domingo, outubro 25, 2026

Alto Minho, artigo de 22-10-2026

Que futuro queremos?

Os jovens cresceram numa era de avanços tecnológicos, mas também de crises e de famílias mais isoladas. Embora 56% destes não tenham o ensino superior, os 44% que o têm fazem desta geração uma das mais qualificadas de sempre. Em contraste, cerca de 140 mil a 185 mil jovens, 8% dos jovens no território nacional, não trabalham, não estudam nem frequentam formação. Já os que se encontram em situação de desemprego são cerca de 20%, quase o triplo da taxa geral. Os que trabalham recebem salários que raramente superam os 1000 euros e, com isto, a autonomia é adiada. A saída de casa dos pais acontece, em média, aos 29 anos e a emigração afecta um em cada cinco jovens.

Com este cenário, que participação cívica restará a estes jovens? Estarão dispostos a debater e a intervir na sociedade, ou vão isolar-se apaticamente no scroll digital? É precisamente neste vazio de perspectivas que os extremismos ganham terreno e ameaçam o futuro. Nas legislativas de há um ano, o Ch foi a segunda força mais votada entre os mais jovens, atrás da AD (PSD-CDS). E se as eleições fossem agora? Será que o seu voto refletiria o que querem para a comunidade ou apenas um grito de protesto?

Eis mais um tema que deveria estar em cima da mesa da discussão política, não só a nível nacional, mas também por cá, nas nossas autarquias, onde o poder político se encontra mais próximo dos cidadãos. Como é que estamos a olhar para os nossos jovens, estamos realmente a vê-los? Que futuro queremos para eles? 

Podem, também, continuar a pensar que discutir “relações institucionais”, promover jogos de egos, ou fazer vídeos/comentários para as redes sociais são assuntos/temos/acções mais importantes, o que não podem é depois queixarem-se.  


As "acampadas" da moda


A extrema-esquerda portuguesa tem perdido terreno político nas escolas, nas fábricas, nos serviços e na representação dos mais excluídos, mas ainda resiste na “rua”. Na rua, porque os que por lá vão permanecendo estão sempre prontos para “acampadas”, peço desculpa, para o protesto, contando sempre com a ardilosa complacência da comunicação social nacional. As televisões e rádios nacionais têm sempre espaço para divulgar e ampliar estas acções, independentemente das causas.

Lembro-me, em contraste, dos protestos de centenas de habitantes da vila de Arcozelo, em Ponte de Lima, contra a construção de uma central de betuminoso no centro da sua freguesia. Recordo a enorme dificuldade que existiu em dar voz a essa luta. Nem marchas públicas (a pé ou de carro), concentrações, reuniões ou intervenções acesas nas Assembleias de Freguesia e Municipal fizeram com que alguma televisão nacional desse cobertura à luta daquela população.

Hoje, se usassem nas suas comunicações neologismos da moda ou optassem por envergar lenços e bandeiras palestinianas, talvez tivessem conseguido uns minutos num bloco de notícias nacional.