domingo, fevereiro 23, 2025

Alto Minho, artigo de 20-02-2025

O mundo ao contrário

Há um ressentimento cada vez maior pelas supostas elites, um sentimento exacerbado por líderes populistas sedentos de poder e de vontade de entrarem no sistema político, não para o melhorar, mas com a intenção, declarada, de o destruir a partir de dentro. Para isso, atacam os tribunais, os “partidos tradicionais”, e, claro, a imprensa que “está ao serviço de interesses ocultos”. Servem-se do descrédito das instituições democráticas, descrédito alimentado por mentiras, desvalorizando tudo e todos que os desmintam. Nisto, a extrema-esquerda woke e a extrema-direita são gémeos. 

Recentemente, um dos partidos que se serve do expediente descrito anteriormente, confrontou os seus eleitores com a sua dura realidade. O líder convoca conferências de imprensa e produz vídeos para as redes sociais a gritar “vergonha”, ridiculariza eleitos de outros partidos e instituições, afirma, até, que existe o risco do Parlamento se tornar “uma casa de alterne do crime”. Mas eis que, qual tsunami de realidade, ficamos a saber que alguns dos protagonistas do partido, escolhidos pelo líder para ocuparem cargos políticos de relevo, demonstraram como seria se o eleitorado “sucumbisse”… ao seu apelo. Membros do partido, alguns até deputados da nação, são suspeitos e acusados de crimes como roubo, prostituição infantil, participação económica em negócio, ameaças físicas, etc. Sim, têm razão quando afirmam serem diferentes, são, mas para muito pior.


Recrutamento


A maioria das pessoas não pensam, nem nunca pensaram, em participar na vida política, pertencer a um partido, a um movimento, candidatar-se a uma eleição. Infelizmente, são cada vez mais os que, tendo participado, rapidamente se afastam. Não é fácil. Muitos pensam que quem por lá anda apenas o faz por interesse próprio (seja por benefícios sociais ou financeiros), mas a verdade é que a grande maioria que participa activamente na política, nos partidos, nos movimentos, o faz por convicção, sem ganhos, na maioria das vezes até com custos financeiros e pessoais. 

É neste ambiente de afastamento que os partidos e movimentos têm a responsabilidade de atrair os melhores, nas artes, na cultura, na economia, na saúde, no ensino, nos mesteres. É difícil? Claro, mas, se não fizerem esse esforço, a degradação, como se vê, causará danos que poderão ser irreparáveis para a nossa democracia, para o nosso sistema político-social.


Lagoas




Ainda se lembra das bicicletas “Lagoas”? Já não se lembra? Em 2009, o município de Ponte de Lima investiu 14.389,60 € na compra de bicicletas que baptizou de “Lagoas”. Foram criadas ciclovias e promoveu-se a ideia de “passeios” de bicicletas até à zona húmida de Bertiandos e São Pedro de Arcos. Infelizmente, o projecto de mobilidade não teve desenvolvimento, vindo a desaparecer sem se dar por ela.
As bicicletas, essas, a última referência que encontrei sobre elas foi a de um leilão de venda por lote. Em sentido contrário, recentemente, o concelho de Barcelos criou uma rede de bicicletas partilhadas, onde, por um valor residual, os residentes podem usufruir desse meio de transporte. Se pensam que só resulta numa cidade, desenganem-se, o município de Vila Verde apresentou, no início deste mês, o projecto “Bike Amor”. Nada mais, nada menos, que um sistema de bicicletas partilhadas que, se tiver adesão, poderá ser replicado noutros pontos daquele concelho. Eis dois bons exemplos que poderiam ser replicados em concelhos alto-minhotos, concelhos como o de Viana do Castelo e Ponte de Lima. É preciso deixar o conservadorismo, tão enraizado na nossa região, e dar passos na mobilidade sustentável.