domingo, março 30, 2025

Alto Minho, artigo de 20-03-2025

Aí vamos nós!

Um ano depois, voltamos a ter eleições legislativas. Uma guerra de egos, falta de bom senso e calculismo político impediram que um governo assente numa base parlamentar minoritária, mas com um programa de governo aprovado e resistente a duas moções de confiança, terminasse o seu mandato.

As “agulhas políticas” mudam, assim, de posição. Quando começavam a construir as listas para as eleições autárquicas, eis que os partidos têm de se voltar, novamente, para as listas à Assembleia da República. Para uma maior transparência, os partidos deveriam impor, desde logo, a regra de que nas listas à Assembleia da República não há lugar a candidatos a presidente de câmara, a vereadores, a cabeças de lista às Assembleias Municipais e a presidente de junta. 

Para além de renovação, seria uma forma de respeitar os eleitores. Os partidos e os políticos não devem menorizar as eleições, todas são importantes.


Tarefa fácil, ou não…


As listas não são fáceis de constituir, não por falta de candidatos a candidatos, mas pela dificuldade de gerir os interesses nacionais, locais e os inerentes à política interna dos partidos.

No PSD Alto Minho, João Esteves, na recta final do seu ultimo mandato como presidente da Câmara de Arcos de Valdevez, será o nome mais consensual para liderar a lista de deputados indicada pela distrital do Alto Minho. E porque a representatividade deve ser ponderada de forma a ir ao encontro do eleitorado, João Esteves, deveria ser seguido por uma mulher indicada pela concelhia de Viana do Castelo (Barbara Barreiros?), seguido por um nome de Ponte de Lima.

Já no PS, se o nome de Mariana Gonçalves não será nenhuma surpresa, o de Vítor Paulo Pereira, actual presidente da Câmara de Paredes de Coura, também em final de ciclo e líder da distrital socialista, será de acompanhar. Empurrará José Maria Costa para um lugar não eletivo? E Miguel Alves estará disposto a voltar à política activa? 

As listas a deputados, numa altura em que todos os votos contam, deveriam ter uma constituição ainda mais criteriosa, com maior representatividade e abertura às comunidades e menor permeabilidade às “sensibilidades” internas.  


Sucesso


Para muitos, sucesso é ter poder económico, social, político. Será? O que dizer daqueles que, até prescindindo desses “poderes”, se mantêm fiéis aos seus princípios, aos seus valores, à sua essência? 

Alguns afirmam que o sucesso só é medido na relevância que se alcança após a morte. Se ficarmos conhecidos, então, sim, tivemos e temos sucesso. Esquecem-se, no entanto, de que, mais tempo menos tempo, esse manto do anonimato acabará cobrindo todos. Quantas ruas com nomes de personagens em tempos sonantes são agora apenas um apêndice ao código postal, sem que ninguém saiba quem foram os que lhe deram nome. Talvez o sucesso seja alcançado quando se vive sem o peso da traição a si mesmo, aos valores e princípios que nos fizeram Ser.  

domingo, março 16, 2025

Alto Minho, artigo de 13-03-2025

Celebração digna!

O Município de Ponte de Lima está de parabéns pelas actividades comemorativas do Dia de Ponte de Lima e dos 900 anos da outorga do foral de Dona Teresa. Não só pelas que ocorreram no dia 4 de Março, como também pelas que se foram sucedendo durante o último ano e as que iremos vivenciar até Março de 2026. 

Não posso deixar de realçar que o slogan que referi na passada crónica deixou de ser usado, pelo menos nas alocuções na sessão oficial, pelos nossos representantes autárquicos. Aparentemente deixaram morrer um slogan historicamente errado, parabéns pela coragem! 

Infelizmente, ainda nem todos a tiveram, Nas suas redes sociais, o movimento PLMT insiste no “a vila mais antiga de Portugal”. Ponte de Lima, como escrevi anteriormente, não necessita de permanecer ancorada a uma mentira para se promover e se afirmar. 


E daqui a 100 anos?


Aguiar Branco, na Sessão Solene de dia 4 de Março, afirmou que devemos “encontrar na história os fundamentos para enfrentar os desafios do futuro”. Quando se comemorarem os 1000 anos do foral de Dona Teresa, que discursos terão os nossos netos e bisnetos? Será que ficarão presos a resenhas históricas ou dirão algo como “conseguimos fazer jus ao desafio que Dona Teresa nos fez quando nos outorgou um foral. Mil anos depois, somos uma referência de sustentabilidade, de preservação do património natural e edificado, de urbanismo e de inclusão, de produção tecnológica e de saber. Tal como no passado, também agora, atraímos os melhores para a nossa comunidade”? Sim, o passado é importante, mas não devemos viver apenas de glorias passadas. Precisamos de conceber um plano para o que queremos ser no futuro, e trabalhar para lá chegar.

