domingo, fevereiro 15, 2026

Alto Minho, artigo de 12-02-2026

Não será populismo?

A Associação Desportiva “Os Limianos” (ADL), pelos seus 73 anos de existência, pela história de sucesso desportivo que carrega e pelo trabalho formativo que todos os dias faz junto de centenas de jovens e crianças, é um clube diferenciado, representativo de Ponte de Lima. Para lá dos treinos dos vários escalões, que decorrem todos os dias, das 18h às 21h, em dois campos, para que todas as equipas possam jogar aos fins-de-semana, por todo o distrito, é necessária uma gestão logística já com uma envergadura profissional. Um exemplo, o “Os Limianos” tem duas equipas de sub15, a A e a B, que competem nos campeonatos da Associação de Futebol de Viana do Castelo, jogando as duas, normalmente, ao domingo de manhã. Por cada jogo, cada uma das equipas, entre jogadores e equipa técnica, é constituída por 18 a 20 pessoas que, mesmo com a ajuda dos pais, tem de se deslocar, cada uma, em pelo menos duas carrinhas. Desportivamente, nos seniores, é o clube que há mais tempo representa o concelho no desporto rei, em campeonatos nacionais. Ainda no passado fim de semana, a equipa de Ponte de Lima jogou na Madeira. 

Pela sua dimensão, se percebe o seu efeito de alavanca, quanto maior e melhor estiver, mais os outros clubes do concelho, com uma vocação mais local, são “puxados” para outros patamares. É por isso estranho, mesmo a roçar o populista, o sentido de voto do vereador eleito pelo PSD na câmara de Ponte de Lima contra o protocolo de colaboração entre o Município de Ponte de Lima e a ADL, para a cedência de um mini-autocarro recondicionado. A justificação de que “uma vez que as outras Associações Desportivas não terão a mesma oportunidade” denuncia um completo desconhecimento da realidade.  


O populismo não reside só nos agentes políticos


Se analisarmos com bom senso, perante uma tempestade sem precedentes seria difícil a ação do Governo (deste ou de outro) ser diferente do que foi. Quando se deixou, logo no início, de ter meios de comunicação e energia elétrica, a percepção da real devastação tornou-se, desde logo, parcial. 

Nos dias seguintes à tempestade, a comunicação social, nomeadamente os canais de notícias, ao invés de informar, preferiu seguir o caminho da exploração do sentimento de insegurança, procurando o sensacionalismo. O desespero das populações, a falta de enquadramento, a hipócrita superioridade moral com que cobriam o que estava a ser feito pelas autoridades de proteção civil deixou a nu o populismo informacional dos canais de notícias. Deixo um exemplo, quando, segundo a REN, foram afectados mais de 5.000 quilómetros de linhas elétricas, os jornalistas confrontavam os responsáveis como se esse trabalho se resolvesse com um estalar de dedos. Talvez esteja a ser injusto. Talvez não seja populismo, talvez seja o reflexo da crise em que a comunicação social vive. A mesma que já não permite ter, no terreno, repórteres seniores, com experiência de profissão e de vida (só vários dias depois é que os vimos) e que parece “viver” apenas em função dos relatórios de “share”.