domingo, fevereiro 08, 2026

Alto Minho, artigo de 05-02-2026

Oportunidade para elevar o debate político

Depois de um processo iniciado em 2018, no final do ano passado, ultrapassados todos os meandros burocráticos, a maioria no executivo apresentou uma proposta de alteração do PDM. Numa altura em que a proposta está em discussão pública, Vasco Ferraz, em articulação com as Juntas de Freguesia, está a promover sessões públicas de esclarecimento. Nestas sessões, é o presidente a dar a cara pela proposta, respondendo, diretamente, às dúvidas que qualquer munícipe possa colocar. Com esta atitude demonstra confiança, demonstra acreditar na proposta e não ter receio de ser confrontado pelas pessoas. Está, assim, pronto para o debate.

Perante isto, a oposição tem dois caminhos. Continua, inconsequentemente, a fazer comunicados e protestos, tentando alimentar casos e casinhos a que ninguém liga. Ou, percebe que é tempo de fazer política real, de ir para o terreno. Congratularam-se por ter mais candidaturas a juntas de freguesia, não foi? Ouviram-nos quando analisaram a proposta de revisão, certo? Então, porque não incentivar esses seus candidatos, em cada uma das suas freguesias, a participar ativamente nas sessões públicas, solicitando esclarecimentos, fazendo observações e sugestões, democraticamente confrontando o presidente da Câmara com os putativos problemas que esta revisão significa para cada uma das freguesias? 

Dará trabalho, sem dúvida. Mas, se essa participação for feita com espírito democrático, livre e aberto, talvez venham a ser reconhecidos como capazes de trazer algo de bom ao debate e às vidas das pessoas. 


“Náusea”


Na passada semana, a única livraria do concelho de Ponte de Lima, a União, promoveu um encontro com o jornalista e escritor Miguel Carvalho. A “desculpa” para a conversa foi o seu mais recente livro “Por dentro do Chega”.

Tive o gosto e o privilégio de moderar a conversa, e esta não se ficou pela rama. O mais interessante do livro, na minha opinião, são as entrevistas. Todas feitas em “on”, com várias pessoas que foram ou são partidárias do CH. Com elas percebemos o porquê das adesões e o porquê de lá terem saído/fugido.  

Logo no início do livro, o autor avisa que a sua leitura poderá provocar náusea. Depois de ler o livro, depois de falar com o seu autor, percebo, realmente com alguma náusea, que muito do sucesso do CH é fruto da bolha onde os partidos  e a comunicação social nacional vivem. Longe dos problemas reais e concretos das comunidades, perdidos em fátuas polémicas, deixam um vazio pronto a ser preenchido. O problema é que esse vazio foi ocupado, não por quem quer e tem soluções, mas por quem, arvorando-se diferente do sistema, é, na verdade, o que de pior sai desse mesmo sistema.