 

Afinal?


Com a possibilidade de reprovação, pela oposição, da moção de confiança apresentada pelo governo (quando escrevo ainda se desconhece o desfecho) e com a ida do país novamente para eleições legislativas, o tema “autárquicas” volta a ser ensombrado, relegado para segundo plano. Não posso deixar de realçar, no entanto, as recentes notícias que dão conta de que a concelhia do PSD de Viana do Castelo aprovou o nome para encabeçar a sua lista candidata à Câmara Municipal. A escolha recaiu em Paulo Morais, nascido em Viana do Castelo, em 1963, docente universitário, com um MBA em Comércio Internacional e doutoramento em Engenharia e Gestão Industrial pela Universidade do Porto. Militante do PSD até 2013, fez parte do primeiro executivo municipal de Rui Rio, no Porto, tendo sido, ainda, candidato às presidenciais de 2016, obtendo 2,16% da votação, correspondendo a 100.008 votos. Já agora, porque normalmente não consta nas suas biografias, Paulo Morais, nas eleições autárquicas de 2009, foi cabeça de lista do PSD à Assembleia Municipal de Ponte de Lima. A sua passagem como membro da Assembleia Municipal de Ponte de Lima foi tão marcante como um navio que atravessa o oceano. 

Há, no entanto, alguma estupefação pela escolha do partido e por Paulo Morais ter aceitado. Na última década, Morais embarcou numa narrativa anti partidos, em que todos parecem ser corruptos ou potenciais corruptos ou corruptores. Com artigos, só referenciando alguns dos assuntos recentemente abordados, com títulos como “partidocracia fatal”, “tráfico de solos”, onde classificou a lei dos solos do actual governo como “ignóbil trafulhice”, considerou, ainda, o Orçamento de Estado de 2025 inconstitucional. 

A escolha está feita, faltará a homologação nacional, falta saber, agora, se conseguirá capitalizar o descontentamento e a vontade de mudança, que são cada vez maiores, ou se, pelo contrário, a sua candidatura resultará no efeito contrário.  

domingo, março 02, 2025

Alto Minho, artigo de 27-02-2025

A verdade da mentira

Ponte de Lima celebra, na próxima semana, os 900 anos da outorga, por Dona Teresa, do foral à “Terra de Ponte”. Este foral de 4 de Março de 1125 é o primeiro conhecido que eleva a nossa terra à condição de Vila. Durante o último ano, a autarquia limiana promoveu várias iniciativas com o mote dos 900 anos de foral. Eventos, publicações, palestras, debates, eventos culturais, a oferta foi muita e variada, promovendo o nosso património, a nossa cultura e a nossa comunidade. 

Eis, no entanto, que o slogan “vila mais antiga de Portugal”, com a comemoração, voltou em força. A verdade é que este slogan de marketing, criado na era de Campelo, embora sem sustentação documental, completamente desmentida pelo estudo da história, tornou-se numa realidade aceite pela vox populi. É inegável que o golpe de marketing de Campelo foi brilhante, o rótulo colou-se, tornou-se indiscutível e Ponte de Lima passou a ter uma visibilidade diferenciada. Infelizmente, tudo isto foi feito à custa de uma fantasia que se tornou numa “verdade” até replicada no Diário da República.   

Como o município provou, com as já referidas iniciativas que promoveu, o concelho limiano, uma vila mais antiga que Portugal, não necessita de permanecer ancorada a uma mentira para se promover e se afirmar. Seria bom que no final das comemorações o município deixasse cair esse falso slogan.

Leituras

Foram eleitos os novos órgãos da Associação de Futebol de Viana do Castelo. A lista encabeçada por Ricardo Felgueiras venceu a liderada por Pedro Bezerra. Alguns amigos, pelos políticos envolvidos na lista vencida, perguntaram-me se os resultados tinham uma leitura política. Exatamente pelo resultado, percebe-se que a influência dos políticos ficou de fora da escolha dos associados. Não me parece que exista qualquer leitura política a ser feita. Os clubes souberam separar as águas. 

Vivemos numa nova realidade, os eleitores têm acesso a informação, podem, se quiserem, esclarecer-se à distancia de um clique. A influência já não é feita por personalidades ou pseudo-protagonistas, a influência vem do amigo, do par, naquele no qual se revê e sente empatia. Nas associações, como na política, esta nova realidade deve fazer pensar quem tem a responsabilidade de criar e promover equipas, é preciso estar mais perto das pessoas, mais perto dos eleitores.

sexta-feira, fevereiro 28, 2025

Notícias de Viana - Fevereiro 2025

Confiança no Espírito

Ao longo da minha vida passaram pela cadeira de Pedro 5 Papas, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II, Bento XVI e Francisco. Embora todos os sumo pontífices marquem a vida dos crentes, e até dos não crentes, o mais impactante na minha vida foi João Paulo II. O pontificado de 26 anos acompanhou o meu crescimento enquanto homem, e cristão. Foi o primeiro Papa que tive a Graça de ver fisicamente, estando a metros dele. Tive a mesma Graça com Bento XVI e Francisco. Nessas situações percebi que, embora homens com todas as normais fragilidades de cada um de nós, emanam uma força que vai para além da nossa compreensão. Neles se percebe, realmente, a expressão, várias vezes repetida no Evangelho, de “ungido de Deus”. 

