domingo, outubro 04, 2026

Alto Minho, artigo de 01-10-2026

Espaço desvalorizado



Há um miradouro no concelho de Ponte de Lima que consegue fazer o pleno. É possível ver o nascer e o pôr do sol, contemplar o vale do Lima desde o Lindoso até à foz e, claro, observar a beleza do centro urbano da vila de Ponte de Lima. O leitor já deve ter percebido que escrevo sobre o Monte de Santo Ovídeo, na vila de Arcozelo.

É também lá que se encontra o Penedo do Cavalinho, uma rara gravura rupestre zoomórfica, da Idade do Bronze, que representa um cavalo e o seu cavaleiro. Classificado como Imóvel de Interesse Público, este monumento situa-se a sul do muro da capela de Santo Ovídeo.

Infelizmente, todo aquele espaço encontra-se ao abandono. Muros caídos, candeeiros apagados e desactualizados, parque de merendas destruído, a referida figura completamente ao desbarato e, mais grave, com a indicação de uma “réplica”, como sendo “a” figura, a norte da capela.

Seria benéfico para todos que a Câmara Municipal, a Junta de Freguesia e a Igreja se juntassem e transformassem aquele lugar num espaço digno e atractivo. Um dia, responsáveis políticos falaram em construir um restaurante ou um café, à imagem do existente no fronteiro Monte da Madalena. Não sei se será preciso tanto, mas que deixar aquele lugar ao abandono é um crime, lá isso é.


Participação política


Será de mim, da minha forma de viver, mas parece-me que cada vez mais agentes políticos (eleitos, membros activos dos partidos…) rendem-se ao populismo dos likes nas redes sociais, ao invés do trabalho que deveriam fazer nos órgãos para onde são eleitos.

Mesmo ao nível local, a política deixou de ser feita com a ambição de mudar algo, sucumbindo ao “estourar” o outro em troca de não sei quantas visualizações e likes. O ridículo passou a ser louvado, o trabalho sério passou a ser olhado como “não cativante”.

Contrariar essa nova visão da política é difícil, quase quixotesco. Serão os novos tempos, dizem que nos temos de habituar. Talvez assim seja, mas confesso que devemos, aqui, ser subversivos. Não nos podemos habituar, não podemos achar normal e deixar de olhar criticamente para essa atitude.


Será que…


Não é nada de novo. Nos partidos, sempre houve quem, eleito por uma força política, saltasse para os braços de outra por lhe “darem melhores condições”.

Será que o CH já encontrou o seu candidato à Câmara de Ponte de Lima? Sim, ainda só passou um ano das últimas eleições autárquicas e ainda há muito tempo para “juras de amor eterno”, mas, lá no fundo, com o caminho que se está a percorrer, talvez se venha a verificar um divórcio e um novo casamento.