Bom exemplo
A Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Lima apresentou a segunda revista “Fórum Limicorum: cadernos de estudos limianos”. Pelo que tornaram publico, este tem como missão “dar corpo à produção de conhecimentos sócio-humanitários sobre a Ribeira Lima e de constituir um lugar de encontro entre a academia e a boa investigação local.”
É interessante verificar que a mais antiga instituição limiana tem demonstrado uma inteligência estratégica invulgar, a de abraçar projetos que não se limitam a divulgar o que “é seu”, mas que promovem, activamente, a história comunitária de todo o concelho. Já não falamos do esforço benevolente de curiosos ou amantes da história local, mas sim de um trabalho científico rigoroso, validado por académicos e assente numa investigação séria.
Não é comum encontrar uma instituição multissecular com tamanha abertura de horizontes e saúde financeira para assumir tal responsabilidade. Ter a coragem de investir na cultura e no conhecimento é, hoje, uma forma nobre de prestar serviço público.
Do baú da memoria
Teria uns 11 ou 12 anos, quando tive o primeiro contacto com um skate. Foi o meu primo Mário Leitão quem me apresentou às pranchas com rodas, incentivando-me a reproduzir as habilidades que ele e os amigos exibiam pelas ruas do bairro da Socomina, em Viana do Castelo. Nessa altura, era no asfalto da rua que se tentavam os primeiros 360º ou o clássico tic-tac.
O meu primeiro skate foi herdado dele, um modelo de prancha pequena, mas já com rodas de borracha. Mais tarde, com o fenómeno do Fido Dido, a mascote de uma marca de refrigerantes, os desportos “radicais” democratizaram-se. Numa altura em que não existiam lojas da especialidade, a não ser no Porto ou em Lisboa, tornou-se possível a um adolescente do interior do Alto Minho juntar uns pontos e aceder a uma prancha mais moderna. Foi o meu caso. Com o Diogo e outros amigos, passámos a dominar as descidas em Faldejães ou a aproveitar o piso liso da estrada do Arquinho, em Arcozelo.
É curioso observar que, mais de duas décadas depois, tenha sido precisamente um Presidente da Junta de Arcozelo, João Barreto, pai do Diogo, a estimular o espírito empreendedor de um grupo de jovens. Esse apoio permitiu que criassem, de forma autónoma, um espaço dedicado ao skate, feito por e para quem ama a modalidade. A verdade é que esse local se tornou, nos últimos anos, uma referência para a comunidade skater regional e mesmo nacional (basta procurar no YouTube). Apesar de ser quase um "lugar secreto", sem placas ou indicações, quem é do meio sabe bem onde o encontrar.
Há muito que não subo para um skate e muito menos coloco a hipótese de arriscar as manobras de outrora. A modalidade mudou muito, chegando inclusive ao patamar de desporto olímpico, mas mantém aquele cariz underground, incompreendido por muitos e praticado por poucos. No entanto, resta-me o orgulho de ver que o meu concelho e a minha freguesia entraram para o mapa desta cultura urbana.