domingo, setembro 06, 2026

Alto Minho, artigo de 03-09-2026

Indústria naval alto-minhota 

Com encomendas garantidas de €400 milhões até 2030, li num semanário nacional que a West Sea prevê faturar neste ano mais 16%, cerca de €140 milhões, face ao ano passado. Para criar “novas oportunidades”, a empresa fez o grande investimento de €25 milhões numa nova doca seca em Viana do Castelo.

Que diferença relativamente à realidade com que José Pedro Aguiar Branco foi confrontado. Em 12 anos, o estaleiro construiu 23 navios e passou das águas fluviais para os oceanos, conquistando clientes na Noruega, EUA e até no Japão, com uma encomenda de um cruzeiro de luxo de €100 milhões para 2027. O foco agora é a engenharia de ponta e o sector da defesa.

Na economia regional, como na política, o sucesso não se deve medir apenas pelo "betão" ou pelas estatísticas. O impacto real está nas 1400 pessoas que ali operam diariamente e que dão vida ao estaleiro. 

Aguiar Branco, na altura ministro da Defesa Nacional e actualmente Presidente da Assembleia da República, teve a coragem de, enquanto decisor público, fazer o que era necessário, decidir. O resultado está à vista de todos. 

Navegar na espuma dos dias, na demagogia ou populismo é tentador, mas o mais importante é garantir a fixação de talento e desenvolvimento do nosso distrito. Esse é o desafio estrutural que verdadeiramente importa.


O Custo da Fragmentação Regional


A proposta de criação da Área Metropolitana do Minho, impulsionada pelo recente entendimento entre os municípios de Braga e Guimarães, introduz um debate estrutural que o Alto Minho não pode ignorar. Conforme sublinhou, num artigo de opinião, José Alfredo Oliveira, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ponte da Barca, a fragmentação política e administrativa da nossa região tem funcionado, ao longo dos anos, como um travão à nossa capacidade de influência. Esta divisão traduz-se numa menor competitividade e em oportunidades perdidas face a outros eixos urbanos consolidados, colocando as lideranças do distrito de Viana do Castelo perante uma responsabilidade acrescida. 

O presidente da Câmara de Viana do Castelo, Luís Nobre, vê com bons olhos a criação de uma Área Metropolitana do Minho, falta saber o que pensam os outros presidentes. 


Nova época


A Associação Desportiva “Os Limianos” entrou forte na nova época. O seu plantel integra a maior percentagem, em décadas, de jogadores do concelho oriundos da formação. Jovens, bons jogadores, com “fome” de vitória e de levar as cores limianas a outros patamares. 

Há, no entanto, algo que não pode continuar a acontecer, o clube mais representativo do concelho de Ponte de Lima está organizado e preparado, a equipa sente que pode chegar mais longe, mas, infelizmente, mesmo que desportivamente consiga atingir o objectivo da subida, o mais certo é ter de abdicar da mesma. Para competir em patamares superiores é imperativo um estádio com relva natural, com um sistema de iluminação adaptado para as transmissões televisivas e, atualmente, nenhum campo/estádio em Ponte de Lima cumpre esses requisitos. 

Em 2023, foi anunciado um novo estádio que em 2025 seria uma realidade, infelizmente, várias vicissitudes não permitiram a sua concretização. 

Iniciar mais uma época sem que as condições estejam asseguradas, depois das “certezas” dadas, poderá ser factor de desmotivação para a equipa e para os dirigentes. Será que falta muito para se iniciar a construção do prometido novo estádio municipal?