Em 2000, pleno ano jubilar, nas Jornadas Mundiais de Juventude, em Roma, encontrei um Papa João Paulo II, apesar de alguma debilidade, com uma força e pujança empolgantes. Dois anos depois, no encontro em Toronto, a debilidade já era muita, mas João Paulo II não vacilou, dando exemplo aos milhares de jovens e mostrando como a esperança e a fé se mantinham mais fortes do que nunca, "Não tenhais medo, abri de par em par as portas a Cristo!". Quase 3 anos depois falecia e Joseph Ratzinger, em Abril de 2005, era eleito Papa, escolhendo o nome de Bento XVI. Tive a sorte de poder estar na missa de início do seu ministério petrino, em cuja a homilia, o novo Papa começou por afirmar “não estou sozinho”, terminando a exortar, reforçando as palavras do seu antecessor, “não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada, ele dá tudo”. 

Em Fevereiro de 2013, Bento XVI, aquando da sua resignação, pouco antes da entrada no período de sede vacante, afirmou “neste momento particular, peço-vos que rezeis por mim e pela Igreja, confiando sempre na Providencia de Deus”. Um mês depois, de forma surpreendente, contra todos os prognósticos dos vaticanistas, o argentino Jorge Mário Bergoglio era eleito Papa. A surpresa foi ainda maior pela escolha do nome, Francisco I. Se a coragem da resignação de Bento XVI, por reconhecer a sua incapacidade para administrar bem o ministério que lhe tinha sido confiado, é de realçar e louvar, o mesmo deve ser feito pela forma disruptiva com que Francisco, desde o início, aborda o peso do seu ministério.

Quando escrevo estas linhas, a atenção mediática está toda no Hospital Gemelli, em Roma, onde o Papa Francisco se encontra internado há vários dias. Com boletins médicos diários, onde a palavra “critico” prevalece, vai-se sabendo que o Papa, dentro das limitações, vai trabalhando. Os jornalistas vaticanistas vão ganhando tempo nas emissões das televisões, os prognósticos de conclave vão aumentando o tom. É preciso, no entanto, manter a esperança!

Como escreveu Francisco, na recente mensagem para a Quaresma, “graças ao amor de Deus em Jesus Cristo, somos conservados na esperança que não engana (cf. Rm 5, 5). A esperança é “a âncora da alma”, inabalável e segura. Nela, a Igreja reza para que «todos os homens sejam salvos» ( 1Tm 2, 4) e ela própria anseia estar na glória do céu, unida a Cristo, seu esposo. Santa Teresa de Jesus expressou isso da seguinte forma: «Espera, espera, que não sabes quando virá o dia nem a hora. Vela com cuidado, que tudo passa com brevidade, embora o teu desejo faça o certo duvidoso e longo o tempo breve» (Exclamações, XV, 3)”.    

domingo, fevereiro 23, 2025

Alto Minho, artigo de 20-02-2025

O mundo ao contrário

Há um ressentimento cada vez maior pelas supostas elites, um sentimento exacerbado por líderes populistas sedentos de poder e de vontade de entrarem no sistema político, não para o melhorar, mas com a intenção, declarada, de o destruir a partir de dentro. Para isso, atacam os tribunais, os “partidos tradicionais”, e, claro, a imprensa que “está ao serviço de interesses ocultos”. Servem-se do descrédito das instituições democráticas, descrédito alimentado por mentiras, desvalorizando tudo e todos que os desmintam. Nisto, a extrema-esquerda woke e a extrema-direita são gémeos. 

Recentemente, um dos partidos que se serve do expediente descrito anteriormente, confrontou os seus eleitores com a sua dura realidade. O líder convoca conferências de imprensa e produz vídeos para as redes sociais a gritar “vergonha”, ridiculariza eleitos de outros partidos e instituições, afirma, até, que existe o risco do Parlamento se tornar “uma casa de alterne do crime”. Mas eis que, qual tsunami de realidade, ficamos a saber que alguns dos protagonistas do partido, escolhidos pelo líder para ocuparem cargos políticos de relevo, demonstraram como seria se o eleitorado “sucumbisse”… ao seu apelo. Membros do partido, alguns até deputados da nação, são suspeitos e acusados de crimes como roubo, prostituição infantil, participação económica em negócio, ameaças físicas, etc. Sim, têm razão quando afirmam serem diferentes, são, mas para muito pior.


