domingo, maio 17, 2026

Alto Minho, artigo de 14-05-2026

“A Romaria Minhota mais antiga de Portugal”

No dia da comemoração dos 200 anos, foi apresentado o programa e cartaz das Feiras Novas de 2026. No mesmo dia, foi ainda apresentada a actualização da Marca e Logomarca das festas, bem como o livro comemorativo dos 200 anos das Feiras Novas (parabéns, Amândio de Sousa Vieira). Durante a noite, houve baile e foguetes, destacando-se, ainda, a iluminação da igreja de Santo António da Torre Velha que, situando-se entre as velhas pontes romana e medieval, faz parte da paisagem icónica de Ponte de Lima. É de saudar, a propósito, o regresso do diálogo entre a Irmandade e o Município que permitiu este desfecho.

Imbuído pelo espírito festivo, visitei a página oficial (feirasnovas.pt) e deparei-me com a frase que dá título a este texto. Caros responsáveis, não há necessidade de recorrer a "não verdades" para promover o nosso concelho. Se o rigor histórico já é discutível perante seculares romarias vizinhas, o marketing tropeça aqui numa geografia surrealista. Dizer que esta é a “romaria minhota mais antiga de Portugal” é de uma redundância atroz. Se esta é a mais antiga de Portugal, qual será a “romaria minhota” mais antiga do mundo?

As Feiras Novas são gigantes pela sua alegria, pelo folclore e pela gente que as faz. Não precisam de "não verdades" nem de títulos inflacionados para serem grandes. A história de Ponte de Lima é demasiado rica para ser reduzida a slogans que tropeçam na geografia e ignoram o passado.


Apontamento


Sendo, actualmente, as Feiras Novas “A” festa de Ponte de Lima, sabe o leitor que nem sempre estas foram as maiores do concelho? Se recuarmos ao século XIX, à obra "O Minho Pitoresco" de José Augusto Vieira, descobrimos que, naquela época, a grande e notável romaria de Ponte de Lima era a do Senhor do Socorro, na freguesia da Labruja, cujo Santuário foi construído em 1773. 

Descrita como um "extenso formigueiro de gente" que durava três dias, tinha na pancadaria uma quase "condição sine qua non" para que a romaria fosse considerada "bem cumprida". O espectáculo, esse, media-se pelo estrondo do fogo de artifício que era descrito como tendo uma beleza e uma "dinamite" que ousava rivalizar com o famoso fogo da Senhora da Agonia. 


Insólito


Depois do bloqueio institucional que paralisou a vila de Arcozelo nos últimos meses, eis que surge um novo episódio digno de registo nos anais do insólito autárquico. O cenário é quase surreal, o Presidente da Junta apresentou à Assembleia de Freguesia, para discussão e votação, uma "primeira alteração modificativa" ao orçamento de 2026.

Até aqui, nada a apontar, não fosse um detalhe, para que um orçamento possa ser alterado, tem que existir. E a verdade é que não existe. Embora os órgãos tenham finalmente tomado posse, o Presidente da Junta ainda não apresentou qualquer proposta de Orçamento e Plano para o ano de 2026. A oposição social-democrata já baptizou o fenómeno de “criatividade institucional”. O caso, de tão bizarro, poderia até ser lido como uma anedota política, mas a realidade é bem mais séria. Este episódio é o espelho do estado de degradação a que chegou a gestão da “res publica” na segunda vila do concelho de Ponte de Lima. Entre o amadorismo e o contra-senso, a vila de Arcozelo continua à espera de um rumo que a "criatividade" teima em adiar.