Opções
O presidente da Junta de Calheiros, Agostinho Araújo, deixou o desabafo no número da passada semana deste jornal, de que “a juventude quer construir em Calheiros, mas está embargada pelo PDM”. A revisão do PDM de Ponte de Lima tem sido um anseio, principalmente de quem vive nas freguesias periféricas do concelho. Ora por gestão política, ora por opção, por medo de que as restrições entretanto impostas venham piorar a capacidade de construção nessas mesmas freguesias, a revisão tem sido adiada.
Hoje, na zona urbana limiana, vive-se um novo movimento, zonas onde prevaleciam casas unifamiliares começam a ser alteradas. Vivendas são compradas para serem demolidas e substituídas por prédios. A construção de casas multifamiliares, os bairros de apartamentos, prevalecem na política de desenvolvimento urbano. Esse movimento traz novos residentes, normalmente das freguesias periféricas, alterando as formas de vida a que estávamos habituados, significando novas pressões e necessidades para essas zonas.
Na zona histórica, a reabilitação segue o mesmo caminho. Fruto da rentabilização do investimento feito na reabilitação, as casas multifamiliares trazem, no entanto, novos desafios. Normalmente com negócios no rés do chão, com três, quatro ou cinco apartamentos nos restantes andares, casas, que outrora albergavam uma família, albergam agora quatro ou cinco vezes mais pessoas. Os espaços e serviços públicos devem acompanhar essa mudança. A pressão automobilística, por exemplo, irá aumentar, a rede elétrica da zona, face às necessidades actuais, terá de ser reforçada, etc.
Seria bom que o processo de revisão do PDM de Ponte de Lima avançasse ainda neste mandato, seria, também, uma boa forma de perceber o que cada candidatura defende para a gestão urbanística do nosso território.
Coisas de filmes
Há uns anos foram demolidos os últimos bairros de casas pré-fabricadas existentes em Ponte de Lima. Construídos nos finais dos anos 70 do século passado para satisfazer necessidades habitacionais, foram substituídos por bairros sociais multifamiliares. Agora encontram, em terrenos privados, “bairros” que antes só se viam em filmes, de roulotes e casas amovíveis. Quem e como vive por lá? As entidades públicas, das autarquias, acção social, à fiscalização económica, devem estar atentas a estas novas realidades.
Nove meses
Faltam nove meses para as eleições autárquicas e, se alguns protagonistas vão fazendo aparições, outros parecem querer manter-se na “sombra” o maior tempo possível. Luís Nobre terá sentido a necessidade de se afirmar como recandidato, garantindo a este jornal que “nunca houve dúvidas” de que seria ele o candidato do Partido Socialista à Câmara Municipal em Viana do Castelo. Numa altura em que basta “andar” por Viana do Castelo para se perceber a insatisfação com a gestão de Nobre, estranha-se que ainda não exista um nome alternativo à liderança do concelho sede do distrito.
Por Ponte de Lima, já foram anunciadas duas candidaturas, a do Movimento Ponte de Lima Minha Terra e a do Partido Social Democrata. Se a primeira, a de Zita Fernandes, não mobilizou, a segunda, de José Nuno Araújo, passou despercebida. É interessante, no entanto, verificar que as duas candidaturas convergem ao publicarem textos genéricos, cheios de lugares comuns, sobre cada uma das freguesias do concelho. Será para convencer possíveis candidatos a essas Juntas de Freguesia? Quem permanece num silêncio sepulcral é o PS, não se percebe esta estratégia para quem quer voltar a ter uma voz autárquica, após quase uma década de ausência da “mãozinha” nos boletins de voto. Ah, já agora, o Chega e a IL prometeram uma presença forte nestas autárquicas, o tempo vai passando e, também por aquelas bandas, permanece o silêncio.