Recrutamento


A maioria das pessoas não pensam, nem nunca pensaram, em participar na vida política, pertencer a um partido, a um movimento, candidatar-se a uma eleição. Infelizmente, são cada vez mais os que, tendo participado, rapidamente se afastam. Não é fácil. Muitos pensam que quem por lá anda apenas o faz por interesse próprio (seja por benefícios sociais ou financeiros), mas a verdade é que a grande maioria que participa activamente na política, nos partidos, nos movimentos, o faz por convicção, sem ganhos, na maioria das vezes até com custos financeiros e pessoais. 

É neste ambiente de afastamento que os partidos e movimentos têm a responsabilidade de atrair os melhores, nas artes, na cultura, na economia, na saúde, no ensino, nos mesteres. É difícil? Claro, mas, se não fizerem esse esforço, a degradação, como se vê, causará danos que poderão ser irreparáveis para a nossa democracia, para o nosso sistema político-social.


Lagoas




Ainda se lembra das bicicletas “Lagoas”? Já não se lembra? Em 2009, o município de Ponte de Lima investiu 14.389,60 € na compra de bicicletas que baptizou de “Lagoas”. Foram criadas ciclovias e promoveu-se a ideia de “passeios” de bicicletas até à zona húmida de Bertiandos e São Pedro de Arcos. Infelizmente, o projecto de mobilidade não teve desenvolvimento, vindo a desaparecer sem se dar por ela.
As bicicletas, essas, a última referência que encontrei sobre elas foi a de um leilão de venda por lote. Em sentido contrário, recentemente, o concelho de Barcelos criou uma rede de bicicletas partilhadas, onde, por um valor residual, os residentes podem usufruir desse meio de transporte. Se pensam que só resulta numa cidade, desenganem-se, o município de Vila Verde apresentou, no início deste mês, o projecto “Bike Amor”. Nada mais, nada menos, que um sistema de bicicletas partilhadas que, se tiver adesão, poderá ser replicado noutros pontos daquele concelho. Eis dois bons exemplos que poderiam ser replicados em concelhos alto-minhotos, concelhos como o de Viana do Castelo e Ponte de Lima. É preciso deixar o conservadorismo, tão enraizado na nossa região, e dar passos na mobilidade sustentável.

domingo, fevereiro 16, 2025

Alto Minho, artigo de 13-02-2025

Presidenciais

O primeiro candidato, com possibilidade de vencer as eleições, a apresentar-se às eleições presidenciais foi Luís Marques Mendes. Seria bem mais cómodo “fazer-se de morto”, até porque as sondagens nem lhe são favoráveis. Apesar dos presságios de insucesso, não é de estranhar esta decisão. Marques Mendes é assim, quando está convencido da validade do seu intento, não é a incomodidade ou a possibilidade de não sucesso que o impedem de seguir o caminho que acha melhor. Já dizia Vaclav Havel, “a esperança não é a convicção de que algo irá correr bem, é a certeza de que algo faz sentido, independentemente do resultado”. 

Foi ele que, enquanto líder de um dos maiores partidos portugueses, o PSD, teve a coragem de dizer "mais vale perder uma eleição do que perder a honra e a credibilidade". Não só disse como realmente enfrentou o aparelho, nas autárquicas de 2005, travando o apoio do PSD a candidaturas de personalidades envolvidas em casos judiciais. Essa guerra interna levá-lo-ia a perder a liderança, em 2007, para Luís Filipe Menezes. Foi nessa derrota que conquistou o meu respeito político, é que não é gritando contra o sistema ou denegrindo as instituições que se faz a diferença. É assumindo as nossas responsabilidades e agindo em conformidade que se alteram as coisas.


Por onde andam


Consultava uns artigos que escrevi, quando me deparei com um, escrito há cerca de 20 anos, onde li o seguinte “não posso deixar de lamentar o novo desaparecimento do nosso concelho das (…) juventudes partidárias. Não podemos deixar morrer a vontade de participação política dos jovens limianos, mas antes fomentá-la. (…) Seria bom que (…) as juventudes partidárias aparecessem com ideias concretas para Ponte de Lima, aparecessem com vontade de as debater, de participar activamente nos programas eleitorais dos respectivos partidos...”. Já viram como, passados vinte anos, o texto se mantém actual? Não existirão jovens com vontade de debater e construir o seu concelho?


Mudanças no futebol distrital


Os novos órgãos da Associação de Futebol de Viana do Castelo serão escolhidos no final deste mês. Numa consulta às páginas web das, até então,  listas concorrentes é possível verificar duas abordagens. A lista liderada por Ricardo Felgueiras, um dos vice-presidentes da cessante direcção, não esconde a ligação com o passado, mas não fica presa a este, integra novos rostos realçando as ligações dos seus membros ao mundo da “bola distrital”. A outra lista, liderada por Pedro Bezerra, apostando numa profunda ruptura com o passado, realça a actividade profissional e política dos seus membros. A Assembleia Geral, por exemplo, é constituída, basicamente, por políticos e ex-políticos locais.

