O tempo que não pára
O tempo que vivemos é, para nós, o mais importante. Não apenas por ser o nosso, mas porque, por norma, nos parece o mais avançado, o verdadeiro topo da inovação. A verdade é que o tempo é uma roda que não para de girar. Como me dizia o meu tio Luís, “gostava de viver mais tempo só para experimentar as tecnologias e ideias do futuro”.
Hoje, no Ocidente, vivemos num mundo marcadamente digital. Quando interagimos com a Administração Pública, já o fazemos, quase sempre, através de um ecrã. Os processos estão desmaterializados e o suporte em papel foi praticamente afastado dos procedimentos. É aqui que surge uma questão central. Hoje podemos consultar processos que decorreram há séculos porque chegaram até nós em papel. Mas, e os processos que agora nascem e existem apenas nas “nuvens” digitais? Durarão tanto tempo? Conseguiremos garantir a sua preservação e, com isso, a salvaguarda de direitos e garantias fundamentais?
Exigência cívica
Foi precisamente a pensar nisto que, na passada semana, a CIM Alto Minho e o Arquivo Distrital de Viana do Castelo reuniram, na Villa Morais, em Ponte de Lima, técnicos e responsáveis políticos dos 10 concelhos do Alto Minho. O debate contou com as intervenções de Jorge Janeiro, Subdiretor-Geral da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, e de Pedro Penteado, Diretor de Serviços de Arquivística e Normalização da mesma instituição.
A partilha de boas práticas esteve a cargo de Fernanda Gonçalves, do Serviço de Arquivo do Centro Hospitalar Universitário de São João, que explicou a “construção” e aplicação prática do Plano de Preservação Digital naquele hospital. Embora o tema envolva arquivos, o que está aqui em causa ultrapassa a mera dimensão cultural onde, por vezes, colocamos estas questões. Estamos perante um assunto em que os arquivos assumem, também, um papel fundamental, a preservação dos direitos, das garantias e da própria confiança dos cidadãos na Administração Pública.
150 anos da PSP no nosso distrito
O Comando Distrital da PSP de Viana do Castelo celebra, no próximo dia 18, o seu 150.º aniversário (1876–2026). Sob o lema "A vós outros aqui se estão guardando", a instituição assinala um século e meio de história com um programa aberto à comunidade.
Este marco histórico convida à reflexão sobre o modelo de policiamento na região. A verdadeira eficácia policial reside no reforço dos meios humanos e materiais nas ruas. Ao longo das últimas duas décadas, o percurso da corporação ficou marcado por acesos debates cívicos e políticos. O distrito enfrentou momentos críticos, desde a forte contestação popular contra a ameaça de encerramento da esquadra de Ponte de Lima, em 2006, até às persistentes discussões sobre as áreas territoriais de atuação. Ao celebrar os 150 anos deste comando, devemos honrar o seu passado, mas sem esquecer a necessidade de garantir o seu futuro operacional junto das populações.