, 2022

Alto Minho, artigo de 21-09-2022

 Compromissos


Por esta altura, no ano passado, os candidatos às autárquicas gastavam os últimos cartuchos eleitorais. As promessas de amor eterno às populações que se proponham servir, os enormes objectivos que iriam alcançar juntos estavam na ponta da língua. Ainda não passou um ano e já houve quem se esquecesse desses dias e tenha abandonado o mandato que os seus concidadãos lhe deram. 

Por Ponte de Lima, quase sem se dar por isso, a cabeça de lista do movimento VIRAMILHO, Susana Torres, já abandonou a Assembleia Municipal. A passada semana, com grande estrondo, o presidente da Câmara Municipal de Caminha abandonou o concelho e rumou ao sofás do poder da capital, assumindo o lugar de Secretário de Estado Adjunto do Primeiro Ministro. 

Depois de garantir que estava para ficar, que já tinha recebido muitos convites para rumar a Lisboa e que não aceitava porque o seu trabalho era servir as pessoas de Caminha, sem cumprir um ano de mandato, Miguel Alves abandona a presidência do município da foz do Minho. A presidência passa para Rui Lages. Porque não conheço, fui à página do município de Caminha perceber de quem se trata. Licenciou-se, em 2011, em Direito, em 2015 assume o lugar de adjunto do Ministro Adjunto do primeiro governo de António Costa, em 2017 foi eleito vereador, renovando a eleição em 2021. Ou seja, os caminhenses nem vão estranhar muito, Miguel Alves fez agora 47 anos, Rui Alves tem 34, é uma questão de se dar tempo ao tempo para o currículo ser ainda mais parecido.


Nova era


Quem vive uma nova era são as paróquias de Arca, Ponte de Lima e Feitosa no concelho limiano. As três paróquias receberam um novo pároco. Certamente sem querer apagar o trabalho feito pelos seus antecessores, quer pelos tempos quer pelo seu percurso trará, como é normal, outra visão e atuação pastoral.

José Fernando Caldas Esteves (monsenhor) tem um vasto currículo onde se destacam as suas responsabilidades junto do Vaticano. Para além de ter desempenhado as funções de Reitor do Colégio Português de Roma, trabalhou na Congregação para a Educação Católica onde foi responsável pelos países de língua portuguesa. Voltou, por sua iniciativa, para a sua Diocese de Viana do Castelo onde se colocou ao serviço do bispo. 

As comunidades não são feitas por uma pessoa, são o resultado do trabalho fraterno entre os vários membros da comunidade que, nas suas diferentes responsabilidades, trabalham em prol de objectivos comuns. Foi interessante verificar que na eucaristia de “entrada” do novo pároco compareceram pessoas das várias comunidades por onde o padre Caldas passou, quiseram fazer-se presentes. Este é o melhor indicador que poderia existir para o futuro destas 3 comunidades.  




domingo, abril 18, 2021

Alto Minho, artigo de 14-04-2021

Desejos

No número anterior do Alto Minho podíamos ler Gaspar Martins (VIRAMILHO) a assumir que irá vencer, já na folha seguinte Abel Baptista (PTMT) a afirmava que a luta será entre ele e Vasco Ferraz (CDS-PP). 

Desejos, vontades? Abel aposta na narrativa da bipolarização para tentar reduzir as opções de escolha, Gaspar pretende demonstrar confiança no seu “músculo” eleitoral. 

A verdade é que Ponte de Lima terá pelo menos 6 candidatos, vive uma mudança de ciclo, com uma abstenção de cerca de 34% e o aparecimento de novas orgânicas e partidos pelo que qualquer previsão, pelo menos para já, não mais será que uma expressão de desejos. 


Prefiro notícias


Recentemente participei num evento que, por causa da pandemia, decorreu online. Nos dias seguintes, o evento apareceu em alguns órgãos de comunicação social, nomeadamente online. Repare, caro leitor, que escrevi “apareceu” propositadamente. Não se tratou de uma notícia sobre o evento mas de um comunicado de um qualquer gabinete ou agência de comunicação transcrito, acriticamente, como que de uma notícia se tratasse. O comunicado foi partilhado várias vezes nas redes sociais e, na verdade, excluindo-se o título, o que ficou do evento foi a leveza da vacuidade. Felizmente, o jornal que está a ler investe em jornalistas, ao contrário de alguns congéneres locais e nacionais, e por cá leu-se uma notícia sobre o evento, quem interveio, o porquê do evento, etc. 

São exemplos como este que elevam a importância de uma imprensa feita por jornalistas. É a diferença entre uma notícia, que pretende informar, e um comunicado, que pretende influenciar e construir realidades narrativas, por vezes paralelas à verdade. São os jornalistas que transcrevem os acontecimentos em notícias, são eles que têm a função de escalpelizar os comunicados enviados para as redações, são eles os especialistas, treinados para distinguir o que é notícia e o que é “publicidade”. 