Uma coisa é certa, seja qual for a abordagem a ter sucesso, a mudança é incontornável na Associação de Futebol de Viana do Castelo.   

domingo, fevereiro 09, 2025

Alto Minho, artigo de 06-02-2025

No entanto…

O deputado socialista, José Maria Costa, no seu artigo da passada semana, escrevia, a propósito das políticas do governo para a comunicação social, que “para a construção e consolidação dos pilares da Democracia e do Estado de Direito estamos todos convocados. Mas este governo à semelhança de que faz noutras áreas governativas, não dialoga, não procura construir consensos.”. José Maria Costa ainda não conseguiu sair da redoma governativa onde viveu nos últimos anos. Precisa de vir para a rua, falar com as pessoas que vivem fora da política, perceber a diferença entre o clima crispado que se viveu durante o governo de que fez parte e o que se vive agora. O actual governo, dos professores, às forças policiais, dos militares, aos enfermeiros, até com os bombeiros sapadores conseguiu chegar a um acordo, isto depois de negociar com os sindicatos e parceiros sociais. 

No caso em apreço, o do Plano de Ação para a Comunicação Social, o governo pediu, por exemplo, a colaboração de duas associações de imprensa, a Associação Portuguesa de Imprensa e a ANIR - Associação Nacional de Imprensa Regional. Esta última até tornou público que encontrou no plano apresentado motivos “para concluir que o poder político inscreveu o setor nas prioridades do país para a comunicação social”, até a UGT destacou os objectivos positivos do mesmo.  

Provavelmente, para o socialista José Maria Costa, o governo deveria ficar dormente, refém, quem sabe, dos humores da oposição.


Para os nossos netos




Ao ler uns jornais antigos, publicados em Ponte de Lima, dos finais do século XIX, princípio do século XX, encontrei duas notícias sobre a plantação de árvores nos espaços públicos da vila limiana. Numa das notícias, saudava-se a iniciativa do conde de Santa Eulália por se ter disposto a organizar e suportar os custos da plantação de árvores em vários espaços públicos da vila de Ponte de Lima, proposta de imediato aceite pela Câmara Municipal. A segunda, esta do final do século XIX, lamentava a alteração das árvores no passeio ribeirinho da vila, queixando-se de que, com estas novas árvores, “só os nossos netos é que poderão usufruir delas”. Sendo eu já um dos bisnetos, parece-me que ainda terei beneficiado de duas ou três, que duraram até ao final dos anos 90 do século XX. 

Hoje, felizmente, não é preciso esperar por um “benfeitor”, e, por vezes, até conseguimos ter uma visão que vai além do nosso espaço temporal. A Câmara Municipal de Ponte de Lima substituiu, recentemente, as árvores plantadas em 1996 entre a Alameda de São João e o rio Lima, uma medida que trouxe qualidade de vida a vários cidadãos com problemas de alergologia. Agora foi a vez das velhas árvores que ladeavam a referida Alameda serem substituídas por novas. Em boa hora foi feita esta substituição, novas árvores, nova visibilidade à Alameda de São João que sai assim rejuvenescida, tornando-se num espaço de que também os nossos netos poderão desfrutar. 

domingo, fevereiro 02, 2025

Alto Minho, artigo de 30-01-2025

Movimentos

As eleições autárquicas deste ano trouxeram, finalmente, movimentações ao terreno político. O PS, embora ao jeito de molduras para o regresso do veterano Vassalo Abreu à política barquense, já apresentou todos os cabeças de lista às Câmaras Municipais do distrito. O PSD, o segundo partido com mais câmaras no Alto Minho, ainda não o fez. Estranhamente, ainda não é pública a candidatura à Câmara de Arcos de Valdevez, que lidera desde os anos 70, nem à capital de distrito, Viana do Castelo. Se, nesta última, a demora é natural, pela restruturação dos órgãos locais do partido, no caso de Arcos de Valdevez, a demora não é assim tão normal. O vice-presidente do executivo arcuense é Olegario Gonçalves, presidente da distrital do PSD, falado várias vezes como o potencial substituto de João Manuel Esteves e que nunca negou essa vontade. O que impedirá a sua apresentação? 

Pelo histórico autárquico, porque a concelhia de Arcos de Valdevez significa muito mais que 50% dos votos internos do PSD Alto Minho, esta indefinição não pode continuar. 


Por falar em autárquicas


Caro leitor, o que pensaria se um político, que sendo militante de um partido, assumisse, sem se desfiliar, a candidatura por outro partido? E se, quatro anos depois, noutras eleições, assumisse uma candidatura independente? E se, para  compor o “ramalhete”, agora tentasse uma candidatura com o apoio de um terceiro partido? Acha improvável? Considera impossível ter sucesso? Olhe bem à sua volta, pode ser que tenha uma surpresa.


