Recordação
Entre o Campo do Arnado, na vila de Arcozelo, e o rio Lima, viu-se recentemente erguer um campo de vólei de praia. Esta simples estrutura devolveu, de forma quase irónica, a areia a um local que, por decisão política, tinha sido transformado num plano relvado, afastando-o da sua identidade ribeirinha.
Este pequeno recinto, logo dinamizado pelos jovens atletas da secção de Voleibol da EDL, trouxe-me à memória outras gerações, de um outro tempo, que usavam aquele mesmo espaço, então um areal de areia de rio, mais rude, como o epicentro do seu divertimento estival. Hoje parece quase inverosímil acreditar que por lá existiu um areal onde não só se estendiam as toalhas de praia e se jogava à bola, mas também a roupa secava após a lida das lavadeiras na emblemática “boca” do rio Labruja.
Precisamente no perímetro onde agora se encontra o referido campo, fixava-se o posto do nadador-salvador, munido com as bóias e a prancha de salvamento, tendo encostado ao muro um pequeno quiosque de venda de gelados. Embora aquele espaço tivesse muita ocupação, os locais conheciam um pequeno segredo, o melhor era mesmo atravessar as águas gélidas do Labruja e assentar arraias no areal de cima. Afinal, as águas do Lima, livres da mistura dessas correntes, eram sempre mais quentes e acolhedoras.
Tempo de férias
Para além das leituras, o que gosta de fazer no Verão? Eu, por exemplo, gosto de ver filmes antigos. Este Verão tenho andado a revisitar alguns clássicos italianos. De Visconti, já vi o “O Leopardo”, o “Viagem à Itália”, de Rossellini, ou o "8½" de Fellini e tenho outros em espera. Há qualquer coisa de fantástico nestes filmes. Apesar de já os ter visto uma e outra vez, prendem-me por um qualquer pormenor que me tinha escapado anteriormente.
O Verão leva-me a deixar as biografias e os livros de história para me embrenhar na obra de Stephen King. Não sei o porquê, mas desde que há uns anos, por um acaso, o comecei a ler, não consigo deixar de o fazer. A sua capacidade de construir personagens e de contar histórias e estórias é impressionante, são tão reais que, por vezes, quase parece que vivemos lá. Será por isso que apenas o leio no Verão? Há mais luz, talvez me sinta mais seguro. Não sei.
Quem faz o favor de me ler já sabe que nesta altura cito o saudoso padre José Sousa, que não se cansava de nos dizer que as férias não são tempo de ociosidade, mas de alteração de actividade. Fazemos o que mais gostamos, numa altura em que o tempo parece estender-se, parece que temos tempo para realizar o que fomos adiando durante o ano.
Chegou esse tempo, por isso, caro leitor, voltamos-nos a encontrar em Setembro, por altura das Feiras Novas. Não se esqueça de participar nas nossas múltiplas festas, de ouvir as concertinas, as bandas e, porque não, dar um passinho de dança num bailarico. Aproveite o Verão, boas férias!