A verdade da mentira
Ponte de Lima celebra, na próxima semana, os 900 anos da outorga, por Dona Teresa, do foral à “Terra de Ponte”. Este foral de 4 de Março de 1125 é o primeiro conhecido que eleva a nossa terra à condição de Vila. Durante o último ano, a autarquia limiana promoveu várias iniciativas com o mote dos 900 anos de foral. Eventos, publicações, palestras, debates, eventos culturais, a oferta foi muita e variada, promovendo o nosso património, a nossa cultura e a nossa comunidade.
Eis, no entanto, que o slogan “vila mais antiga de Portugal”, com a comemoração, voltou em força. A verdade é que este slogan de marketing, criado na era de Campelo, embora sem sustentação documental, completamente desmentida pelo estudo da história, tornou-se numa realidade aceite pela vox populi. É inegável que o golpe de marketing de Campelo foi brilhante, o rótulo colou-se, tornou-se indiscutível e Ponte de Lima passou a ter uma visibilidade diferenciada. Infelizmente, tudo isto foi feito à custa de uma fantasia que se tornou numa “verdade” até replicada no Diário da República.
Como o município provou, com as já referidas iniciativas que promoveu, o concelho limiano, uma vila mais antiga que Portugal, não necessita de permanecer ancorada a uma mentira para se promover e se afirmar. Seria bom que no final das comemorações o município deixasse cair esse falso slogan.
Leituras
Foram eleitos os novos órgãos da Associação de Futebol de Viana do Castelo. A lista encabeçada por Ricardo Felgueiras venceu a liderada por Pedro Bezerra. Alguns amigos, pelos políticos envolvidos na lista vencida, perguntaram-me se os resultados tinham uma leitura política. Exatamente pelo resultado, percebe-se que a influência dos políticos ficou de fora da escolha dos associados. Não me parece que exista qualquer leitura política a ser feita. Os clubes souberam separar as águas.
Vivemos numa nova realidade, os eleitores têm acesso a informação, podem, se quiserem, esclarecer-se à distancia de um clique. A influência já não é feita por personalidades ou pseudo-protagonistas, a influência vem do amigo, do par, naquele no qual se revê e sente empatia. Nas associações, como na política, esta nova realidade deve fazer pensar quem tem a responsabilidade de criar e promover equipas, é preciso estar mais perto das pessoas, mais perto dos eleitores.
Sem comentários:
Enviar um comentário