Mudanças


Lembro-me de ser normal passar em caminhos onde a vinha fazia sombra no Verão. Eram os melhores caminhos para passear de bicicleta, a vinha por cima, muitas das vezes de uvas morangas, com o seu cheiro e sabor característicos, com o conforto que a folhagem dava aos passeios, nos dias quentes. Com os amigos, montados nas nossas BMX’s, foi por muitos desses caminhos que descobri a minha terra, caminhos rurais que seriam, provavelmente, os mesmos que os nossos bisavôs haviam calcorreado. 

Aos poucos, a cultura do automóvel, o desaparecimento da vida rural, fez desaparecer esses caminhos. As centenárias pedras foram cobertas de alcatrão, as vinhas cortadas, os muros em pedra substituídos pelos de cimento e os terrenos agrícolas substituídos por casas ou armazéns. Já não posso mostrar nenhum desses caminhos aos meus filhos. Muitos desses locais já nem existem. Será melhor, será pior? A avaliação não será feita por nós que vemos estas alterações pela lente da nostalgia. Não há forma de parar a máquina do tempo.


domingo, janeiro 26, 2025

Alto Minho, artigo de 23-01-2025

Quebrou-se o silêncio

Após um longo silêncio, o PS limiano finalmente deu a conhecer o que pretende para as próximas eleições autárquicas. Quando se esperava que apresentasse os líderes eleitos no inicio do passado Verão, talvez por imposição da agenda nacional, apenas no último fim de semana, em Ponte da Barca, foram apresentadas as cabeças de lista à Assembleia e Câmara Municipal. Sim, “as” cabeças de lista. São duas mulheres a liderar as listas do PS aos principais orgãos autárquicos do concelho de Ponte de Lima. Isabel Costa, antiga bibliotecária da biblioteca municipal de Ponte de Lima, lidera a lista à Assembleia Municipal e Soraia Pires encabeça a lista à Câmara Municipal. Para um partido que parte de uma longa ausência, esta opção é ousada e, de certo modo, surpreendente. É uma clara ruptura com o passado e, não tendo objectivo ou obrigação de “grandes” resultados, um passo para o futuro reencontro do PS com o seu eleitorado. 


Finalmente


Com a apresentação das cabeças de lista do PS quebra-se, finalmente, uma barreira na política local limiana, as mulheres assumem um lugar que também é delas. Depois de se ter esperado por 2021 para, pela primeira vez, uma mulher assumir a liderança de uma lista à Câmara Municipal de Ponte de Lima, eis que quatro anos depois, neste momento, foram apresentados duas mulheres e dois homens (assumindo a recandidatura de Vasco Ferraz). É preciso relembrar que, embora 2021 assistisse à primeira candidatura feminina,  o executivo saído dessa eleição apenas integra uma mulher. A “parte” mais fácil será mesmo a da candidatura, é, no entanto, necessário atrair os eleitores e para isso, mais que tudo, é preciso ter ideias, ter uma boa equipa e listas às assembleias de freguesia. Nada diferente, aliás, de qualquer candidatura. 

Não poderia deixar de realçar, no entanto, esta situação, que é nova no contexto político limiano. Não que a condição de mulher seja motivo para uma qualquer vantagem ou desvantagem eleitoral, mas, tão simplesmente, por se baterem, como deve ser, de igual para igual, sem preconceitos, por um lugar que será ocupado por quem os eleitores decidirem que é o mais indicado.   


Apoio aos idosos


O apoio aos mais idosos é um dos sectores com maior potencial de crescimento e um dos que mais necessidade tem de investimento público. No mandato autárquico de 2013 - 2017 tive a oportunidade, enquanto eleito e líder político, de integrar uma equipa que, nos diversos órgãos onde estava eleita, apresentou propostas concretas de apoio a esta faixa da população. Estarmos envolvidos na comunidade, promovermos o contacto directo com as pessoas, permitiu-nos uma visão diferenciada e que, dentro das nossas responsabilidades, nos impeliam a agir. Uma das propostas que estudamos e apresentamos foi a do apoio à compra de medicamentos. É verdade que o Estado central tem apoios, mas não deixa, também, de ser verdade que, infelizmente para muitos, esses apoios não são suficientes. O que propusemos não teve a receptividade da maioria que componha os referidos órgãos autárquicos, privando, assim, centenas de limianos mais idosos do que seria uma factual melhoria das suas condições de vida. 

