Aí vamos nós!
Um ano depois, voltamos a ter eleições legislativas. Uma guerra de egos, falta de bom senso e calculismo político impediram que um governo assente numa base parlamentar minoritária, mas com um programa de governo aprovado e resistente a duas moções de confiança, terminasse o seu mandato.
As “agulhas políticas” mudam, assim, de posição. Quando começavam a construir as listas para as eleições autárquicas, eis que os partidos têm de se voltar, novamente, para as listas à Assembleia da República. Para uma maior transparência, os partidos deveriam impor, desde logo, a regra de que nas listas à Assembleia da República não há lugar a candidatos a presidente de câmara, a vereadores, a cabeças de lista às Assembleias Municipais e a presidente de junta.
Para além de renovação, seria uma forma de respeitar os eleitores. Os partidos e os políticos não devem menorizar as eleições, todas são importantes.
Tarefa fácil, ou não…
As listas não são fáceis de constituir, não por falta de candidatos a candidatos, mas pela dificuldade de gerir os interesses nacionais, locais e os inerentes à política interna dos partidos.
No PSD Alto Minho, João Esteves, na recta final do seu ultimo mandato como presidente da Câmara de Arcos de Valdevez, será o nome mais consensual para liderar a lista de deputados indicada pela distrital do Alto Minho. E porque a representatividade deve ser ponderada de forma a ir ao encontro do eleitorado, João Esteves, deveria ser seguido por uma mulher indicada pela concelhia de Viana do Castelo (Barbara Barreiros?), seguido por um nome de Ponte de Lima.
Já no PS, se o nome de Mariana Gonçalves não será nenhuma surpresa, o de Vítor Paulo Pereira, actual presidente da Câmara de Paredes de Coura, também em final de ciclo e líder da distrital socialista, será de acompanhar. Empurrará José Maria Costa para um lugar não eletivo? E Miguel Alves estará disposto a voltar à política activa?
As listas a deputados, numa altura em que todos os votos contam, deveriam ter uma constituição ainda mais criteriosa, com maior representatividade e abertura às comunidades e menor permeabilidade às “sensibilidades” internas.
Sucesso
Para muitos, sucesso é ter poder económico, social, político. Será? O que dizer daqueles que, até prescindindo desses “poderes”, se mantêm fiéis aos seus princípios, aos seus valores, à sua essência?
Alguns afirmam que o sucesso só é medido na relevância que se alcança após a morte. Se ficarmos conhecidos, então, sim, tivemos e temos sucesso. Esquecem-se, no entanto, de que, mais tempo menos tempo, esse manto do anonimato acabará cobrindo todos. Quantas ruas com nomes de personagens em tempos sonantes são agora apenas um apêndice ao código postal, sem que ninguém saiba quem foram os que lhe deram nome. Talvez o sucesso seja alcançado quando se vive sem o peso da traição a si mesmo, aos valores e princípios que nos fizeram Ser.