Movimentos
As eleições autárquicas deste ano trouxeram, finalmente, movimentações ao terreno político. O PS, embora ao jeito de molduras para o regresso do veterano Vassalo Abreu à política barquense, já apresentou todos os cabeças de lista às Câmaras Municipais do distrito. O PSD, o segundo partido com mais câmaras no Alto Minho, ainda não o fez. Estranhamente, ainda não é pública a candidatura à Câmara de Arcos de Valdevez, que lidera desde os anos 70, nem à capital de distrito, Viana do Castelo. Se, nesta última, a demora é natural, pela restruturação dos órgãos locais do partido, no caso de Arcos de Valdevez, a demora não é assim tão normal. O vice-presidente do executivo arcuense é Olegario Gonçalves, presidente da distrital do PSD, falado várias vezes como o potencial substituto de João Manuel Esteves e que nunca negou essa vontade. O que impedirá a sua apresentação?
Pelo histórico autárquico, porque a concelhia de Arcos de Valdevez significa muito mais que 50% dos votos internos do PSD Alto Minho, esta indefinição não pode continuar.
Por falar em autárquicas
Caro leitor, o que pensaria se um político, que sendo militante de um partido, assumisse, sem se desfiliar, a candidatura por outro partido? E se, quatro anos depois, noutras eleições, assumisse uma candidatura independente? E se, para compor o “ramalhete”, agora tentasse uma candidatura com o apoio de um terceiro partido? Acha improvável? Considera impossível ter sucesso? Olhe bem à sua volta, pode ser que tenha uma surpresa.
Mudanças
Lembro-me de ser normal passar em caminhos onde a vinha fazia sombra no Verão. Eram os melhores caminhos para passear de bicicleta, a vinha por cima, muitas das vezes de uvas morangas, com o seu cheiro e sabor característicos, com o conforto que a folhagem dava aos passeios, nos dias quentes. Com os amigos, montados nas nossas BMX’s, foi por muitos desses caminhos que descobri a minha terra, caminhos rurais que seriam, provavelmente, os mesmos que os nossos bisavôs haviam calcorreado.
Aos poucos, a cultura do automóvel, o desaparecimento da vida rural, fez desaparecer esses caminhos. As centenárias pedras foram cobertas de alcatrão, as vinhas cortadas, os muros em pedra substituídos pelos de cimento e os terrenos agrícolas substituídos por casas ou armazéns. Já não posso mostrar nenhum desses caminhos aos meus filhos. Muitos desses locais já nem existem. Será melhor, será pior? A avaliação não será feita por nós que vemos estas alterações pela lente da nostalgia. Não há forma de parar a máquina do tempo.