Eu, caro leitor, prefiro notícias.


Gontinhães 


Muitos leitores não saberão, mas Gontinhães é o nome ancestral da freguesia que, depois de elevada à categoria de vila a 2 de Julho de 1924 pela Câmara de Deputados, passou a ser designada por Vila Praia de Âncora. 

É por lá que o peixe passa a fazer, realmente, parte dos meus gostos gastronómicos. Em mais nenhum lado esse gosto aparece. Normalmente, tudo começa por um telefonema do restaurante ao amigo José a dizer que tem novidade fresca. Simpaticamente somos convidados para, junto com outros amigos, o ajudar a “trinchar” um robalo. Comparado com os que se vão encontrando por aí, estes robalos mais parecem tubarões. Já nem vos escrevo sobre o sabor, porque este só mesmo experimentando nos restaurantes de Gontinhães.

Ainda me lembro das ondas galgarem e atravessarem o velho portinho de Vila Praia de Âncora e chegarem às ruas da cercania.   Mais tarde fizeram uma intervenção, colocaram pontões, pedras e barreiras, mas o resultado foi o assoreamento persistente do portinho. Não consigo entender como, ano após ano, o portinho de Âncora é noticia sempre pelo mesmo. Não bastava aos pescadores terem que enfrentar os inertes do seu portinho, ainda têm que enfrentar a inércia dos responsáveis políticos. E tanto bom peixe para ser notícia…


Pode ser uma imagem de oceano, lusco fusco e céu



sexta-feira, janeiro 16, 2009

Alto Minho artigo de 16-01-2009

Luta de gerações

Na política não se pode dar como verdade existencial, como algo adquirido e eterno, o paradigma que vivemos. Como na natureza, também na política tudo se transforma.

Isto tanto serve para quem tem o poder, que o deve exercer como algo passageiro, como para a oposição, que deve estar preparada para assumir as responsabilidades da governação da res-publica.

Mas esta situação de mudança, de mutação das realidades, serve ainda para aquilo que assumimos como incontestável, inclusive dentro dos partidos. Desde as influências dos notáveis, passando pelos chamados, e existentes, sindicatos de voto internos, como a detenção de pequenos “poderes” dentro do aparelho partidário, nada é eterno. Poderá existir durante um maior ou menor período de tempo, mas não é eterno, nem que não seja pelo natural decorrer da vida.

Assiste-se hoje ao declino de uma geração de políticos e políticas e ao aparecimento de uma nova geração. Como em qualquer passagem de geração, muitos não conseguem assumir perante si o seu novo “papel”. Este é um dos verdadeiros problemas em todas as instituições, inclusive dentro do mais pequeno núcleo que é a família. Com um nível maior ou menor de “trauma” todas as instituições acabam por passar por este processo.

Aqui reside a maior das oportunidades, se se conseguir aproveitar esse processo de transição para conjugar o saber dos mais velhos com a ousadia dos mais novos, a prudência com a vontade de inovar, a evolução com a revolução. Nem sempre isto é conseguido pacificamente, por vezes existe ruptura, o que significa que as instituições voltam a exibir um baixo patamar de sucesso.

Os partidos políticos de maior sucesso no distrito estão a passar por este processo. Em ano de eleições, o peso ainda é maior e a “guerra” geracional poderá ter resultados catastróficos. A ver vamos se os protagonistas políticos estão à altura da maior decisão das suas vidas políticas, a delegação de poderes, a transmissão de conhecimento, a demonstração de confiança que devem ter naqueles que na verdade aprenderam com eles.

O problema de Caminha

O concelho de Caminha continua atribulado. Mas qual é o problema da Câmara de Caminha? Não é um, são dois. Um é o vereador agora independente, José Chão, que pelo que se pode ler na comunicação social a única coisa que o impele nas votações é o seu sentimento pessoal de vingança política por a Presidente da Câmara, Júlia Paula, lhe ter retirado a vice-presidência e os pelouros por alegadas pressões e atitudes menos próprias no exercício dessas mesmas funções. A população precisa de abastecimento de água, pavimentos nas estradas, etc? Não interessa, o importante é Júlia Paula não poder governar. O outro problema é o PS. Este assumindo a sua condição de não alternativa passou a ser o “patrono” de José Chão. Será que o PS depois de 25 anos de poder em Caminha, face às políticas de Júlia Paula, nada tem a propor ao concelho de Caminha para além do apoio à gincana política?

segunda-feira, novembro 24, 2008

Alto Minho artigo de 24-11-2008

Figurantes

Acabamos de saber que os computadores Magalhães entregues pelo Primeiro-ministro em Ponte de Lima foram apenas um figurino para a fotografia. José Sócrates volta a Ponte de Lima para de novo “brincar” com os limianos. Primeiro, aproveitando a boleia do candidato presidencial Soares, veio fazer de conta que uma fábrica do IKEA vinha para Ponte de Lima, agora veio fazer das nossas crianças figurantes numa “guerra” que claramente perde para os professores, alunos e pais.