Sempre que leio notícias que vão ao encontro do que propus, demonstrando a sua viabilidade, não consigo deixar de pensar de como alguns dos eleitos se preferem  amarrar à sua pequenez politico-partidária ao invés de se alargarem ao bem fazer pela sua comunidade. Parabéns ao município de Arcos de Valdevez que recentemente entregou os “primeiros 25 cartões de acesso gratuito a medicamentos, que contempla uma comparticipação financeira de 135 euros anuais, por pessoa, para cidadãos em situação de insuficiência económica”.  

domingo, janeiro 19, 2025

Alto Minho, artigo de 16-01-2025

Opções

O presidente da Junta de Calheiros, Agostinho Araújo, deixou o desabafo no número da passada semana deste jornal, de que “a juventude quer construir em Calheiros, mas está embargada pelo PDM”. A revisão do PDM de Ponte de Lima tem sido um anseio, principalmente de quem vive nas freguesias periféricas do concelho. Ora por gestão política, ora por opção, por medo de que as restrições entretanto impostas venham piorar a capacidade de construção nessas mesmas freguesias, a revisão tem sido adiada.

Hoje, na zona urbana limiana, vive-se um novo movimento, zonas onde prevaleciam casas unifamiliares começam a ser alteradas. Vivendas são compradas para serem demolidas e substituídas por prédios. A construção de casas multifamiliares, os bairros de apartamentos, prevalecem na política de desenvolvimento urbano. Esse movimento traz novos residentes, normalmente das freguesias periféricas, alterando as formas de vida a que estávamos habituados, significando novas pressões e necessidades para essas zonas. 

Na zona histórica, a reabilitação segue o mesmo caminho. Fruto da rentabilização do investimento feito na reabilitação, as casas multifamiliares trazem, no entanto, novos desafios. Normalmente com negócios no rés do chão, com três, quatro ou cinco apartamentos nos restantes andares, casas, que outrora albergavam uma família, albergam agora quatro ou cinco vezes mais pessoas. Os espaços e serviços públicos devem acompanhar essa mudança. A pressão automobilística, por exemplo, irá aumentar, a rede elétrica da zona, face às necessidades actuais, terá de ser reforçada, etc. 

Seria bom que o processo de revisão do PDM de Ponte de Lima avançasse ainda neste mandato, seria, também, uma boa forma de perceber o que cada candidatura defende para a gestão urbanística do nosso território.


Coisas de filmes


Há uns anos foram demolidos os últimos bairros de casas pré-fabricadas existentes em Ponte de Lima. Construídos nos finais dos anos 70 do século passado para satisfazer necessidades habitacionais, foram substituídos por bairros sociais multifamiliares. Agora encontram, em terrenos privados, “bairros” que antes só se viam em filmes, de roulotes e casas amovíveis. Quem e como vive por lá? As entidades públicas, das autarquias, acção social, à fiscalização económica, devem estar atentas a estas novas realidades.


Nove meses


Faltam nove meses para as eleições autárquicas e, se alguns protagonistas vão fazendo aparições, outros parecem querer manter-se na “sombra” o maior tempo possível. Luís Nobre terá sentido a necessidade de se afirmar como recandidato, garantindo a este jornal que “nunca houve dúvidas” de que seria ele o candidato do Partido Socialista à Câmara Municipal em Viana do Castelo. Numa altura em que basta “andar” por Viana do Castelo para se perceber a insatisfação com a gestão de Nobre, estranha-se que ainda não exista um nome alternativo à liderança do concelho sede do distrito. 

Por Ponte de Lima, já foram anunciadas duas candidaturas, a do Movimento Ponte de Lima Minha Terra e a do Partido Social Democrata. Se a primeira, a de Zita Fernandes, não mobilizou, a segunda, de José Nuno Araújo, passou despercebida. É interessante, no entanto, verificar que as duas candidaturas convergem ao publicarem textos genéricos, cheios de lugares comuns, sobre cada uma das freguesias do concelho. Será para convencer possíveis candidatos a essas Juntas de Freguesia? Quem permanece num silêncio sepulcral é o PS, não se percebe esta estratégia para quem quer voltar a ter uma voz autárquica, após quase uma década de ausência da “mãozinha” nos boletins de voto. Ah, já agora, o Chega e a IL prometeram uma presença forte nestas autárquicas, o tempo vai passando e, também por aquelas bandas, permanece o silêncio. 

domingo, janeiro 12, 2025

Alto Minho, artigo de 09-01-2025

Polémicas com resíduos



Todos temos assistido à novela, ou polémica, com a recolha de resíduos na cidade de Lisboa. Algumas notícias empurram responsabilidades para o executivo municipal de Carlos Moedas, já outras alertam para a responsabilidade das Juntas de Freguesia na recolha do lixo, outras ainda para a irresponsabilidade da convocação da greve e para os verdadeiros interesses que estarão por detrás desta. A verdade é que, em algumas freguesias, a paralisação dos serviços faz-se sentir mais do que noutras. Faz-se sentir para os cidadãos que percorrem as ruas da nossa capital, para nós, que vivemos na “província”, esse é um dos vários assuntos que ocupam as “nossas” televisões, mas que em nada nos diz respeito. A bem dizer, até diz. Se observarmos bem, é possível verificar que muito do que por lá se passa também por aqui se encontra. 

Todos sabem das dificuldades na recolha dos resíduos, mas poucos fazem um esforço para acautelar o acumular do mesmo. Mesmo neste concelho mais antigo que Portugal, se encontram casos como esse. Nas últimas semanas, várias papeleiras na zona histórica não foram objecto de limpeza, acumulando o lixo, em alguns casos, até esbordar. Não satisfeitos, alguns nossos concidadãos, alguns dos que gostam de nos visitar nestas épocas festivas, ainda juntaram sacos de lixo, nas papeleiras, caros leitores, não nos contentores de lixo que, basicamente, só não foram limpos em dois dias, com aviso prévio e sem grandes constrangimentos. 

A falta de sensatez é realmente algo que aflige esta sociedade que, embora com meios de comunicação ímpares e sem precedentes, se fecha cada vez mais no umbigo de cada um. 


Sentimento de insegurança


Alguns querem impor-nos um estado de permanente insegurança. Alguns jornais e páginas de notícias online “vivem” da divulgação e partilhas de notícias de assassinatos, desavenças, assaltos e roubos. Cria-se um ambiente em que as sensações se sobrepõem à realidade, permitindo aos “abutres” ocupar o espaço público com laudes às necessidades securitárias e restritivas, normalmente associadas à promoção da repugnância do desconhecido.  

No início da segunda década, um jovem de 22 anos, morador na freguesia de Rendufe, concelho de Ponte de Lima, foi assassinado por uma desavença passional. No ano seguinte, em Rebordões de Souto, um marido assassinou a sua mulher. Passado um ano, na Além da Ponte, na estrada do Arquinho, apareceu um corpo do qual se veio a saber ser de um homem assassinado, aparentemente por desrespeitar uma mulher casada. O leitor não se lembra destas notícias? É normal, não passaram nos jornais sensacionalistas, até porque ocorreram no início do século, mas do século passado. A criminalidade sempre existiu, com maior ou menor visibilidade, não podemos é cair nos cantos de sereia dos que querem cavalgar sentimentos e desgraças alheias para benefício eleitoral. 

Já agora, os exemplos dados podem ser encontrados no portal de pesquisa do Arquivo Distrital de Viana do Castelo em https://digitarq.advct.arquivos.pt/details?id=1058174 

domingo, janeiro 05, 2025

Alto Minho, artigo de 03-01-2025

Respeito e gratidão


Os alunos do curso de instalações elétricas da escola secundária de Ponte de Lima, por desafio do Município de Ponte de Lima, trouxeram um novo brilho a esta época natalícia ao produzir e instalar cerca de 200 peças de ornamentação natalícia no centro histórico da vila de Ponte de Lima. A comunidade educativa trouxe uma mensagem de paz à comunidade em geral. Nos tempos que correm, é uma mensagem forte e mais forte se torna quando é o resultado do trabalho, do esforço individual e colectivo dos alunos.

Só podemos deixar respeito e gratidão pelo seu trabalho, pelo seu esforço, pela mensagem e pela beleza que trouxeram ao espaço público limiano.

Por tudo o descrito, é totalmente lamentável que algumas dessas peças tenham sido vandalizadas. A PSP deverá investir no patrulhamento, bem visível, do centro histórico principalmente em horas noturnas.  


Prenda


No próximo domingo, o clube de futebol mais representativo de Ponte de Lima, a Associação Desportiva “Os Limianos”, cumpre o seu septuagésimo segundo aniversário. No ano passado, o presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima anunciou o inicio do processo de construção de um novo estádio municipal, preparado para outras necessidade às quais o velhinho Cruzeiro já não consegue responder ou se adaptar. 

Infelizmente, aparentemente, os tramites burocráticos têm atrasado o andamento do projecto que será muito mais que um simples campo de futebol. O local escolhido, perto da Expolima, pode tornar-se num centro desportivo, do futebol com a equitação e o atletismo, um espaço para os limianos e visitantes. Esperemos que o aniversário de domingo traga como presente a boa notícia de que os entraves burocráticos foram ultrapassados.


Poema


No passado dia 22 de Dezembro, completaram-se dois anos desde a partida de Amândio Sousa Dantas. Como fazem falta os seus artigos, os seus poemas, as conversas.

No início deste novo ano, lembrando um dos Grandes poetas limianos, deixo os versos iniciais do poema “Realidade”, publicado em 2019, no livro “O silencio das nuvens”. 

“Que a força da realidade não me desvie da nossa vigília, 

E que nunca o sonho se afaste do olhar;

Não é pedir muito ao coração do homem.”