Entretanto, o presidente da Câmara de Ponte de Lima tornou público que a entrega foi uma "experiência" para as crianças se “familiarizarem” com os computadores e que os alunos estavam avisados de que não iriam ficar com eles para já. Só não se percebe por que é que a experiência tinha que ser feita com as máquinas fotográficas e de filmar da comunicação social e um Primeiro-ministro a fazer o papel de distribuidor de material informático.

Esta situação suscita algumas questões. Alguém terá perguntado aos pais se concordavam com a entrada dos seus filhos como figurantes neste “sketch” publicitário? Experiência de quê? De como Daniel Campelo fica bem na fotografia com o Primeiro-Ministro? Experiência para travar a exposição mediática da contestação que paira no ensino em Portugal?

O mediático presidente da Câmara de Ponte de Lima não deveria pactuar com estas situações. O concelho de Ponte de Lima, os limianos devem ser tratados com respeito e ele deveria ser o primeiro a garantir isso.

Política negativa

O voto contra do vereador, José Bento Chão, da Câmara de Caminha levou ao chumbo do Orçamento e Plano da autarquia para 2009. Esta posição só veio confirmar aquilo que já anteriormente tinha escrito, o que está em causa é o oportunismo do PS de Caminha e a traição do vereador ao povo que o elegeu.

Mas, ao chumbar o Orçamento e Plano, o PS assume o desespero da tentativa de bloqueio em ano de eleições, esquecendo-se de que quem vai pagar são as pessoas de Caminha, com obras atrasadas, projectos adiados, escolas, caminhos, água, eventos culturais…

segunda-feira, novembro 03, 2008

Alto Minho artigo de 03-11-2008

30 moedas

Alguns políticos de Caminha recordaram-nos, na passada semana, por que temos a tendência para “catalogar” a política e os seus intervenientes como não merecedores de confiança. O que está em causa? Traição e oportunismo.

O vereador, Bento Chão, eleito pelas listas do PSD de Caminha, criticado anteriormente pelo PS de Caminha, a quem Júlia Paula tinha retirado os pelouros que detinha por “falta de confiança política”, deu mais um passo em falso. Cedeu ao oportunismo do PS local, votando com os vereadores deste partido para retirar poderes anteriormente delegados na presidente da Câmara. Com esta atitude consumou a traição.

A traição, ao contrário do que se possa pensar, não foi ao partido que o acolheu nas suas listas, o PSD, nem mesmo à líder dessa lista e presidente da Câmara, foi essencialmente para com as pessoas que o elegeram. Já agora, a traição aos eleitores é algo que estes tendem a não perdoar e a seriamente castigar.

Para além do barulho e da instabilidade política momentânea, o que fica deste caso? Apenas uma péssima imagem de um PS desesperado e sem ideias para Caminha.

Representantes

Nas eleições para a Assembleia da República, a verdadeira escolha dos deputados é feita pelos partidos. A nós, os leitores, apenas fica reservado a eleição daqueles que os partidos previamente escolheram. Na verdade, a escolha que os eleitores fazem também não é tanto pelos deputados, que afinal de contas nem conhecem, mas sim pelo governo que desejam para Portugal. Os partidos sabem disso e aproveitam esse factor para escolherem as pessoas apenas por critérios meramente explicáveis pela perspectiva político-partidária. Se assim não fosse, certamente que os deputados seriam conhecidos pelos eleitores, sairiam destes, seriam verdadeiramente os representantes dos seus eleitores e teriam todo o interesse que estes os conhecessem.

Vejam o exemplo do nosso distrito, o leitor sabe, por acaso, o nome de apenas dois deputados eleitos pelo nosso distrito? Pois é. A verdade é que é difícil lembrarmo-nos dos nomes deles, ainda para mais quando estes apenas por cá passam de quatro em quatro anos.

Alguém sabe as suas posições, opiniões sobre o distrito, o futuro e o presente que defendem para o Alto Minho? Serão estes verdadeiramente os representantes dos eleitores do Alto Minho? Não deveriam eles, a título de exemplo, ter uma perspectiva social representativa do distrito que os elegeu. 59.59% dos eleitores do distrito votaram não no referendo da despenalização do aborto, como votaram os nossos deputados? Pode parecer irrelevante e uma questão de consciência e isso tudo, mas, na verdade, revela a ligação que existe com os eleitores, com a vivencia, a cultura que os deputados deveriam representar ao serem eleitos por um círculo eleitoral. É nisso que os partidos têm que reflectir agora que começam a preparar as próximas eleições. É isso que os eleitores deverão exigir votando conscientemente naqueles que querem como seus representantes.